Buscar

Enquanto o povo sofre nas filas, Governo Nanci usa a pandemia pra roubar, por Mário Lima Jr.


Aglomeração em frente à Caixa no Alcântara/Foto: Divulgação

Embora São Gonçalo esteja habituada ao caos, há sinais de desespero nas ruas pela primeira vez em décadas. Pessoas saindo de casa quatorze horas antes do início do funcionamento bancário para tentar receber o auxílio emergencial do governo federal. Passando a noite acordadas, esperando o relógio avançar sentadas sobre um pedaço de papelão sujo. Chorando na frente dos funcionários dos bancos porque não conseguiram ver a cor do dinheiro do auxílio e não sabem se terão algo pra comer na semana que vem. Em meio a essa calamidade social, a Prefeitura de São Gonçalo se preparou para a “eventual aquisição” de higienizantes para as mãos superfaturados, sem licitação. Também sem nenhuma timidez, na cara de pau.


O governo federal calcula que até 92 milhões de brasileiros poderão receber o benefício de R$ 600 por mês, durante três meses. Não há estimativas por cidade, mas a péssima situação econômica em São Gonçalo indica que o auxílio é bastante necessário. Retratada pela imprensa como o primo pobre das cidades vizinhas, onde a população é vulnerável, uma pesquisa feita em 2018 apontou que 35% dos jovens gonçalenses estavam desempregados (Bem TV Educação / UFRJ). Entre aqueles que trabalhavam, 30% eram autônomos informais, como camelôs e biscateiros. De lá pra cá a economia não deu sinais de estabilidade e a pandemia do novo coronavírus aprofundou a recessão mundial.


Em alguns bairros as filas dos caixas eletrônicos dão a volta no quarteirão, mesmo nos fins de semana. São gigantescas as aglomerações na frente das agências, desrespeitando a distância de segurança para evitar o contágio, e nem todos usam máscara de proteção. Há relatos de diaristas vivendo sozinhas, que se encaixam nas regras para o recebimento mas tiveram o auxílio negado. Chefes de família desempregados há meses que já tiveram o benefício aprovado desde 17 de abril, mas não receberam nenhum centavo ainda. O aplicativo desenvolvido pelo governo federal não é capaz de resolver problemas como esses, provocando a ida em massa aos bancos em cidades como São Gonçalo.


Durante a crise atual, o Governo Nanci reforçou a comunicação com a população através dos canais oficiais e demonstrou que sabe usar a força para impedir camelôs de trabalharem. E não fez mais nada para auxiliar a população a suportar as dificuldades. Não significa, no entanto, que o governo municipal esteja parado, as falcatruas continuam.


O Diário Oficial do município publicado dia 31 de março mostra que o governo quer adquirir 800 frascos de antisséptico manual da marca “Poliexan” por R$ 84 mil. O equivalente a R$ 105 por frasco de 500 ml. Para higienizar as mãos, o governo poderia adquirir álcool em gel por cerca de R$ 20, cinco vezes mais barato. Além disso, o Polihexam (grafia correta) líquido não serve para limpar as mãos, ele é usado no tratamento de feridas.


Caso a compra seja concretizada, o endereço da empresa para onde o dinheiro do povo será enviado fica em uma residência no Raul Veiga onde mora uma família normal que nunca ouviu falar no Polihexam. É fraude das clássicas e o Governo Nanci continua mentindo, tentando sustentar sua versão com vídeos de baixa resolução que não fornecem a especificação exata do produto.


Era óbvio que não tinha origem no coronavírus o crime contra os milhares de gonçalenses sob o sol forte nas filas dos bancos. Se contaminando e podendo morrer de complicações respiratórias porque precisam de ajuda financeira. A origem é a roubalheira que tira do bolso dos pobres e entrega para empresas que ninguém consegue encontrar.

Mário Lima Jr. é escritor





MV1.2.jpg
MALUGA_2.jpg

© 2020 POR APOLOGIA BRASIL

  • w-facebook
  • Instagram
  • White Twitter Icon