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Zé Salvador: "São Gonçalo me recebeu e me acolhe até hoje com dignidade"



Não é segredo para o leitor que o nosso colunista e resenhista literário Erick Bernardes montou um projeto pra lá de bacana com o escritor, poeta e cordelista cearense Zé Salvador. Veja aqui.

A dupla compõe a quatro mãos a história da cidade em forma do brasileiríssimo cordel. No ensejo dessa parceria, batemos um papo com o Zé: "E se houver apoio (quem sabe?) vamos 'encompridar' este projeto. Tomara!

O que te motiva a escrever sonetos e cordel, já que são textos dos mais difíceis de compor?

Bom, gosto de desafios, desde cedo eu escrevo. Antes eu escrevia ao correr da pena; como eu cresci lendo cordel, e, diga-se de passagem, os grandes cordelistas, como Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athayde Patativa do Assaré e vários outros grandes (quando já estava morando no estado do Rio), li cordelistas como Azulão, Gonçalo Ferreira da Silva e muitos outros da atualidade com os quais eu convivo na ABLC (Academia Brasileira de Cordel da qual eu faço parte como convidado), e isso aperfeiçoou minha escrita. Porém não restrinjo minhas leituras a cordéis, e, lendo os grandes poetas, conheci o soneto através de Augusto dos Anjos e Olavo Bilac, li outros grandes sonetistas, como Camões, Humberto de Campos e vários do Parnasianismo. Me apaixonei pelas formas fixas, nas quais viajo com uma certa facilidade.

O que é a poesia pra você? Pode nos falar da sua relação com essa arte literária?

Sou autodidata. Mas desde criança convivo com livros. Meu pai era um leitor assíduo, apesar de também não ter frequentado salas de aula com tanta frequência. Mas lia muito, e na minha cidade tinha uma sala, com livros, nas dependências da prefeitura, e meu pai tinha acesso, por conseguinte, eu também frequentava esta sala quando dava, e procurava ler sempre os poetas, seguindo o gosto do meu pai. Por sua causa li Guerra Junqueiro, Padre Antônio Tomás, Augusto dos Anjos, Almeida Garret, e (por minha conta) li muitos clássicos: Dante, Camões e por ai vai. Nessa época comecei a escrever, mas nem sabia que estava escrevendo poesia, só fui descobrir, quando estudava no liceu, e comecei a guardar algumas dessas. Em resumo, afirmo que a poesia pra mim é vida, escrevo desde esse tempo, e, agora que estou aposentado escrevo diariamente.

Qual o seu atual projeto? Em que medida São Gonçalo te interessa como tema?

Meu atual projeto... São vários, além de um novo livro de sonetos que já tem material; só falta escolher os sonetos, selecioná-los. Tenho sobre minha bancada vários cordéis em andamento, apesar de ter alguns parados há meses, pois priorizo neste momento o projeto que está em andamento com o escritor e cronista Erick Bernardes, no intuito de falar de São Gonçalo em cordel. Com esse trabalho, uso as crônicas do Erick como argumento, enfatizo pontos pitorescos que tiveram outrora certa relevância, e que agora estão abandonados ou esquecidos nas periferias e até na área urbana da nossa São Gonçalo. Digo “nossa” porque moro há quarenta e dois anos nesta cidade que me recebeu e me acolhe até hoje com dignidade. Meu interesse é antigo, parto do princípio de que a cidade é rica culturalmente, apesar de que pouco divulgada é a sua história. Era um sonho meu mostrar esses pontos. E se houver apoio (quem sabe?) vamos “encompridar” este projeto.

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