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Conversa aberta, por Fábio Rodrigo



Gustavo cursa Jornalismo em uma grande universidade situada na capital do Rio de Janeiro. Mora em um pequeno apartamento próximo ao campus universitário junto com Ralfh, um jovem estudante de Direito. Ambos são de família do interior do Estado e se conheceram lá mesmo na universidade. Decidiram rachar um pequeno apartamento a fim de evitar custos altíssimos de transporte.

Durante as férias, Gustavo retornou à sua cidade natal para rever sua família. Numa destas conversas com seu pai, disse abertamente:

‒ Pai, preciso te comunicar algo muito importante.

‒ Já sei. Vai me dizer que está namorando? Está apaixonado por uma garotinha lá da faculdade, né? Como que ela é? Loura? Morena? Fala pra mim! Hein? Hein? – disse o pai bastante entusiasmado em querer saber as novidades de seu filho.

‒ Não, Pai. Não é nada disso.

Ao perceber o tom sério da conversa, o pai demonstrou preocupação com o filho:

‒ Não é isso? Então... está precisando de grana? Eu ajudo... sem problema. Quanto você precisa?

‒ Pai, eu não estou precisando de dinheiro...


‒ Eu sei que é difícil bancar o aluguel, a alimentação... tudo isso tem um custo... Como você está se alimentando? Não está devendo o aluguel não, né? Você e o... o.... Como é mesmo o nome daquele seu amigo?

‒ Ralfh.

‒ Isso. O Ralfh. Vocês estão conseguindo se manter bem?

‒ Sim, Pai. Estamos sim. Pode ficar despreocupado quanto a isso. O que eu preciso te dizer é que eu e o Ralfh...

O pai imediatamente mudou o semblante, percebeu que havia algo novo no ar:

‒ Não. Não acredito. Você vai dizer pra mim que você e o Ralfh...

‒ É isso mesmo que o senhor está pensando.

‒ Que cabeça a minha?!!!!! Você falou que iria fazer uma prova de inglês de nível internacional. Junto com o Ralfh. Então vocês passaram na tal prova de inglês? Meu Deus, como posso ter esquecido disto. Meus parabéns, meu filho!!!! Estou muito feliz por você!!! – e deu um abraço apertado e emocionado em seu filho.

Gustavo foi pego de surpresa com a lembrança repentina do seu pai. Afinal, o próprio Gustavo já havia se esquecido de sua aprovação no exame. Recebeu o abraço de seu pai e, sem qualquer animação, agradeceu a ele. Gustavo provou que, em qualquer diálogo, às vezes o sucesso da comunicação está em fazer com que o interlocutor se sinta satisfeito, mesmo que não seja esta a sua real intenção comunicativa.


Fábio Rodrigo Gomes da Costa é professor e mestre em Estudos Linguísticos.


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