A vacinação e os casos de Covid em São Gonçalo, por Dimas Gadelha


Foto: Agência Brasil/EBC
Foto: Agência Brasil/EBC

A vacinação no país começou - desnecessariamente atrasada, e agora sabemos porquê - no início de fevereiro a partir de uma “desobediência civil” do governador paulista João Dória, que bancou o início da imunização contra a Covid-19 com a CoronaVac, vacina desenvolvida e produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Isso já é História.



De lá para cá, se juntaram à Coronavac para dar fim à peste sanitária os imunizantes AstraZeneca (Oxford-Fiocruz), Pfizer e Jansen, esta última aplicada em dose única. Seis meses depois, temos 40% da população vacinada no país ao menos com a primeira dose, e pouco mais de 15% que completaram o ciclo de imunização com duas doses ou dose única (Jansen). Mesmo com porcentagem insuficiente de vacinados para se atingir a proteção coletiva ou imunidade de rebanho (70%), é nítida a queda CONSTANTE no número de mortes e internações em MÉDIA móvel em todo o Brasil. Sobre isso quero fazer um recorte no caso de São Gonçalo frente ao país.



Observando os gráficos abaixo, vemos tendência de queda de mortes no Brasil desde o início de julho, diferentemente de São Gonçalo, que registrou alta robusta no número de casos e no alto ficou estabilizado. No dia 04 de julho o município registrava quatro óbitos, 26 em investigação e 5.604 pessoas em quarentena. Só ontem (17), foram 15 óbitos, 61 em investigação e 5.310 em quarentena, com um ou mais sintomas de Covid. Houve melhora nos resultados entre 20/6 e 04/7, porém nos últimos 14 dias houve piora, mesmo com a aceleração etária da vacinação. Por quê?




Muito provavelmente esse fato acontece devido o município não ter atingido uma cobertura plena nos grupos de risco, bem como nas faixas etárias de maior risco e gravidade da COVID-19. Os dados reforçam que para termos uma tendência de queda de mortes aqui em São Gonçalo são necessárias estratégias que ampliem a cobertura vacinal nestes grupos o mais urgente possível. Atingir a cobertura vacinal plena destes grupos será uma vitória coletiva para toda cidade.


Aceitar a narrativa de que um grande número de goncalenses não se vacinou por opção própria é revelar desconhecimento sobre a realidade social da cidade. São necessárias estratégias de busca ativa deste público, descentralização dos pontos de vacinação, equipes itinerantes, facilitação de transporte e campanhas de promoção e estímulos à vacinação. Isso não pode ser uma bandeira política, mas uma urgência humana e sanitária para salvar vidas.



Acelerar a campanha através da antecipação da vacinação em faixa etárias menores, sem priorizar a expansão da cobertura vacinal dos grupos de risco, é equivocada pois deixa expostos e vulneráveis justamente aqueles que mais precisam de proteção, sobretudo em relação à nova variante Delta, muito mais agressiva e mortal. Se não houver um calendário planejado e em harmonia entre as diversas cidades da região metropolitana não conseguiremos ampliar a cobertura nos grupos de risco onde estão os maiores casos de mortes.



Promover antecipação de vacinas para jovens favorece, como amplamente visto e divulgado, a migração de pessoas de outras cidades buscando a vacina nos nossos postos, contribuindo para a falta de doses no nosso município, bem como interferindo na estatística real da cobertura de vacinação assim como dos demais municípios. Uma catástrofe do ponto de vista estratégico.


É claro que todos querem e devem se vacinar o mais rápido possível, porém apenas com planejamento, organização, estratégia e acima de tudo com tomadas de decisões coerentes e corretas que iremos conseguir vencer a epidemia e combater as mortes por ela causadas.

Dimas Gadelha é médico sanitarista, secretário de Gestão e Metas de Maricá e ex-secretário de Saúde de São Gonçalo.





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