Covid-19, mídia e a população negra: defeito de cor? Por Alberto Rodrigues


Já tem algumas semanas que a mídia televisiva e veículos de Comunicação Digital em todo o mundo trazem em suas chamadas de pautas títulos que apontam que os negros são os mais afetados pelo vírus da COVID-19. Esses meios afirmam que o vírus tem sido letal para a comunidade negra. 

Essas constatações me produzem certas indagações como: essas chamadas são as mais adequadas? O que querem dizer com essas mensagens, que para mim é bem subliminar, em apontar os negros como destaques? É uma questão "racial" ou social? O vírus tem escolhido pessoas de pele preta/negra ou pessoas, independente da cor da pele, em condições sociais precárias? Tudo isso não seria mais um desfecho da desigualdade social em todo o mundo? Será uma sugestão de um defeito de cor?

Não são as etnias que desenvolvem ou contribuem na transmissão do vírus, e sim a precariedade, a pobreza, a falta de saneamento básico e as mazelas sociais que proliferam de forma direta esse vírus. O início e foco da pandemia não se deu em países residentes por população majoritariamente preta. Só após se espalhar o vírus, onde os indivíduos de classe alta que foram agentes de contaminação, que os menos favorecidos começaram a sofrer os efeitos da pandemia.

Assim, é possível entender  que não é a cor da pele que deixa ou não às pessoas suscetíveis a vir a óbito por conta das complicações após o contágio da COVID-19 . Mas sim, a falta de condições para se prevenir de forma igualitária com os demais grupos sociais na luta contra o vírus. Fomos vítimas e não culpados.

Não devemos aceitar essas induções nessas chamadas das manchetes que colocam o ser humano de pele negra/preta como alvo exclusivo do vírus da COVID-19. Não podemos aceitar com normalidade falas escritas ou verbaliza das  de cunho racista, discriminatória, infame e tendenciosa,  pois tudo que os racistas precisam é de mais munições para potencializar e disseminar seu ódio gratuito. Será que não percebem a gravidade de tais gatilhos? 

Podem nos mencionar como um grupo que tem maior probabilidade em desenvolver as complicações e até mesmo em se contaminar por não conseguir manter ou atender de maneira cabal o isolamento e o distanciamento social por questões de sobrevivência. Nossa condição social imposta pela desigualdade sim, nos torna suscetível às complicações pelo contágio do vírus da COVID-19, e não nossa cor de pele.


Mas, por que não mudar as suas chamadas para: “Racismo Estrutural contribui para proliferação da COVID-19 - Desigualdade social, maior parceiro do COVID-19 em suas complicações - Contágio pelo o vírus da COVID-19  tem seu aliado, desigualdade social.” E assim denunciar os reais culpados pelo aumento do contágio.

A pandemia ocasionada pelo vírus da COVID-19 é mais um agente denunciador desse sistema Estrutural Racista mundial que usurpa o direito de milhares de pessoas que a cada dia estão mais expostas à letalidade desse vírus, assim como do racismo, da desigualdade social, ad discriminação e das mazelas sociais promovidas no mundo inteiro.

Contribuição de Felipe Moraes.

Alberto Rodrigues é produtor cultural, idealizador e coordenador do Festival Literário de São Gonçalo (Flisgo) e do Acesso Cultural.




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