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Análise de futebol, por Fábio Rodrigo



O programa de esportes líder de audiência na Tv entra no ar. O âncora saúda os telespectadores e apresenta os comentaristas que irão analisar os jogos de mais uma rodada do campeonato de futebol. E começa falando, claro, do time de maior torcida da cidade. Em seguida, passa a palavra a cada um dos analistas.

O comentarista 1 demonstra preocupação quanto ao rendimento do time, pois enfrentou equipes relativamente fracas até o momento e não apresentou um bom futebol. Foram quinze partidas, oito vitórias e sete derrotas.

O comentarista 2 afirmou que o retrospecto é favorável ao time, pois a equipe ganhou mais do que perdeu, independente de quem ele enfrentou. “O que importa é que o time venceu a maioria”, acrescentou.


Comentarista 1: “Mas perder sete dos quinze jogos é preocupante”, rebateu. “Se você considerar que, destas sete derrotas, quatro foram em casa, é algo para se preocupar sim. O time não rende bem em casa.”

Comentarista 2: “Mas quanto às oito vitórias, a maioria foi fora de casa, isto significa que o time tem jogado bem fora de seus domínios.”

Comentarista 1: “Mas destas oito vitórias, cinco foram contra times de menor investimento. E nas sete derrotas, o time levou a virada em cinco delas. A equipe até consegue abrir o placar, mas não sabe segurar a partida.”

Comentarista 2: “Nas oito vitórias conquistadas pela equipe, em seis o time marcou gols nos últimos quinze minutos da partida. E detalhe: Foram três vitórias com um jogador a menos em campo. Isso é algo a ser considerado, não acha? Se compararmos com as primeiras quinze partidas do ano passado, este início de ano é melhor, pois a equipe somou 24 pontos. No ano passado, nas quinze partidas iniciais, foram apenas seis vitórias, três empates e seis derrotas, ou seja, 21 pontos somados.”

Após ouvir as opiniões de cada um dos analistas, o âncora do programa se pronunciou: para ele, o time vem jogando mal e será campeão. Um paradoxo bem comum em se tratando de futebol. Os comentaristas perguntaram: “como chegou a tal conclusão? Que números mostram isso?”

Âncora: “Números? Mas que números? Não preciso de números. É apenas uma intuição que tenho.”

Os comentaristas se abstiveram de qualquer resposta. Não tinham como contra-argumentar. O silêncio tomou conta de todos. Percebendo que o assunto havia se esgotado, o âncora comunicou aos telespectadores a pausa para o intervalo comercial.


Fábio Rodrigo Gomes da Costa é professor e mestre em Estudos Linguísticos.


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