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Construindo caminhos para a sustentabilidade, por Lourdes Brazil


Rua alagada no Salgueiro/Foto: Kiko Charret

A partir de hoje inicio minha colaboração, como colunista, no Jornal Daki. A cada 15 dias estarei aqui. Vou escrever sobre sustentabilidade urbana, com base em minha formação e experiência, adquirida em minhas andanças por mais de 20 países, participando de eventos, ministrando cursos e palestras e aprendendo. Sempre. Estou muito honrada com o convite e espero contribuir para o enfrentamento dos problemas socioambientais da nossa cidade, São Gonçalo. Não nasci aqui, mas me mudei para cá em 1986. Lá se vão 34 anos! Nesse tempo participei de algumas lutas, sobretudo relacionadas aos direitos das mulheres. Também acompanhei a luta de outras pessoas que almejam um cidade sustentável.


Apesar de toda mobilização, o município de São Gonçalo ainda apresenta uma série de insustentabilidades socioambientais. Essa situação é fruto do modelo de urbanização, baseado na segregação espacial e exclusão social, que vem sendo implementado no Brasil, desde o inicio do século XX, com a Reforma Pereira Passos.

Tal modelo fez com que várias cidades fossem ciadas: centrais, suburbanas, periféricas, sendo que cada uma delas tinha ocupantes, previamente destinados. As periferias, da qual São Gonçalo faz parte, juntamente com a Baixada Fluminense, Zona Oeste e outros locais, na região metropolitana do Rio de Janeiro foram destinados a classe trabalhadora, que os utilizariam para dormir, depois de grandes deslocamentos para os locais de trabalho. Daí o termo cidades-dormitório, utilizado por muitos anos.  


A história da urbanização mostra como essas cidades periféricas foram desenvolvidas a partir de loteamentos clandestinos, sem infraestrutura, a não ser o arruamento. Pessoas provenientes do êxodo rural, provocado pela desestruturação da agricultura; da desocupação de áreas centrais, em virtude de projetos de urbanização e da expulsão das favelas, nos anos 30/40 se acomodaram e foram construindo suas condições de reprodução em meio a falta de serviços e equipamentos urbanos. Um do aspectos mais críticos era a falta de serviços de saneamento.


Muitos desses locais também receberam indústrias poluentes, formando um quadro de degradação socioambiental que nos anos 80 atingiria índices dramáticos. Em São Gonçalo havia um alto índice de pessoas com hanseníase e a ocorrência de doenças provocadas por consumo de água contaminada.


Decorridos mais de 100 anos de urbanização, a situação em termos de saneamento continua precária, sobretudo em relação à coleta de tratamento de esgotos e coleta e destinação do lixo, provocando a degradação do ecossistema urbano de São Gonçalo, que hoje tem:


Destruição dos cursos d'água e nascentes

Destruição da vegetação

Poluição do ar

Contaminação do solo.

Ocorrência de diversas doenças


Superar essa situação é um grande desafio. Em diversos países há mobilização. Tenho participado de seminários e ministrado cursos de pequena duração em Angola sobre a temática planejamento urbano e sustentabilidade. Nesses eventos, profissioanais de diversas áreas tem discutidos estratégias. Fica a dica para nossa cidade.


***

Nota do editor: Lourdes Brazil viaja ao México no dia 12/2 onde será professora visitante no colégio Veracruzano, na cidade de Jalapa, estado de Vera Cruz, onde ministrará a disciplina Desenvolvimento Sustentável no Mestrado em Engenharia Ecológica. Estudantes da Universidade virão à São Gonçalo para estágio e troca de experiências no Instituto Gênesis.

Lourdes Brazil é Diretora do Centro de Educação Ambiental Gênesis, Mestre Doutora em Ecologia Social (UFRJ), Especialista em Planejamento Ambiental (UFF), Especialista em Metodologia do Ensino Superior (UFF), Bacharel em Ciências Econômicas (UFF).



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