Doenças Raras: Falta de hospitais habilitados dificulta acesso a verbas para atendimento

O Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) é o único centro de referência para tratamento de doenças raras habilitado pelo Ministério da Saúde no estado do Rio de Janeiro


Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

O Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) é o único centro de referência para tratamento de doenças raras habilitado pelo Ministério da Saúde no estado do Rio de Janeiro. A carência de entidades credenciadas dificulta o acesso a recursos públicos para atendimento dos pacientes. Este foi o principal problema apontado na audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que reuniu especialistas em torno do tema, nestasegunda-feira (10/05).


A representante da Área Técnica de Saúde da Criança, da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Fernanda Fialho, explicou que doenças raras são divididas em dois eixos: genéticas e não genéticas; e que o Fernandes Figueira cuida especificamentede doenças genéticas para crianças.


“Atualmente só podemos contar com um centro de referência, e isso já demonstra uma fragilidade na nossa rede. A dificuldade existente na rede não é por falta de serviços, nem por falta de médicos. Precisamos promover cursos de capacitação para atenção primária e disponibilizar recursos para a construção de laboratórios de genética”, destacou Fernanda.

Embora somente o Instituto Fernandes Figueira tenha habilitação, há outros centros que atendem pessoas com doenças raras, como os hospitais universitários Pedro Ernesto e Gaffreé e Guinle. A intenção é de que eles sejam qualificados para receber recursos e ampliar a rede de assistência.


“É necessário também que esses outros centros sejam habilitados pelo Ministério da Saúde, porque habilitação significa disponibilização de recurso ministerial para que tenhamos verba suficiente para aumentar o atendimento”, disse.

A neurologista do Hospital Pedro Ernesto, Christianne Bahia, enfatizou que a falta de credenciamento da unidade impede que haja o repasse de verbas do Ministério da Saúde para esse tipo de tratamento.


“Apesar de ser um hospital universitário e já tratar, historicamente, doenças raras, nós não somos credenciados como centro de referência. Precisamos implementar uma Política de Doenças Raras, recuperar esse olhar para a alta complexidade e estruturar um hospital para receber recursos. O Rio de Janeiro precisa de outros centros com urgência”, disse.

Durante a reunião, também foi discutida a questão da inclusão dos raros no grupo prioritário de vacinação contra a covid-19.


“Temos um grande debate nesse cenário da imunização. Estamos discutindo a questão da vacina também por causa das escolas e do retorno às atividades escolares. Por lei, o Supremo Tribunal Federal (STF) determina que o município seja o detentor das decisões da vacinação, mas, nós, como Comissão de Saúde e junto à Secretaria de Estado de Saúde, podemos fazer essa manifestação ao Ministério”, declarou a presidente da Comissão, deputada Martha Rocha (PDT).

A deputada Rosane Félix (PSD) destacou o papel da Alerj dar visibilidade ao sofrimento de quem convive com o desafio de uma doença rara, trazendo para a pauta de discussões. Ela cobrou apoio do Governo do Estado e com a Secretaria de Estado de Assistência Social nas ações de enfrentamento da questão.

“Temos essa consciência de que precisamos lutar por políticas públicas e que precisamos dar notoriedade a esse tema tão relevante e humanitário. Precisamos nos preocupar com o tratamento dessas pessoas, principalmente durante a pandemia", afirmou.

O secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Bruno Dauaire, anunciou a criação de uma coordenadoria para atender pessoas com doenças raras e a intenção de transformar o Hospital Pedro Ernesto num centro de referência para tratamento desses casos.


“Vamos instituir essa coordenadoria, pois sabemos da importância do diagnóstico precoce e entendemos que há outros tipos de ajuda que nós podemos prestar por meio desse órgão. A luta de dar visibilidade para essas doenças é de todos nós, precisamos desenvolver políticas públicas claras em atenção aos raros.”