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Diário da quarentena: do Equador ao México, por Lourdes Brazil


Rua de Xalapa na quarentena/Foto: Lourdes Brazil

Saí do Brasil no dia 12 de fevereiro para cumprir uma agenda acadêmica até o dia 30 de abril. A primeira escala foi no Equador, na cidade de Riobamba para participar de um evento, sobre meio ambiente, no qual apresentei as contribuições do centro Gênesis para a construção da sustentabilidade. Foi uma semana de intensas atividades. Minha conferência foi uma das escolhidas para transmissão direta para a Espanha.


Um frio intenso e as recomendações relativas à violência local, em virtude da presença de muitos imigrantes, não me impediram de dar boas caminhadas para admirar a arquitetura e saborear alguns pratos.


Sai de Riobamba no dia 17 de fevereiro com destino ao México. Passei pela cidade de Guayaquil, permanecendo no aeroporto por mais de 5h. 15 dias depois quando a situação ficou séria na cidade, me dei conta do risco que corri, pois com certeza já havia pessoas contaminadas circulando, tanto em Guayaquil, como no aeroporto do Panamá, onde fiz escala e fiquei num pequeno espaço lotado de pessoas de várias partes do mundo.


Cheguei ao México no dia 18 de fevereiro e segui de ônibus para Xalapa, capital do estado de Veracruz. Vim para cumprir um contrato de professora visitante no colégio de Veracruz, exercendo atividades de docência e orientação no programa de pós graduação em Ingenieria ecológica e Desarrollo Regional Sostenible.


Comecei a trabalhar no dia 22.02 e no dia  27 veio a decretação da quarentena. Mesmo nesse curto espaço de tempo atuei em muitas frentes: conferências, entrevistas em rádios, jornais e TVs.


A princípio a quarentena seria até o final de abril, mas o "agravamento" da situação fez com que fosse prorrogado até 30 de maio. Coloquei agravamento entre aspas porque na ocasião havia pouquíssimos casos. O presidente mexicano, Lopes Obrador, foi um dos que desqualificou a pandemia, mas quando viu que a situação era séria tomou as devidas providências, indicando o subsecretário de saúde para cuidar da situação. Todos os dias ele se dirige à população, via televisão, fornecendo informações atualizadas de forma transparente. Isso contribuiu para que a população, em sua maioria, seguisse as orientações e só funcionassem as atividades essenciais e todos tem que usar “el cubre bocas”, como são chamadas as máscaras.


Tenho empregado o tempo para ler, cuidar da saúde (emagreci bastante) e pensar no que fazer, quando tudo isso passar. Li um artigo muito interessante do querido Leonardo Boff, no qual ele fala da exploração a que submetemos o planeta, exigindo mais do que ele pode nos fornecer.


Um outro artigo, muito interessante, fala do fato de que o SARS-Cov 2, assim como outros coronavírus existirem há muito tempo, porém vivendo nas florestas asiáticas, contudo a devastação dos seus habitats fez com que chegassem até aos humanos. Então nos perguntamos: quantas pandemias mais estão por vir?


Não vamos pagar pra ver, mas sim mudar nossa relação com a natureza. A natureza precisa ser cuidada e a educação ambiental e que vai ajudar nessa tarefa.

Lourdes Brazil é Diretora do Centro de Educação Ambiental Gênesis, Mestre Doutora em Ecologia Social (UFRJ), Especialista em Planejamento Ambiental (UFF), Especialista em Metodologia do Ensino Superior (UFF), Bacharel em Ciências Econômicas (UFF).





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