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O Capanga da Milícia, por Helcio Albano

Atualizado: Fev 16


O fenômeno bozoliro em 2018, segundo muita gente boa, se deu por um antipetismo ao mesmo tempo profundo e fabricado, unido a um sentimento antissistema ancorado em denúncias e escândalos cotidianos, amplificados pelas mídias afiadas e determinadas (Globo à frente) em semi-conluio ou conluio-inteiro com a Operação Lava Jato em Curitiba, como nos revelou o site The Intercept Brasil no ano passado.


Há, porém, diversas outras causas imbricadas e entrelaçadas, razões históricas bem objetivas que contribuíram solidariamente para esse fenômeno, mas sigamos por ora.


A maioria dos que votaram 17 na urna, para se diferenciar da banda insana eleitora do capitão, amenizava a tosquice bozoliana conhecida pela presença da milicada e do banqueiro demofóbico Paulo [Posto Ipiranga] Guedes no então provável governo.

Jornalões, sabidos comentaristas de TV, endossavam a tese e iam além: 'as instituições o deterão!', caso bozoliro avançasse além do novo establishment pós-golpe.


Pensavam os incautos que com eles o tosco adquiriria bons modos, e levariam o país à redenção e ao triunfo contra o mal e a corrupção. Amém!


Damares, o Astronauta Pontes e Moro, principalmente Moro, depois contribuiriam para sedimentar o autoengano dos [inocentes] sinceros que não viam à sua frente o óbvio ululante.


Depois de 1 ano e 2 meses, concreto e simbólico se impõem, e finalmente nos dão elementos para a formação de consciência baseada em conceitos mínimos do que é certo e errado. E desde sempre essa Coluninha vem a denunciar o Tosco e suas tosquices, portanto me declino a repeti-los.


O governo inteiro é um desastre, mas me atenho a um exemplo, o mais simbólico de todos.


Não é certo um juiz, Moro, até pouco 'heroi' inconteste da nação, silenciar sobre as ligações evidentes da famiglia bozoliro com a milícia. Só, e apenas isso, já seria suficiente para fazer ruir o moralismo troncho construído nos últimos 6 anos em torno de seu nome e de um novo Brasil, tão mitológico quanto as virtudes que constituíram esse governo.


Mas o marreco de Maringá vai além, muito além. Protege, advoga, atua, via Policia Federal, em favor do clã para fazer desaparecer os rastros de crimes vários, documentados, com nomes e sobrenomes, escravo de uma ambição que revela o seu caráter minúsculo.


Não à toa foi chamado de Capanga da Milícia pelo deputado Glauber Braga, em plena Câmara. Para registro perpétuo na História.


Quem insiste em apoiar esse governo não é mais inocente. É cúmplice.


Plus

O ex-capitão do Bope Adriano de Nóbrega, miliciano, assassino de aluguel, chefe do Escritório do Crime da Zona Oeste do Rio, agraciado duas vezes na Alerj por Flávio Bolsonaro, uma com a mais alta honraria da Casa, a Medalha Tiradentes, defendido com fervor por seu pai, Jair, da Tribuna da Câmara dos Deputados em 2005, filho e marido de duas servidoras do Gabinete do 01 quando deputado, acusadas de cometer 'rachadinhas' junto ao seu amigo do peito Fabricio Queiroz, investigado pelo Ministério Público do Rio, e também suspeito de ter participado de alguma forma do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson, foi morto por policiais após um cerco a um sítio pertencente a um vereador do PSL que envolveu mais de 70 agentes de segurança, do Rio e da Bahia.


A ação foi no domingo, 9, comandada pela Polícia Civil, sob o comando do governador Wilson Witzel.


Na semana anterior, Adriano havia sido retirado da lista dos 'mais procurados' da Polícia Federal, comandada pelo Marreco.


No dia seguinte à morte do ex-capitão miliciano, a perícia da Polícia Civil do Rio isenta os Bolsonaro de qualquer envolvimento no caso Vivendas da Barra, em episódio em que o porteiro depôs, 2 vezes, ter aberto o portão do condomínio para um dos assassinos de Marielle, Elcio Queiroz, a mando do 'Seu Jair'. Diz a perícia que a voz que liberou a entrada do Elcio Queiroz era do matador Ronie Lessa.


Grande Dia!

Bônus

O prefeito José Luiz Nanci, a quem muita gente chama de banana, teve uma atitude digna e corajosa ao se contrapor à venda da Cedae em reunião do Conselho Deliberativo da Região Metropolitana na última terça, 12.


Dos 19 votantes, apenas Nanci e Crivela rejeitaram o modelo de privatização apresentado pelo governador Wilson Witzel para entregar os serviços de distribuição de água e coleta de esgoto da Companhia à iniciativa privada.


Nanci sempre foi conceitualmente contra a privatização da Cedae.


Pelo modelo, 80% do arrecadado com a privatização ficaria com o estado e 15% seriam divididos igualmente entre os 64 municípios que são atendidos pela Cedae, que não teriam autonomia para explorar o serviço.


São Gonçalo e Rio são as cidades que possuem as duas unidades de tratamento que abastecem toda a região metropolitana (Imunana-Laranjal e Guandu). Acertadamente os prefeitos dessas duas cidades buscam compensações e contrapartidas maiores do estado.


Bônus Track

O desembargador Rogério de Oliveira Souza da 22ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, determinou que a Assembleia do Estado (Alerj) dê posse imediata aos deputados estaduais Chiquinho da Mangueira e Marcos Abrahão, afastados por decisão da própria Assembleia, em decorrência da Lava Jato.


Caso Abrahão reassuma o mandato, o que deve acontecer, Capitão Nelson (Avante) retorna ao seu posto de vereador. Isso leva a sua candidatura à prefeitura de São Gonçalo para dentro da Câmara.


Como um elefante na sala.

Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.



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