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Coronavírus: Brasil dobra número de infectados em menos de um mês

Após flexibilização de medidas de isolamento vem aumento nas cifras, afirma médico


De Brasil de Fato

Cenas de bares cheios no Rio de Janeiro viraram símbolo da falta de cuidado com propagação do coronavírus - Reprodução

Nesta semana o Brasil ultrapassou a marca de 2 milhões de infectados pela covid-19 e a velocidade do crescimento da pandemia parece acompanhar cada vez mais as determinações de reabertura da economia. Desde que o primeiro caso foi registrado no país, foram necessários quase quatro meses para a confirmação de que a doença havia atingido um milhão de brasileiros. Depois disso, foram menos de 30 dias para que os números dobrassem.


O aumento no ritmo de contaminações também pode estar relacionado ao maior volume de testes. No entanto, proporcionalmente à população, a realização de exames no país ainda é considerada baixa. No início deste mês, a comparação com números levantados em outras nações pela Universidade de Oxford, mostrava o Brasil em 50º lugar no número de potenciais pacientes testados. Aliada ao enfraquecimento da quarentena, a falta de testes é considerada fator determinante para a propagação da doença.


Frente aos números, as afirmações de um eventual enfraquecimento da pandemia em solo brasileiro parecem cada vez menos factíveis. Usadas como fator para justificar medidas de relaxamento do isolamento social, elas não se confirmam quando confrontadas com os dados oficiais. Em entrevista para o boletim A Covid-19 na semana, o médico de família, Aristóteles Cardona, da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, afirma que analisar uma possível estabilização no Brasil, passa também por considerar as dimensões geográficas brasileiras.

“É até complicado a gente falar em número só representando o país inteiro. Mesmo que a gente queira trabalhar com uma média nacional e falar em estabilização, a gente está falando de uma estabilização lá no alto e uma estabilização relativa. A média de mortalidade no Brasil nos últimos sete dias já foi maior que a registrada nos últimos 14 dias. O Brasil levou quatro meses para chegar no primeiro milhão de infectados e agora somente em 27 dias teve mais um milhão! Dessa forma, quando é que vamos chegar ao terceiro milhão?”, questiona o especialista.


Aristóteles ressalta que, apesar do discurso de estabilização, as informações sobre a pandemia em diversos estados são altamente preocupantes. 


“A gente ainda vê muitos locais falando em colapso do sistema. Todos os estados do Sul estão apresentando crescimento. Estados do Centro-Oeste também, que não estavam apresentando números muito altos em um primeiro momento, estão apresentando agora: Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso. Minas Gerais, que no começo tinha um discurso de que estava lidando bem, agora não estão conseguindo esconder mais. Estamos longe dessa situação de estabilização ou de caminhada para a normalidade.”


Entre os dias 28 de junho e 4 de julho, o Brasil completou a terceira semana consecutiva com registro de mais de sete mil mortes por semana. Os dados da semana seguinte ainda não foram consolidados, mas a partir dos números registrados diariamente pelo Conselho Nacional de Secretarias de Saúde, a situação deve prevalecer e pode se agravar. Por outro lado, segundo Mapa Brasileiro da Covid, plataforma que acompanha entre outros dados, a taxa de isolamento social no país, até o momento, nenhum estado se aproximou ao 70% de isolamento, nível considerado ideal por especialistas. A média do país, correspondente à sexta-feira (17), é de 32,5%.


“Quando a gente fala isso, não estamos culpando o comércio, o comerciante, o trabalhador e a trabalhadora que vão lá trabalhar. Mas se a gente sabe que o vírus se favorece de ambientes de circulação de muitas pessoas e locais fechados, é lógico que uma reabertura vai permitir uma circulação maior do vírus e consequentemente uma maior contaminação. Certamente, a cada momento que a gente visualiza flexibilização, quinze dias depois a gente verifica números maiores.”


Após a semana de registros preocupantes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou os alertas feitos ao Brasil. Na sexta-feira, o diretor de emergências da instituição, Michael Ryan, afirmou que “até agora, em muitos países, incluindo o Brasil, o vírus está no comando, ele define as regras”. Segundo Ryan, o país tem uma janela de oportunidade para mudar a situação. Ele ressaltou que houve semanas com números relativamente estabilizados, mas até agora não há nenhum registro de queda nos números. 


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