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Porto Velho fará ato ecumênico em memória das vítimas de chacina neste domingo


É preciso reagir à barbárie, à violência e à insegurança.

Moradores do bairro Porto Velho, em São Gonçalo, onde ocorreu a chacina que vitimou de morte, no último domingo (26), quatro pessoas e deixou mais sete baleadas - duas em estado grave - organizam um ato religioso ecumênico em homenagem aos mortos e em apelo à paz.

A manifestação ocorrerá no Campo da Brahma, local da tragédia, às 9 horas da manhã.

Lideranças católicas, evangélicas e espíritas se irmanarão em orações numa cerimônia aberta aos moradores. Todos são convocados a irem de branco, com bolas de ar e flores a dar um grande abraço simbólico na localidade que é o último reduto de lazer e convivência no bairro, que há anos vem sofrendo com a insegurança e uma série de assaltos diários a pedestres e a comerciantes.

Segundo os organizadores, o evento é exclusivamente comunitário.

Do Jornal Daki impresso:

POR QUE FIZERAM ISSO COM A GENTE?


Janete Santos, Valdir Pinto Sobrinho, José Luis Caetano e Fábio Rosa de Sousa foram brutal e covardemente assassinados. O atentado a eles foi um atentado a todos nós

População exige elucidação imediata de chacina no PV

Eram quase sete horas da noite.

O Flamengo, momentos antes, tinha acabado de virar nos acréscimos pra cima do Atlético Paranaense no Maracanã: 3x2. A imensa massa rubro-negra no Porto Velho urrava de alegria. Os fogos quase entravam pelas janelas das casas. Só festa e zueira.

No tradicional Bar do Jacaré, na rua João Damasceno, Campo da Brahma, os amigos que se reúnem há 30 anos em confraternização dos domingos finalizam os serviços depois de mais uma tarde de futebol, cerveja, funk das antigas e a certeza de estar com quem gosta e confia.

Ao mesmo tempo, uma HB20 escura deixa a Ary Parreiras, pelo Supermaket, e pega a João Damasceno. Após o bar da Jô, o carro entra na comunidade Vila Esperança e contorna o campo. O motor e o escapamento modernos e silenciosos do carro não chamam a atenção. Ele se aproxima por trás do bar onde os amigos de longa data já se despedem. Segunda é dia de batente. Mãos em número e cores indefinidas saem pelas laterais do automóvel portando pistolas semi-automáticas de onde explode uma rajada de tiros.

Onze baleados.

Janete Santos, que comemorava o aniversário de casamento, cai no chão do bar, vizinho à sua casa, morta, atingida com tiros na cabeça e tórax. José Luis Caetano, o Pepe, professor de espanhol do ICBEU, tomba sem vida com sua camisa rubro-negra ainda mais rubra de sangue. As balas assassinas furam os corpos do compositor e sambista Valdir Pinto Sobrinho, o Valdir Papel, e de Fábio Sousa, o Caixote, que são socorridos, mas não resistem e morrem. Outros sete baleados são levados para o Pronto Socorro Central e o Hospital Alberto Torres, no Colubandê. Pelo menos dois seguem internados em estado crítico, inclusive o marido de Janete.

O crime bárbaro, que ceifou a vida de inocentes, chocou a população que cobra da Polícia e autoridades elucidação imediata, prisão e punição exemplar dos culpados. A chacina pode ferir de morte o último reduto de atividade comunitária do Porto Velho. O bairro, conhecido por ser festeiro e boêmio, hoje vive infeliz e com medo. 

Bandidos mataram com ‘cara limpa’

Policiais da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo (DHNISG) investigam se o crime teria sido motivado por um disputa entre traficantes e milicianos pelo controle do território. De acordo com testemunhas do crime, a tragédia poderia ter sido pior se os criminosos tivessem chegado ao local uma hora antes, já que havia um número maior de pessoas na confraternização, cerca de 50 pessoas, entre homens, mulheres e crianças.

- Nenhuma linha de investigação está descartada, mas um fato que chamou a nossa atenção foi dos criminosos não terem a mínima vontade do anonimato, já que não usaram capuz, balaclava, boné ou qualquer outro objeto que fizesse com que não fossem reconhecidos. Nesse momento, não temos como afirmar a motivação e nem os autores do crime, ainda é muito cedo. Vamos aguardar o desfecho da coleta de imagens e de depoimentos de testemunhas para conseguirmos desvendar esse caso - afirmou a delegada da especializada, Bárbara Lomba. A policial afirmou ainda que o roubo praticado minutos depois num bar próximo foi feito pelos mesmos criminosos que cometeram a chacina, possivelmente com a intenção de confundir a investigação da polícia.

A prefeitura de São Gonçalo decretou na segunda (27) luto oficial por três dias. A Porto da Pedra, também em luto, divulgou uma nota lamentando o falecimento das vítimas e do compositor da agremiação, Waldir Papel. Não houve aulas no ICBEU em memória do professor José Luis Caetano.

#CIDADE #SÃOGONÇALO #CHACINA #PORTOVELHO

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