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A nobreza simbólica do amor no universo infantil de Luiza Moura

Por Erick Bernardes

O livro A pequena Flor-de-lis, o Beija-flor e o imenso amarElo, de Luiza Moura, é uma narrativa em terceira pessoa, voltada para crianças de diversas idades, e cuja natureza serve de pano de fundo para o contexto de fábula que alicerça o todo da obra.


Versada nas artes e nos campos sócio-cognitivos, a autora oferece ao público um quase poema em prosa, dado o caráter poético implícito em seus enunciados. Também, pudera, a própria escritora é poeta e, não raramente, publica seus poemas no Portal do Diário da Poesia, dentre outras mídias digitais.

Embora a obra em questão constitua uma narrativa direcionada ao público infantil, não há como não perceber a inteligente carga simbólica de que Luiza Moura se serve em seu enredo. Acrescido de ilustrações belíssimas de autoria de Fábio Haendel, suas páginas são compostas por um cromatismo alternante, ora majoritariamente sob fundo amarelo ora em azul celeste, pontuando em seus espaços com outros tons não menos importantes. Ademais, em vez de um protocolo de leitura voltado só para os jogos de palavras a que o gênero literário geralmente está ligado, a obra A pequena Flor-de-lis, o Beija-flor e o imenso amarElo articula elementos sobremaneira significativos, capazes de levar o leitor à reflexão — e isso sem perder de vistas o viés de simplicidade que a literatura infantil exige, obviamente. Refiro-me ao elemento lúdico, ao reflexivo, à cor-fundamento, segundo os quais se interligam ao vocábulo “amor”, por meio da evocação da nobreza de sentimento, a amorosidade. Há dois personagens protagonizando a cena e um outro mais oculto e inanimado na história: os dois primeiros, indicativos de nobreza, a flor-de-lis e o beija-flor e, o terceiro, representado pelo deserto, na cor amarela (o ouro), revelando assim o próprio “Elo” simbólico dessa colcha de tecidos finos minuciosamente composta por quem sabe bem o que faz.

A flor-de-lis, para quem não sabe, representa (dentre outras coisas), ao menos para o mundo ocidental, os vários núcleos dos estudos das letras. E isso se dá porque cada componente, pétalas, caule, cores, toda a sua floração evoca uma simbologia específica de língua e literatura. Por outro lado, tal procedimento estético e simbólico flerta com o clássico livro O pequeno príncipe, de Antoine de Saint Exupéry, mas o faz de modo inverso, para mostrar que a realeza subentendida no universo ficcional da criança, e em seu mundo diminuto, estaria para além do material, do palpável, das relações de poder.


Assim, o livro de Luiza Moura oferece ao leitor uma excelente história, cujo eixo narrativo conduz o leitor para uma lição de amor, amizade e cumplicidade. Você também está convidado a adentrar o universo infantil e sair recheado de fantasia. Leia A pequena Flor-de-lis, o Beija-flor e o imenso AmarElo, e se deixe debruçar sobre o horizonte encantado.



Erick Bernardes é Mestre em Estudos Literários pela FFP-UERJ, crítico literário, escritor e professor. Quem quiser entrar em contato, para assuntos profissionais, só procurar por cel.: (21) 98571-9114, por e-mail ergalharti@hotmail.com ou pelo site https://escritorerick.weebly.com/


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