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O 'ceará-gonçalense' Ezequiel Alcântara, o cordel e suas fantásticas histórias


Ezequiel Alcântara Soares é de Reriutaba, Ceará, mais precisamente na comunidade de Riacho das Flores. Foi influenciado pelo avô e por alguns cordelistas cearenses. Recentemente despontou no meio cultural gonçalense recitando versos de poetas variados e também compondo os seus próprios poemas em sextilhas nos eventos do Diário da Poesia. Algumas conversas com o Ezequiel me foram suficientes para entender o futuro artista que se projeta nesse jovem aspirante à Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

O rapaz tem só 19 anos e já publicou os cordéis Ezequiel: o cangaceiro irmão de lampião e o recentíssimo A chegada de um alienígena no Brasil, discursou para o Presidente da Academia de Cordel, recitou de memória o martelo agalopado (o mais difícil dessa espécie poética) para o cantor Moraes Moreira, e caiu nas graças de nomes famosos do meio cultural. E é esse jovem que o Jornal Daki entrevista agora.


Ele, Ezequiel/Foto: Divulgação

Ezequiel, conte como você começou a se interessar pelo cordel e qual a relação da poesia com a sua vida?

Bem, lembro que, na escola, eu participava de várias apresentações de teatro, muitas delas tratavam do nordeste e de poesia. Eu recitava poemas e cordéis que garantiam ótimos aplausos. Com o tempo foram surgindo oportunidades em projetos da escola, daí pude desenvolver habilidades e aprender a escrever poesia, preferencialmente a literatura de cordel. Assim, embora eu tenha tomado muita pancada na vida, conheci pessoas que me deram apoio, incentivando que eu publicasse meu primeiro livreto de cordel, foi tanta satisfação, um reconhecimento pelo meu trabalho — algo que nunca imaginei. Um pouco adiante, a vida me deu mais uma de tantas rasteiras que tomei, tive que abandonar meu torrão da noite para o dia (devido a problemas familiares). E saí penando, passando até 3 dias viajando de ônibus rumo ao Rio de Janeiro, um mundo totalmente diferente do que vivi. É muita coisa que aconteceu, tanto lá quanto cá, que dariam um longo dia de conversa.

Você conseguiria resumir um pouco da sua carreira escolar e acadêmica?

Se fosse pra resumir, talvez eu dizer que sou uma colcha formadas por retalhos de luz e trevas costuradas pela vida. Mas, hoje, estou graduando Filosofia pela Universidade Federal Fluminense - UFF - Niterói, e vivo seguindo a vida como Deus quer. Até agora tenho morado no Jardim Catarina, em São Gonçalo, desde que vim para o RJ.

Como você ingressou na carreira de artista, em especial, cordelista?

Eu cheguei ao cordel por influência do meu avô Otávio Ferreira Soares, meu velho era só leitor, nunca escreveu cordel. Ele recitava cordéis antigos (chamados pelos mais antigos de “Romance” ou “Romanceiro”), eu ficava admirado com aquelas histórias. Com o tempo, apareceu na minha escola, lá no Riacho das Flores, Centro de Educação Rural - CERU, o projeto Mais Educação, que tinha aula sobre literatura de cordel, com a querida professora Cristiane. Depois do meu forte interesse por essa poesia, conheci o poeta e cordelista João Rodrigues Ferreira (esposo da professora Cristiane), naquela comunidade. Ele me propôs aprender a escrever cordel e metrificar as complicadas sílabas poéticas, passou uma tarde me ensinando. Graças a ele e esposa pude desenvolver talentos, começar saraus culturais, chegando até a publicação do meu cordel. São meus queridos mestres os dois que referi, dos quais guardo sempre história de carinho, mesmo separados pela distância.


Qual a sua relação com SG e com os escritores do município?

São Gonçalo é lar acolhedor de muitos nordestinos que para cá vieram em diásporas, em busca de melhoria de vida e conseguir sustento. Alguns tios meus (por parte de mãe) moram aqui há bastante tempo, e vieram trabalhar jovens, com seus 17/18 anos. Importante dizer que, quando vim morar aqui, foram esses mesmos tios que me deram auxílio.


Com relação aos escritores, o primeiro contato que tive foi em 2017 com o poeta Rodrigo Santos (do projeto FLUP e um dos idealizadores da (Uma) Noite na Taverna num projeto no colégio Adino Xavier, quando representei a querida escola Ciep 306 - Deputado David Quinderê (na qual entrei quando aqui cheguei em 2014 até me formar 2018). E, assim, conheci diversos estilos livres no fazer poesia. Depois, em 2018, arrisquei escrever poesia livre e concorri a um concurso de poesia pela internet. Lembro que fui classificado e meu texto publicado na antologia Agora Verão 2019, pela Editora Trevo. Usando também a internet descobri um evento de poesia e fiquei curioso pra participar, foi ai que conheci o Diário da Poesia, onde tive a oportunidade de declamar poemas meus e de conhecer pessoas excelentes.

Conheci, de forma tão simples e inesperada, o grande Zé Salvador, que se tornou um padrinho e um amigo pra mim. Incentivando a frequentar lugares onde podia me divulgar, além de me apresentar a grandes poetas e de me levar na Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC) que há muito ambicionava conhecer. Também conheci Renato Cardoso, pessoa que sempre dá oportunidade aos artistas, até pude publicar a poesia “Minha Amada” no portal do Diário da Poesia, e pude também ser entrevistado na Rádio Aliança. Além de conhecer uma figura interessante e amiga, um tal escritor Erick Bernardes e se encontra me entrevistando agora e é com ele mesmo finalizo (risos).

Encontre o Ezequiel no Facebook Aqui.


Ezequiel, Moraes Moreira e Erick Bernardes na Academia Brasileira de Literatura de Cordel/Foto: Divulgação


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