Cinemas em São Gonçalo: um comparativo histórico, por Oswaldo Mendes


Cine Nanci, que ficava na Praça Luiz Palmier/Foto: Facebook São Gonçalo Antigo
Cine Nanci, que ficava na Praça Luiz Palmier/Foto: Facebook São Gonçalo Antigo

O Município de São Gonçalo, conforme dados do IBGE, em 2019, sua população era de um milhão e oitenta e quatro mil habitantes, perfazendo assim a densidade demográfica de 4.035 habitantes por quilometro quadrado, mas não era bem assim. A cidade cresceu muito e de forma desordenada.


Uma cidade que, em 1940, tinha 85.521 habitantes, em 1950, já cresceu para 127.27 habitantes; em 1960 passa para 244.614 habitantes; em 1965 para 329.74 habitantes e em 1970 com 430. 271 habitantes, utilizando-se como fonte de pesquisa, para tais afirmações, o artigo de Adalton Mendonça denominado “Mudança Social e transformações recentes na Economia Fluminense", assim como coletamos dados da página eletrônica do IBGE na data de hoje e também no link https://url.gratis/ylkCQ


São Gonçalo. Somos quantidade, mas quando seremos qualidade? Se olharmos em nossa volta, em nosso redor, o que se manteve vivo nos últimos cinquenta anos? Fora as coisas públicas e igrejas, quase nada conseguiu sobreviver. Perto da minha casa só a padaria. Tudo mudou. Causas naturais ou falta de gerenciamento mesmo?


Numa postagem na internet buscamos pesquisar a memória das pessoas e, neste post, participaram com contribuições o Compositor e Escritor Paulinho Freitas, a Professora Zélia Mendes, o Professor Marilson Brito, o Ativista Sidney Valle, a Jornalista Cecília Setubal, Marco André Santos, o Professor Augusto Rocha - também conhecido no Mundo do Samba como o Intérprete Torino - e a Teatróloga Nilda Mendes, onde se buscava lembrar dos cinemas da cidade de São Gonçalo.


Muitas contribuições vieram e dentre elas a de Jorge Souza, conhecido popularmente como Jorge Lambreta em função de um passo de samba que atualmente já não se pratica, integrante da Galeria da Velha Guarda da GRES Viradouro, Baluarte do Samba, o qual nos informou sobre cinema em Mutuaguaçu denominado São Pedro, Cine Paraíso e Santa Helena em Neves.


Sempre muito se falou da cidade com relação à Cultura, mas, apenas se falou e muito pouco, efetivamente, foi realizado e, quando alguém faz, há descontinuidade: Gestão tipo dente de serrote.


Na cidade há uma necessidade premente na busca, escrita e reescrita de sua história, uma vez que os dados, com o tempo, cada vez ficam mais difíceis e muitas das vezes desaparecem, só lembrando que as mídias só deixavam que se escrevessem aquilo que interessava a quem estivesse no Poder ou até mesmo por bloqueio de paradigma. Atualmente, há maior liberdade para escrita com as redes sociais, mas também para a manipulação de dados e fatos da verdade, como vemos com as famosas e danosas FAKE NEWS, os robôs e os algoritmos de sites, os quais enviam para as pessoas aquilo que elas querem ler. E daí as levam para a manipulação.


Uma das alternativas que a Sociedade Civil está tendo para combater aqueles que persistem em considerar que “tem que levar vantagem em tudo” ou “que os fins justificam os meios” é que eles não gostam de serem identificados e muito menos correlacionados com seus atos, daí sempre fazem às escondidas e o apoio financeiro é básico para continuarem com suas atividades; assim quando a empresa que apoia atos não democráticos é exposta ao público sobre quem e o que ele apoia, muitas vezes tem resultados positivos. O bolso é a parte mais sensível deste tipo de pessoa. Um desses sites que denuncia esses fatos é o “Sleeping Giants Brasil”


Cinemas que, outrora, funcionaram na cidade. E puxando pela memória nessa rápida pesquisa colaborativa, chegamos aos nomes dos cinemas Vera Cruz, Floresta, Santa Maria, Nanci, São José, Carioca, Mutuá, Alcântara, São Jorge e o Nova Cidade que reabriu com o nome de Tamoio e, posteriormente, Vitória.


Depois, com a colaboração do Professor Rui Aniceto, do DCH da FFP-UERJ, tivemos acesso a uma lista de todos os cinemas da cidade até 1958, publicada na Revista Fluminense de Estatística, que inclui ainda os cines Santa Helena, Santa Catarina, Royal, Pavilhão Eldorado, Teatro São Pedro, Neves e Alcântara.


Atualmente temos salas de cinemas no Shopping São Gonçalo e no Partage.

Ainda foram citados um cinema que era do comerciante Zé Garoto, isto no início do século passado e também cinemas em Santa Izabel e Tribobó, ainda em pesquisa, ou seja, sem confirmação no ato desta publicação.


A quase totalidade dos cinemas acima referenciados viraram igrejas evangélicas, bem como como as casas noturnas onde se apresentavam shows na cidade como a I9. Com a dificuldade por que passam os clubes, como os, outrora potentes, Tamoio e Mauá, diversos deles fecharam as suas portas, como o Vila Lage e outros.


A cidade que era denominada nos anos 40 como Manchester Fluminense tinha como modelo um processo produtivo Fordista-Taylorista que se esgotou, mas a Cultura da cidade ainda fervilha. Artistas, extremamente competentes, nascem a cada minuto, mas não podem ser mortos pela incompetência gerencial.


Uma cidade que, atualmente, nem Plano Diretor possui, o que pode-se esperar? O último em vigor caducou em 21 de julho de 2019, pois não foi sequer revisado, conforme proposto no artigo 118 da Lei Complementar 01/2009, publicada em 22 de julho de 2009.


“Barco sem rumo não há vento favorável”, Sêneca.


“Quem não mede não gerencia”, Juran.


“Quem não sabe onde vai, qualquer caminho serve”, Porto.


Por mais cinemas, mais teatros – não superfaturados, mais casas de shows, mais estrutura para Artistas, por mais Cultura e História, grita São Gonçalo.

  1. Cine S. José - Zé Garoto.

  2. Cine Alcântara - AlCântara.

  3. Cine Nanci - Centro.

  4. Cine Neves - Neves.

  5. Cine Paraíso - Paraíso.

  6. Cine Floresta - Santa Catarina.

Oswaldo Mendes é engenheiro.





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