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Charles Martins: Um integrante muito especial, por Oswaldo Mendes


Charles/Acervo pessoal

Muitos caminhos te levam até o céu, o samba, o verdadeiro amor, a felicidade... A vida certamente não é uma receita de bolo. Livros de autoajuda, com as fórmulas mágicas de sucesso, enriquecem somente os autores.


As maiores experiências da vida nascem do nada e do nada desaparecem, mas deixam diversas marcas, positivas e também negativas e desse somatório de explosões de emoções, afetos (roubando de Felipe Filósofo) é definida uma vida. Se fugirmos desses acontecimentos que nos aparecem dia-a-dia estaremos colocando nossa vida sem tempero, sem experiência, vazia.


Não há receita para o amor. Não há receita de como se envolver com alguém, seja esse alguém com cpf ou cnpj. O principal é viver, e muito.


Charles Martins de Carvalho tem em sua bela história a marca do amor, empenho, responsabilidade.


Nascido em São Gonçalo em 1973, Charles teve sua indicação para ser entrevistado por detalhes que talvez passem desapercebidos pela maioria das pessoas, até em função da marca da invisibilidade - uma das marcas de grandes projetos sociais, como o Mundo do Samba. Alguns estão na mídia, mas a maioria em efeito golfinho - sobem ao topo e depois desaparecem, pois os conceitos de sucesso da grande mídia é diferente dos conceitos de sucesso das organizações sociais, onde não há o modelo vencedor e perdedor.


Ele vinha de uma peça de teatro da escola, Colégio Estadual Padre Manuel da Nobrega, na Brasilândia, a qual teve a apresentação na UERJ/São Gonçalo. Escolheram como tema o carnaval do início do século passado e em retorno teve um convite advindo de seus pais: Vamos ao Viradouro? É final de samba-enredo.


Charles nem gostava de samba. Era outubro de 1991. O ônibus de torcida parado em frente a casa do mesmo. E assim começa uma nova experiência na sua vida que o marcaria com grandes emoções.


O samba que estava na final parece que era do Elmo Borges. O enredo era “A magia da sorte”. Ao pisar foi arrebatamento. Amor à primeira vista. O que acontecia naquele corpo e cabeça? Lá enterrou o seu umbigo.


Já desfilou em Alas de Comunidade, em Alas particulares, foi Dirigente de Ala, Destaque da equipe de Paulo Robert e também em apresentações do GRES Viradouro em outras agremiações, teatros ou clubes. Também frequentou o Engenho da Rainha com o pessoal próximo a sua casa, Porto da Pedra, nas apresentações de sambas concorrentes com o saudoso Sirley, Elmo Borges, Mário Foca, Oswaldo Barba e outros.


Quando Lambel, Lelego e Jurair desenrolaram a bandeira do GRES Porto da Pedra veio o convite para participar da agremiação do seu bairro, mas de forma exclusivista, a escolha era obrigatória: Porto da Pedra ou Viradouro? Tiveram como resposta do Charles: sempre preferiu a Viradouro, mas nunca se negou a ajudar a qualquer que seja a agremiação. Este fato aconteceu no início dos anos 90.


O termo “desenrolar bandeira” significa, no Mundo do Samba, reativar a agremiação.


Se define como componente fanático e participante do Grupo Virashow para apresentações.


Nas eliminatórias de samba ele pega a sinopse, estuda, pega todos os sambas e conclui quais os sambas de que mais gosta e assim passa a defendê-los em quadra. Ele não torce para o amigo e sim para aquele samba que considera o melhor para a agremiação. Ele afirma que até a final tem sua opinião do que considera o melhor para a escola e ao ser definido o samba, seja lá qual for, ele caminha, com muito amor, com o mesmo. Esse modelo, ele iniciou em 1993 e assim o adota até nossos dias.


Trabalhou no Barracão da Viradouro de 1995 a 2000, de Aderecista a Chefe de Equipe. O Barracão é um sonho, afirma Charles. É ver o início, meio e fim. Ver tudo acontecer e participar integralmente do processo. Muito trabalho, mas compensado na Avenida.

O carnaval, desfile da escola de samba, é um grande teatro ao vivo com milhares de atores e autores.


Fora do carnaval, tem um trayller no Porto da Pedra, o qual é point de Sambistas, Sambeiros e outros tantos loucos. Atualmente espera ansiosamente o final da pandemia para voltar ao Samba, ao seu mundo maravilhoso.


Um torcedor fanático, um personagem maravilhoso chamado Charles.


Oswaldo Mendes é engenheiro.





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