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Gabriel Engel: 'O mundo da arte é cheio de gente com verdades absolutas'


O Jornal Daki e o Diário da Poesia apresentam o jovem ator, diretor e professor de Teatro Gabriel Engel, gonçalense que sabe bem as dores e delícias de trabalhar com arte e cultura no Brasil. É difícil, mas como mesmo diz, o amor ao que faz é o seu combustível, o que o move.

Quem fez essa bela entrevista foi o coordenador do Diário, o também professor e poeta Renato Cardoso. Vamos?


Apresente-se.

Sou ator, diretor da Phoenix cia. de teatro, autor dos espetáculos “Hotel Milionário” e “Retratos do avesso” e professor de teatro na Oficina de Teatro Gabriel Engel, em São Gonçalo.

Você é ator. Quando você descobriu seu dom para arte cênica?

Sempre fui uma criança muito criativa e artística mesmo que muito tímida e retraída, no meu próprio mundo criava histórias, brincava com os amigos criando personagens, já escrevia desde pequeno e sentia muita vontade de um dia viver isso tudo… Não achava que era possível, pensava que era algo muito distante da minha realidade mas alguns processos na adolescência ajudaram que eu fosse em busca do meu primeiro curso de teatro, o incentivo da escola e de alguns professores que percebiam o lance da criatividade foram fatores determinantes…

Quem foi sua maior inspiração?

Que pergunta difícil, eu nunca tive uma grande inspiração para a carreira antes de mergulhar nela, sempre foi algo meu comigo mesmo, minha família sempre me inspirou pelo caráter e força, mas nunca tive uma referência artística por perto e nunca fui de idolatrar artistas conhecidos. Algumas inspirações foram surgidos depois de já atuante da área, dentro dos estudos, muitos dos teatrólogos famosos me inspiram, cada um com seu método inovador e único. Hoje em dia, pessoas que saíram de lugares como eu e chegaram a um sucesso profissional estável dentro da área também me inspiram, como Frederico Reder por exemplo, que morava no mesmo bairro que eu aqui em São Gonçalo, que sempre via quando eu era criança e hoje é dono de um dos maiores teatros do Rio de janeiro (Teatro Net Rio), além de diretor conceituado de espetáculos musicais.

Além de ator, você também é diretor. Como é ser diretor tão jovem?

No trabalho de direção não sinto muita diferença em relação à idade, consigo desempenhar bem o meu papel com grandes e pequenas equipes, sou muito determinado e perfeccionista em meus trabalhos, processos criativos e acredito que a idade acabe não sendo um fator determinante, as vezes acontece de por falta de algumas vivências precisar estudar e pesquisar mais, mas isso não é um problema.


Quais são as barreiras e facilidades?

Algumas barreiras que enfrento por conta da idade é não ser levado a sério de cara, na maioria das vezes preciso provar meu trabalho para ser visto com bons olhos… Não é sempre, mas de vez em quando, em reuniões marcadas para fechar produções por exemplo, da para sentir que a pessoa não está levando a sério, que a aparência fala mais alto, diferentemente quando envio o projeto (criado por mim) por e-mail, a coisa muda. Acredito que de facilidade, talvez a disponibilidade em aprender, em estar sempre aberto a visões novas e espero me conservar assim, mesmo com mais idade. O mundo da arte está cheio de pessoas com verdades absolutas, que se acham a última bolacha do pacote, que acham que não tem para onde aprender mais, acredito que o tempo pode ter trazido essa arrogância, para mim existe troca a todo momento, eu aprendo com meus alunos.

Sabemos que a cultura no Brasil é relegada a último plano. Como tem sido a vida de ator e produtor com relação a recursos para realização dos projetos?!


Na maioria das vezes desanimadora, o artista faz arte para sobreviver, porque é o que te move, como um combustível, para um artista pobre nascido e criado em São Gonçalo, todas as portas fechadas, me vi nessa posição e resolvi criar as minhas próprias portas. Eu e outros artistas do país vivemos correndo, trabalhando em mil situações para sobreviver, os tempos estão cada vez mais difíceis para nós, mas a dificuldade nos da força, para usar a nossa voz e fazer a diferença, para lutar por algo melhor… Espero que um dia possamos apenas lutar por melhorias e não pelo mínimo que uma classe merece ter! Estamos resistindo.

Você escreve as peças em que atua. Como acontece o processo?!

Não há um processo, até eu me assusto com a minha criatividade, talvez seja a minha maior qualidade… Eu crio sobre tudo, o tempo todo, minha mente não para e às vezes, mesmo sem me inspirar em algo as ideias surgem, corro para o computador e escrevo, em situações inusitadas também acontecem, no ônibus, no meio da noite, na academia… Eu amo escrever e escrevo histórias desde que me entendo por gente!

O que prefere teatro ou TV? Por quê?

Eu nunca trabalhei com TV, então talvez seja difícil dar uma opinião, já fiz algumas web-séries e é o mais próximo que já cheguei de uma câmera, não senti o mesmo que com o teatro, o teatro é mágico, é emoção pura, é troca no momento exato com a plateia… Talvez na TV não tenhamos isso, mas tem todo um leque de prós e contras. Como por exemplo a exposição que é ruim até certo ponto, mas abre muitas portas, a boa remuneração e maior reconhecimento são alguns dos prós, nunca corri atrás de nada voltado para a TV porque nunca me senti atraído por ela, mas não é algo que diria que nunca faria, deixo para projetos futuros.

Planos para o futuro e contatos!

Eu pretendo continuar com a minha Oficina de Teatro em São Gonçalo, encontrei o novo amor que é compartilhar meus conhecimentos. Lá é onde sinto que posso criar com mais liberdade, tenho experimentado e crescido muito exercendo essa outra forma da minha profissão e pretendo investir ainda mais nos próximos anos, continuar escrevendo e montando meus espetáculos também estão nos planos, além de continuar buscando aperfeiçoamentos como ator, diretor e professor de teatro, quero continuar estudando e pesquisando porque o estudo nunca para! Gostaria de focar no meu lado ator e professor e deixar o diretor um pouco de lado, estou com vontade de conhecer novas companhias, ter novas trocas e conhecer outras formas de trabalho. Contato: @gabrielengelg (Instagram) / gabrielengelg@gmail.com (e-mail)



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