Conceição Evaristo batiza Sala de Leitura em São Gonçalo

Espaço foi criado no Castello Branco, no Boaçu

Prefeito José Luiz Nanci participou da inauguração/Foto: Divulgação
Prefeito José Luiz Nanci participou da inauguração/Foto: Divulgação

A Secretaria Municipal de Educação (Semed), em parceria com a ONG Afrotibo, inaugurou nesta quarta-feira (12), a Sala de Leitura Conceição Evaristo, instalada no Colégio Municipal Presidente Castello Branco, no Boaçu. Esta é a segunda de cinco salas que serão abertas à comunidade em São Gonçalo. 


A Sala de Leitura é uma forma de homenagear a escritora romancista, poeta e contista, Conceição Evaristo, celebrada como uma das maiores personalidades literárias brasileiras da atualidade, que esteve na cidade em 2019, no Festival Literário de São Gonçalo (Flisgo), como uma das principais palestrantes. Evaristo é um dos maiores símbolos na luta contra o racismo com reconhecimento internacional.


Para o prefeito José Luiz Nanci, a Sala de Leitura é um projeto que tem como objetivo estimular a comunidade ao hábito de leitura e escrita. Além desta e da Sala em Venda da Cruz, mais duas serão inauguradas no Salgueiro, e outra em endereço ainda a ser definido.


- O objetivo maior é formar cidadãos conscientes e estimular a relação entre as pessoas e entre as comunidades, através da escrita e da educação continuada. Um processo de desenvolvimento social e humano que tem como base três importantes fontes de trabalho: leitura, informação e cultura - ressalta o prefeito. 

O secretário da Educação, Maurício Nascimento, conta que o espaço tem como objetivo incentivar a leitura dos alunos do colégio e todos os moradores da região, podendo ser usado quando as atividades escolares voltarem a funcionar normalmente e será no mesmo horário do funcionamento da unidade escolar. 

- Neste primeiro momento, ela ficará fechada, porque as unidades escolares estão fechadas para o atendimento ao público, como forma de combate ao Covid-19. Mas, assim que as escolas voltarem a funcionar, a Sala de Leitura voltará a ficar aberta ao público - explicou Maurício. 

As salas também irão oferecer cursos de libra, canto, idiomas, vestibular social e outras atividades.

Durante a inauguração, a atriz e professora de teatro, Jéssica Barreto, fez uma apresentação de um esquete com base no conto intitulado Maria, de autoria de Conceição Evaristo, com o tema "Será que os meninos gostam de melão?".

As crianças ou adolescentes precisam estar matriculados em uma rede de ensino para que possa participar de todas as atividades que serão feitas na Sala de Leitura. Os cursos serão abertos à população. 

História

Conceição Evaristo/Foto: Divulgação
Conceição Evaristo/Foto: Divulgação

Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu em 29 de novembro de 1946, em Belo Horizonte (MG). Foi a segunda de nove irmãos. Teve a infância e a adolescência marcadas pela miséria, na extinta favela do Pendura Saia na região centro-sul da capital mineira. Trabalhou como babá e faxineira enquanto cursava os estudos secundários, aspirando à carreira de professora, mas quando concluiu o curso normal, não conseguiu emprego em Belo Horizonte.


Na época não havia concursos para professores em Minas Gerais, empregos só por indicação. Assim Conceiçao mudou-se em 1973 para o Rio de Janeiro, onde graduou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e seguiu carreira no magistério, lecionando na rede pública fluminense até se aposentar no ano de 2006. 


Sua estréia na literatura aconteceu em 1990, quando seis de seus poemas foram incluídos no volume 13 da coletânea Cadernos Negros, publicação literária periódica que teve início em 1978, com intuito de veicular a cultura e a produção escrita afro-brasileira, seja na forma de prosa ou na forma de poesia. Suas obras tem como matéria-prima literária a vivência das mulheres negras, suas principais protagonistas, com reflexão acerca das profundas desigualdades raciais brasileiras. Misturando realidade e ficção. Seus textos são valorosos retratos do cotidiano, instrumentos de denúncia das opressões raciais e de gênero, mas também se voltam para a recuperação das ancestralidade da negritude brasileira, propositalmente apagada pelos  portugueses durante os séculos em que perdurou o tráfico escravista.




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