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História de São Gonçalo contada através de cordel


Erick Bernardes e Zé Salvador se reuniram para montar uma série de cordéis que falarão sobre a cidade de São Gonçalo – Rio de Janeiro.


A escrita pode ser representada de diversas formas. Agora imagina quando a prosa e o verso se encontram? Isto aconteceu, e com um encontro de grandes escritores. Erick Bernardes e Zé Salvador se reuniram para montar uma série de cordéis que falarão sobre a cidade de São Gonçalo – Rio de Janeiro.

O projeto nasceu da iniciativa do cordelista Zé Salvador, que tomou conhecimento do trabalho do prosador Erick Bernardes – colunista do Jornal Daki, onde escreve crônicas sobre a cidade.

Em seu segundo trabalho juntos, Erick e Zé falaram sobre a Ilha do Sol, lugar que foi palco da vida e da morte da dançarina Luz Del Fuego.

Trecho de O Caso da ilha: A vida e ea morte de Luz del Fuego, publicado no Jornal Daki. A íntegra você pode ler aqui.

Seria um bom trecho de música, se tudo não houvesse acontecido algum tempo atrás na Ilha do Sol. Pois é, inevitável reconhecer que o destino quis dar a São Gonçalo um enredo triste. Uma pena mesmo, lacuna aberta na alma da cidade, malvadeza cometida aqui e transformada em lembrança quase apagada.

Bem, trata-se da morte de uma das mulheres mais ousadas da história nacional. Sim, infelizmente, foi às margens da Praia da Luz onde o caso aconteceu. Alguém assassinou a imponente Dora Vivacqua, mais conhecida pelo nome artístico de Luz del Fuego. Sim, crime mesmo, a artista performática cismava em dançar com serpentes amestradas. Adorava vestir-se para espetáculos de palco em trajes típicos da personagem Cleópatra. Porém, não chegou ao topo do sucesso tão planejado, pois a inveja fez questão de mostrar seu lado sombrio. Arrancaram a vida da dançarina, mataram-na e jogaram o corpo na água.

Trecho do cordel da Ilha do Sol:

Mudou pra Ilha do Sol lá pelos anos sessenta na época longe dos palcos Luz passava dos quarenta. e se dedicando a ilha dificuldades enfrenta.

Nos homens mais influentes não mais desperta interesse; na escada dos desejos, é igual se ela descesse os degraus sem corrimão e ninguém lhe protegesse.

Deusa, Afrodite, do amor, da beleza, dos prazeres e do pecado carnal; pensaste um dia fazeres tua natural Pasárgada, sem, a nadinha, temeres.

Se apresentou natural com a ilusão mais concreta, se fez, íntima de Gaia, e nem pensou ser discreta seguindo o seu coração foi inteira, foi completa.

Não chamou nosso Bandeira, tampouco Ciro II (segundo) da Pérsia um imperador, pra construir o seu mundo; fez tudo à sua maneira o desejo flui fecundo.

Sua fuga em direção a esse bucólico intimista – um arcadismo rural – se um dia a fez elitista; só a tornou verdadeira pecando proselitista.

Essa história que ora conto Nem tão concisa a abordagem; é para esclarecer fatos não pra queimar sua imagem, foi contada por jornais na época em reportagem.

Seria uma boa música mesmo não sendo um escol, igual àquelas ‘chicletes’, tendo o seu sucesso em prol, se a morte não visitasse a bonita Ilha do Sol.

Para Erick Bernardes: “Confesso que foi mesmo uma surpresa pra mim o convite do Zé Salvador. Quando me fez a proposta de tocar o projeto de cordéis que falassem de São Gonçalo, eu gostei muito. Primeiro, porque eu sou leitor e admirador da literatura do Zé Salvador, em segundo lugar, devido ao caráter educativo que o projeto traz em seu bojo. Na hora aceitei. As crônicas do Jornal Daki serviram de tema, eu refiz os textos pensando na cadeia melódica e, como isso, ficaria mais poético quando metrificado pelo Zé Salvador. Eu considero o Zé um gênio, ele ultrapassou as minhas expectativas e até tocou em pontos temáticos que eu nem havia elaborado. Seguramente uma honra participar com ele disso tudo, é uma escola de poesia essa nossa parceria”.

“A ideia surgiu de uma conversa que tivemos, eu (Zé Salvador) e Erick, na reunião do Diário da Poesia. Como eu pretendia escrever alguma coisa sobre São Gonçalo, veio a calhar usar as crônicas do Erick anteriormente escritas para o Jornal Daki, eu gostei muito. Então começamos com a série São Gonçalo em cordel, que fala de lugares pitorescos abandonados, desaparecidos ou esquecidos pela história oficial. O primeiro é sobre a Ilha de Itaoca, o segundo é sobre a Ilha do Sol, ficando a dançarina e vedete Luz del Fuego em destaque. A nossa pretensão é fazer uma série de dozes cordéis. O próximo é sobre a segunda corrida automobilística no Brasil, que aconteceu em Neves, São Gonçalo. Como somos nós mesmos que arcamos com os custos, ficaremos apenas com a ideia de doze temas. No entanto, se conseguirmos algum apoio financeiro, é bem possível que tornemos esse projeto um longo percurso de publicações sobre nosso município” – conclui Zé Salvador.

Um trabalho digno de gigantes da literatura. Vale a pena conferir o tom descritivo de Erick Bernardes com o toque das rimas de Zé Salvador. Com certeza desta união sairá trabalhos incríveis.

É necessário falar de São Gonçalo, mostrar ao seu povo que aqui existe história – e que história! Valorize, leia! A história de um povo está na produção literária que ela gera, e a mesma só se mantem viva quando é lida.

Quem quiser saber o resultado final do trabalho, basta entrar em contato direto com eles pelo WhatsApp ou e-mail. Seguem os contatos: Erick (e-mail: ergalharti@hotmail.com, cel e WhatsApp: (21) 98571-9114, ou pelo site https://escritorerick.weebly.com) e Zé Salvador (e-mail: zesalvador06@gmail.com, cel e WhatsApp: (21) 98027-4279, site: http://grilloamestrado.blogspot.com.br)

Texto publicado originalmente no site do Diário da Poesia.

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