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De pedra a telhado.... de vidro, por Oswaldo Mendes


Mapa de votação em São Gonçalo no segundo turno: Dimas Gadelha em tons avermelhados e Capitão Nelson em tons esverdeados/Reprodução

Há duas décadas os MBA’s eram novidade, as palavras GEO – Globalização, Empowerment e Orquestration faziam parte da moda e relatavam que, pessoas acima de quarenta anos, não mais participariam de um mercado promissor, que as empresas seriam nas residências.


Nessa mesma época, Agenda 21 já havia sido demonstrado, comprovadamente, ineficaz, aparecendo, assim, outras modelagens, como a redefinição em Sustentabilidade e GRI. Outras definições, já na lata do lixo da história, mas que ainda persistem nas cabeças e nomeações constantes como desenvolvimento econômico, que deixa de lado fatores como o Meio Ambiente e as pessoas(integrantes do Meio Ambiente).


A agenda 21 foi um dos desdobramentos da ECO 92, e que já teve diversas revisões. É o Ciclo de Deming na prática.


“Deveriam gerenciar o ambiente todo e não apenas o Meio Ambiente”. Já ouvimos essa frase na cidade.


Desde os tempos da ARENA – Aliança Renovadora Nacional, na cidade gerenciada pelo Grupo Lavoura - e MDB, com lideranças diversas, a cidade de São Gonçalo sempre teve, no mínimo, um deputado federal e um deputado estadual, isso com população muitas vezes menor do que a que temos atualmente. Hoje muito mudou.


Em face de diversas crises e o advento da ponte Rio-Niterói, o populismo, aqui implementado como marca básica, e o aceite para receber favelas de outras cidades, as quais foram para cá removidas, abandonadas por tudo e todos. A população do município explodiu sem nenhum controle e regras, mantendo-se assim com políticas permissivas.


Uma das poucas cidades que, mesmo banhadas pelo mar, tem sua igreja matriz no interior, e seu nome de ibirapitanga, os portos não funcionam(oficialmente). Transporte de massas já foi promessa e atualmente só decepção. Viva a Linha 3 e as barcas. Realidade é a Favela da Linha que dá lucro.


A gestão que ora se encerra no Poder Executivo da cidade, foi a única, que conhecemos, a qual não elegeu seu candidato oficial que fora indicado para o legislativo estadual, nem para a Câmara Federal. Note que citei candidato oficial. Será que tinha outros candidatos? Aí a história responderá.


São Gonçalo sempre elegeu dois deputados federais e de três a quatro deputados estaduais e agora, quem? Quem temos na estrutura de Poder? Quem colocará verbas aqui? Emendas parlamentares.


Somos quantitativo, mas a China também o é. Seria uma vantagem competitiva(leia-se Porter)?


Há uma regra bem clara para as eleições que não são repassadas para a população que é a relação onde, quem tem a prefeitura, elege os deputados(lembrem-se de máquina administrativa), porém, as pessoas que têm esses interesses diretos não aparecem. Ficam atrás do pano. Esse ano, diferente de todos os outros, apareceram. Todos. Eleição serve para analisar, discutir, votar e aprender.


Uma das coisas que a cidade precisa é de verbas(e gente que saiba gerenciar projetos .... de verdade) e, para tal, aparece a figura das emendas parlamentares, onde os interessados(O Rei está nu) na maioria das vezes não a faz para a cidade onde tem o controle do Executivo e ninguém coloca azeitona na empada dos outros. Mesmo assim, há diversas emendas para a cidade, realizadas por deputados desconhecidos pela população e que aqui não tem como base.


A cidade perdeu o “cavalo selado” ou o “trem da história” em diversas vezes, algumas nas urnas, traições políticas e outras por gestores néscios. Itaipu para Niterói, a história da Ilhas Fiscal e Redonda e a ALERJ, a fuga das fábricas e empresas da cidade são pontos que, na nossa visão, possam dar registro a esses posicionamentos. Nossos royalties indo para a lixeira por falta de visão política?


Quebra-molas instalados, em desacordo com as normas legais brasileiras, em cada rua; pontos de ônibus debaixo de semáforos, sem sincronismo; estacionamento irregular por toda a cidade e o passeio público ocupado pela incompetência gerencial que há muito nos conduz.

Sinceramente, nos parece que a Resolução CONTRAN 600/2016 não vale para a cidade. https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/22921408/do1-2016-05-27-resolucao-n-600-de-24-de-maio-de-2016-22921310


Assuntos como Meio Ambiente nunca foram o forte do município – ainda rastreando no modelo Fordista-Taylorista, culminando com a impermeabilização integral da cidade, sendo esses assuntos discutidos há décadas, dentre outros, no Nosso Jornal (Viva Rujany – jornalista de honra e méritos) nunca foram levados à sério. Causa e efeito, Ishikawa: em cada esquina uma mistura grotesca de esgoto, lama e águas pluviais. Mistura perfeita para doenças e alcance de baixa autoestima da população, a qual joga seu lixo em cada esquina. Aí o tal de Ishikawa de novo.


As árvores da cidade, plantadas por um dito “gestor”, debaixo de fio, eram para serem gerenciadas, mas um “sem cérebro” fez o que a população e empresas pediram: eliminou o mal, pois o mal vem da raiz.


Alguém se lembra da entrevista que um “gestor” afirmou sobre a palmeira imperial anã? Só em São Gonçalo lê-se isso.


Qual hospital público ou privado tem gestão de seus geradores e planos de emergência, SPDA atualizado ou brigada contra incêndio? Pode a pergunta ser repassada às escolas, clubes, empresas, condomínios, etc. A vida aqui é desprezada. É custo! Falta de visão sistêmica. Empurrar para debaixo do tapete. Gestão apaga-fogo.


Ah! Quem são os gestores? Além daqueles que têm formação específica em Administração. Há também pós-graduados em gestão e formações, mas muitos que não conseguem emprego na área de formação e, muitas vezes por necessidade, autointitulam como tal, daí vem os resultados que conhecemos e nele vivemos.


Notem qual local público ou privado que tem instalado um interruptor DR ou um DPS, onde o primeiro salva vidas para casos de “choques elétricos” e o segundo, para segurança de bens em casos de surtos? Qual? Nem nas residências, escolas ou creches. A vida vale muito pouco mesmo.


Dos diversos chefes do executivo municipal, por décadas, aparecem pós-eleições nomes de pessoas próximas que perduram na história da cidade e nas páginas policiais dos jornais, sendo que alguns enquadrados como imprensa marrom. De amantes, melhor amigo, filhos bastardos, irmão e esposa, muitas vezes, elege-se quem não tem o mínimo conhecimento de gestão, Gestão Pública. Daí abre-se um longo desfiladeiro entre o desconhecimento, a delegação de poderes e o futuro da cidade.


Quem delega poderes não delega responsabilidade”.


Há um caso que um ex-prefeito denunciou uma obra que uma universidade fez dentro de um corpo hídrico e aí iniciou outro inferno em sua vida. Outra passagem da cidade foi quando um prefeito não queria eleger seu sucessor e, a uma semana antes da eleição, demitiu setecentos colaboradores, ou seja, fogo quase amigo ou uma adequação da matéria da mãe de santo que também foi utilizada esse ano.


Num momento histórico onde um grupo político considera que as pessoas vão para as universidades para se drogar e que consideram que um deus irá qualificar a quem interessar, de detratrores é de total desconhecimento de coisas como Ciclo de Deming, 5S, 5W2H, Matriz SWOT, dentre outras. Pobre cidade sem “Plano Diretor”, pois mesmo avisados, não consideraram importante e deixaram caducar.


Acha que isso não é possível? Leia abaixo o artigo 118. Cidade sem Plano Diretor e sem nenhum responsável por isso.

https://leismunicipais.com.br/plano-diretor-sao-goncalo-rj


Um navio sem rumo, qualquer direção serve, pois não há vento favorável.


Uma cidade dividida por 44% da sua população votante que optaram em repetir o ato de um cidadão denominado Pôncio Pilatos - omissão e os outros cidadãos discutindo aquilo que lhes achavam o melhor. Na nossa visão, o resultado deve ser respeitado. É uma fotografia das necessidades de um grupo social majoritário que deverá ser implementado. Não discutiremos os meios e formas como aconteceu.


Já que a cidade que discute orgulhosamente a famigerada “Agenda 21” possa alguém olhe o que é “Economia Circular” e tenha chance de dar um salto tecnológico e não para o abismo.

Com exceção ao Ezequiel, e desde 1990, o executivo de São Gonçalo foi sepulcro para as lideranças.


A turma do silêncio da Câmara se renovará? Quem sempre foi pedra agora será telhado e passará do discurso à prática. Agora muitos sem a máscara, pois essa eleição foi esclarecedora, esperamos que aconteça o melhor para a cidade.

Oswaldo Mendes é engenheiro.



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