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'Centrismo' é derrota certa, por Helcio Albano


Muita gente tem me procurado pedindo uma análise do que virá em 2020, ano eleitoral, dada a minha vivência nos dois lados do balcão: ora como jornalista, ora como colaborador direto de algum projeto ou mandato político na cidade de São Gonçalo, meu locus de atuação.


Digo sinceramente que tudo que li, estudei e aprendi até 2018, nas áreas da análise e ciência políticas, não me servem hoje pra muita coisa, no sentido de fundamentar uma narrativa inteligível da realidade observável e sentida.


E não é pra tirar o corpo fora, é que realmente preciso me atualizar com o que vem sendo produzido, sobretudo na área da ciência comunicacional, incluindo aí comunicação digital, neurolinguística e seus impactos no receptor, seja no seu papel de cidadão, consumidor ou, o que nos importa, eleitor.


Porque ferramentas de comunicação direta e instantânea, como o WhatsApp, eliminam todos os filtros de conformidade social, sendo ao mesmo tempo um fenômeno individual, de grupos estanques e de massas, que se dinamiza longe de nossos olhos, antes treinados para observar processos de construção de realidades sensíveis que se sofisticaram ou que não existem mais.

O Bolsonarismo - e suas variantes no mundo - é a expressão maior disso. Passou batido aos olhos de quase a totalidade dos cientistas e de políticos experientes em 2018. E as investigações sobre o que ocorreu naquele ano ainda estão em andamento sem nenhuma conclusão definitiva, vide o caso Cambridge Analytica e as recentes revelações de sua ex-funcionária Brittany Kaiser.


O que constato hoje, porém, e muita gente boa deve concordar comigo, é que não vivemos mais um consenso em torno da defesa à racionalidade em nossas relações, daí a ascensão de movimentos reacionários que beiram o nazifascismo no mundo, sobejamente no Brasil, como vimos no caso Alvim, que deixou nu o governo em Brasília instalado. E que lá está, porque existe uma base social sólida. Não se iluda do contrário.


Desta feita, qualquer movimento eleitoral ‘centrista’ tende, não só a perder as eleições, como a legitimar e fortalecer esse estado de coisas.


A História nos ensina que a crise do [neo]liberalismo político e econômico - que nada mais é que a crise do próprio capitalismo - tensiona a democracia até o ponto de destruí-la. A ultra-direita, fascista, que não tolera a democracia, se vale disso. E, ao tomar o Estado, trabalha de modo ininterrupto para miná-la por dentro através de suas instituições.


Esse processo está em franco andamento. E deve ser parado imediatamente. E nós sabemos quem pode parar o fascismo. E não são os liberais, muito menos os centristas de composição. Todo o espectro de centro-direita será sugado e destruído pelo bolsonarismo.


Ou pelo bolsonarismo assimilado...


A saída, de novo, é pela esquerda, pela vida, pela civilização. Pela manutenção e ampliação do Estado Democrático de Direito.


E por tudo isso há de se ter coragem.


Plus

Isaac Ricalde (foto), presidente do PCdoB de São Gonçalo, começou 2020 com tudo e jogou a sua pré-candidatura à prefeitura do município na rua. Ou melhor, nas redes sociais.


Só nesta semana (21 e 22) Ricalde fez uma “live” no Facebook e concedeu uma entrevista (esclarecedora) à ótima Rádio Censura Livre, sediada no Rocha.


Mostrou segurança, firmeza e preparo do alto de seus 34 anos, e deu a entender que não espera nada de PT e PDT para formar um frente ampla na cidade, ao contrário do que vem ocorrendo com PSOL, que já tem conversas adiantadas para a criação de uma chapa única com o Prof. Josemar Carvalho.


A possibilidade de dobradinha entre comunistas e socialistas, independente de quem venha como cabeça de chapa, empolga a militância e oxigena a política gonçalense com a união legítima de um amplo campo progressista na cidade.


Bônus

Reunião tensa no dia 21/1, na sede do PDT no Rio de apresentação de Marlos ao partido. Um dia depois Randal soltou o textão/Foto: Facebook Henrique Porto

O neopedetista Randal Farah escreveu um longo texto em sua página no Facebook retirando seu time de campo, isto é, sua pré-candidatura a prefeito em São Gonçalo.


Com um “pote até aqui de mágoa”, como diz o cancioneiro, Farah agradeceu os apoiadores que disse ter dentro do PDT, nos movimentos sociais e coletivos, e expôs, segundo ele, a intervenção antidemocrática do seu correligionário de Niterói, Rodrigo Neves, em impor a candidatura do também agora neopedetista, Marlos Costa, no município.


A campanha começa a ficar animada.

Helcio Albano é jornalista e editor-chefe do Jornal Daki.



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