Abin levanta os 'rolos' de Hang: de agiotagem a lavagem de dinheiro

Agência Brasileira de Inteligência enviou o relatório sobre o empresário bolsonarista à Casa Civil, ao alto comando do Exército, à Polícia Federal e já chegou às mãos de um senador da CPI da Covid


De Brasil 247

Hang, também conhecido como o véio da Havan
Hang, também conhecido como o véio da Havan

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) produziu um relatório de 15 páginas, em julho de 2020, apontando problemas e inconsistências na fortuna do empresário dono da Havan, Luciano Hang, um dos maiores apoiadores de Jair Bolsonaro. A agência enviou os papéis à Casa Civil, ao Comando do Exército e à Polícia Federal. O relatório já chegou às mãos de um senador da CPI da Covid. A informação foi publicada pelo portal Uol.


No documento elaborado pelo órgão vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo general Augusto Heleno, o empresário apareceu como um personagem que, a partir de 1997, passou a ter negócios com lisura questionável. "Sempre expandindo os negócios, sem sócios, sem investidores, sem endividamento e muitas vezes parecendo possuir uma fonte oculta de recursos, que não se explicaria apenas por sonegação fiscal e contrabando de artigos importados para lojas", afirmou o documento.


De acordo com a Abin, em 2000, uma estudante de economia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) não identificada no relatório produziu uma monografia sobre a competitividade das lojas Havan, "obtendo por meio de Luciano Hang acesso a dados contábeis da empresa".


A inteligência do governo destacou que, segundo o trabalho da aluna, o custo fixo mensal das lojas era "cinco vezes maior do que o faturamento" da empresa. Ou seja, em circunstâncias normais o empresário não teria como viabilizar o negócio.


"Este custo fixo relatado se referia ao estoque que equivaleria a 5 vezes o faturamento em um mês da rede de lojas e exigia alto capital de giro, demonstrando já nesta época a alta disponibilidade financeira de Hang", explicou.


O trabalho da estudante tinha um tópico intitulado "Havan Financeira". Sobre esta parte da tese, a Abin disse que, no início dos anos 2000, o bolsonarista passou a ter uma empresa de fomento mercantil, que fornecia empréstimos milionários. Segundo o relatório, era uma prática de "agiotagem", o que resultou em cobranças na Justiça. Só no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), 25 processos ainda estão ativos e são relacionados aos empréstimos de Hang.


"É de se supor que os empresários que procuravam Hang não estariam aptos a passar pelo crivo analítico de um banco de verdade, sujeitando-se a exposição de cobrança de juros acima do mercado e alienação de bens em garantia", disse o órgão governamental.


O departamento jurídico da Havan informou que "todas as empresas do senhor Luciano Hang estiveram e estão dentro da lei, submetidas a todas as regras de controle, de modo que jamais houve agiotagem ou lavagem de dinheiro". Também classificou o relatório da Abin como "fake news", já que "se houvesse qualquer documento, seria sigiloso e, portanto, inacessível pelo UOL".


A assessoria da Havan também informou que, "na hipótese de publicação, serão responsabilizados tanto o meio de comunicação que veiculou matéria, como o jornalista que a redigiu".


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