A vida privada nas redes sociais, por Flavia Abreu


O fim de um relacionamento é sempre penoso. Sonhos partidos, expectativas desfeitas, dúvidas, culpa e uma enorme sensação de fracasso. Em alguns casos, partilha de bens e guarda de filhos são assuntos que temos de enfrentar, apesar da dor da separação.

Na era do espetáculo, surge uma outra tormenta. Quem acabou de se separar, depara-se com o quesito de mudar o “status” de relacionamento nas redes sociais, que se tornou uma espécie de termômetro do amor, o que é absolutamente irreal. O que escrever? Terminar a amizade com o ex? Deixar de seguir? Apagar as fotos ou não? Assumir uma nova relação?


Para quem viveu uma longa história com alguém, aconselho esperar um pouco, digo alguns meses mesmo, para propagar o seu novo estado civil, afinal, a separação pode ser momentânea, uma crise conjugal superável. Nada que o tempo não se encarregue de resolver.

Ninguém precisa terminar a amizade, a não ser, é claro, em casos de separação por razões graves, por exemplo, violência doméstica. Só quem pode mensurar a gravidade dos motivos que levaram ao término da relação é quem viveu o relacionamento. Vamos prezar pelo equilíbrio. Atitudes impulsivas podem engendrar mágoas desnecessárias.

Alguém que sai muito magoado de uma união talvez precise do contato zero para reconstruir-se emocionalmente e superar traumas. Neste caso, pode optar pelas opções mais discretas, disponibilizadas por algumas mídias sociais, como ocultar o relacionamento ou deixar de seguir. O tempo é, sem sombra de dúvida, um santo remédio.

Apagar as fotos não vai apagar a história do casal. É preciso falar em equilíbrio novamente. Pensar sobre um namoro curto ou um longo romance vai ajudar a decidir sobre deletar as imagens. Uma aventura efêmera ou amor? Há filhos envolvidos? O melhor a fazer é não apagar tudo de uma vez, mesmo tenhamos e certeza de que jamais estaremos novamente com aquela pessoa.

Quem já tem um novo relacionamento precisa tomar muito cuidado. Assumi-lo publicamente pode dar a impressão de negação da história anterior, ou mesmo, de autoafirmação. Na tentativa de expor publicamente que superou o passado, pode-se comprometer o próprio futuro.

Em um momento tão delicado, é necessário ter bom senso. Trata-se de um trauma, exige o luto sim. Tudo o que não precisamos é de uma exposição midiática, dando conta de passo-a-passo da nossa vida íntima. No fim das contas, trata-se de conviver com as próprias decisões.


Flavia Abreu é professora, blogueira e escritora.

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