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Caça às Bruxas e o feminicídio, por Rafael Abreu


No início do século XV, houve uma grande perseguição às mulheres na Europa.


Organizada pela igreja e pela nobreza, iniciava-se ali, na era medieval, a chamada caça às bruxas.


Naquela época, eram tachadas de bruxas e feiticeiras toda e qualquer mulher que não se submetesse às regras e aos padrões daquela sociedade e que porventura praticassem algum tipo de alquimia e/ou ritual de cura.


A crença da época era de que as bruxas e os curandeiros recebiam auxílio de entidades sobrenaturais e por isso eram considerados satânicos pela igreja e pelo Papado.

Vale ressaltar que naquela época não havia medicina e as epidemias matavam milhares de pessoas na Europa. Eram essas mulheres que na maioria das vezes levavam as pessoas à cura com os seus rituais e/ou com as suas misturas de plantas medicinais e outras ervas.


Essas mulheres eram na sua maioria muito feias e possuíam algum tipo de deformidade física, ou eram muito belas ao ponto de levarem os nobres a desejá-las e "pecarem".


Estima-se que mais de 100 mil mulheres tenham sido mortas nesse período, de diferentes formas, uma mais brutal do que a outra.



Algumas eram enforcadas, outras guilhotinadas ou até mesmo queimadas vivas.

Toda essa brutalidade e covardia, era legitimada pela igreja e pela sociedade medieval e moderna.


Foi só a partir das influências iluministas no século XVII e XVIII, que a caça as bruxas teve fim, ou melhor, uma trégua.


Aos poucos, os intelectuais com ideais humanistas, começaram a se manifestar para acabar com os julgamentos. 


Entre os julgamentos mais famosos de bruxaria da história, estão os de North Berwick, na Escócia, e o famoso caso de Salem, nos Estados Unidos.


De lá pra cá é histórico e notório em diversas civilizações e culturas, que as mulheres sempre são as maiores vítimas de violência e abusos da sociedade. 


Sempre foram oprimidas e tiveram seus corpos e direitos violados.


Desde seus direitos mais básicos como o de ir e vir, de pensar, de expressar a sua opinião e a sua sexualidade livremente, de votar e até mesmo de escolher os seus próprios parceiros.

Em muitas culturas até os dias de hoje, também por culpa da religião, muitas mulheres ainda sofrem caladas embaixo de uma burca ou de um véu e são obrigadas a seguirem valores rigorosos em uma sociedade machista e patriarcal.


No Brasil de hoje, vemos um aumento elevado no número de Feminicídio no país. 


O Feminicídio é um crime de ódio baseado no gênero, amplamente definido como o assassinato de mulheres.

É importante demais categorizar todos os crimes contra as mulheres como Feminicídio e buscar leis e punições mais severas para este tipo de crime pois o que está em curso no Brasil tem nome e tem histórico.


Não é de hoje que essas atrocidades contra as mulheres vem acontecendo e na maioria dos casos a violência está dentro da própria casa.


Muitos homens ainda se sentem donos de suas companheiras e acabam descontando nelas todos os seus medos, angústias e frustrações. 


Toda essa covardia, opressão e preconceito contra as mulheres precisa ter um fim.


Afinal de contas, todo homem descende do ventre de uma mulher e qualquer tipo de violência contra a mulher é uma agressão e um desrespeito a origem da vida.


Eu sou Rafael Abreu, colunista Daki.

Rafael Abreu faz análises de conjuntura política nacional às quartas no Jornal Daki.


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