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Fernando Macaco: a competência e disciplina de um grande sambista, por Oswaldo Mendes


Fernando Nogueira Domingos inicia a conversa buscando explicar que ele tem seu nome artístico como “Fernando Macaco” e assim gosta de ser chamado, não o correlacionando com questões de racismo e, assim, esclarecendo que o apelido veio de quando era bem mais novo, de umas imitações artísticas que fazia e de um desenho que tinha no carro e dessa forma todos falavam para diferenciá-lo: “É o Fernando que tem um macaco no seu carro”;

Nascido em São Gonçalo em 9 de fevereiro de 1958, metalúrgico, pai de dois filhos e mais duas filhas de sua irmã que faleceu, com apoio da sua mãe, assim cita com muito orgulho que é pai de quatro filhos e todos muito estudiosos e bem encaminhados.


Filho de pai operário e mãe com a profissão de doméstica, foi criado sempre muito próximo à cultura popular. Carnaval, ensaios de blocos carnavalescos em São Gonçalo – Unidos dos Três Lugares – Paiva, Carioca e Covanca, além do bloco do Boi, onde o limite para chegar em casa era às dez horas da noite, senão era repreendido. Castigo mesmo.


Iniciou a trabalhar aos doze anos, conseguindo assim ajudar em casa e algum dinheiro para passear e como diz Zeca Pagodinho passeio de suburbano é macumba, velório ou samba. A questão de áreas de sistemas públicos de lazer sempre foi colocada à parte na cidade, daí a importância das organizações populares.


Primeiro começou pelo bloco carnavalesco denominado “Tudo Sabe Nada Diz”, do Barreto, que se reunia na Praça do Barreto, onde atualmente se encontra a GRES Viradouro, isso aos seus dezesseis anos, quando trabalhava como Boy e seu colega era Armênio Mendonça – compositor do “Tudo Sabe” e conversavam muito sobre samba.


Posteriormente, juntamente com o saudoso Bolinha, Jarrão – como intérprete, Coelho e outros, formaram equipe para se apresentar em outras cidades na região de Cabo Frio e Arraial do Cabo. Lembra do bom tempo. Desfilou depois na Vila Isabel, mas, em 1997, decidiu iniciar a desfilar na GRES Porto da Pedra, de onde nunca mais saiu.


Desfilou dois anos na Ala da Raquel e Acadêmicos da Porto da Pedra. Em 1998, com Maurílio, Dudu do Cavaco, Bolinha, Denil e Paulo Maiato – o qual o define como seu grande mestre de composição - montaram uma parceria e assim disputaram, pela primeira vez, um samba enredo. Não foram vencedores, mas a alegria era imensa. Declar era o intérprete.


Com grande humildade, alegra que não se considera uma “fera”, pois aprende a cada dia com o pessoal, com as parcerias, com o grande público, com a Velha Guarda e todos os segmentos do samba: “É uma aprendizagem contínua. Dia a dia temos a chance de renovar, de crias e aprender”, cita Fernando Macaco.


Beto Grande, Gustavo Clarão, Vadinho, Renan e Rodrigo Gêmeos, André Diniz e outros; cita, com orgulho, que já participou em parcerias com todos eles e que muito aprendeu. Atualmente fizeram um samba com trinta e cinco mãos, ou seja, 35 compositores da Ala dos Compositores do GRES Porto da Pedra e considerou uma grande oportunidade para que todos pudessem, de uma forma ou outra, participar, interagir e produzir o que fosse de melhor para a agremiação, sendo que foram apresentadas outras obras de grande beleza, o que valoriza ainda mais a Porto da Pedra.


Ama de paixão a agremiação, Porto da Pedra, onde esclarece que por decisão própria atualmente só coloca samba para concorrer nesta escola.


Juntamente com Evaldo, Valdeir Melodia, Tamiro e Jorge Topada colocou samba na Viradouro, isto em 2005, em uma única vez. Na Porto da Pedra com Tamiro, Beto Grande, Dudu e Maurílio fez uma das suas primeiras parcerias. Posteriormente com Vadinho e Bento foram campeões no enredo “Bendita tu entre as Mulheres”.


Foram ao final de concurso de samba enredo em 2007 e 2008 na disputa de samba na Porto da Pedra. Em 2009 a parceria aumentou e continuou a busca por novos títulos. Com Vadinho, Ceci, Bento e Denil e Oscar Bessa, em 2012 foram campeões com o enredo “Da seiva materna ao equilíbrio da vida”, denominado entre os compositores como “Samba do Leite”.


Agora em 2019, com uma parceria de doze, o samba concorrente, no qual participava, foi à final da disputa e a Direção da Agremiação decidiu unir os sambas. Parceria 20 – de Fernando Macaco e a Parceria 13 – de grandes e competentes amigos. O samba recebeu quatro notas dez na avenida – o que, na verdade, é o grande sonho de todos os compositores. A questão de parcerias com muitos nomes é para dividir e reduzir o impacto financeiro dos custos de se colocar um samba. O samba da Ala dos Compositores da GRES Porto da Pedra, todo formalizado de forma virtual. Uma grande nova aprendizagem.


Ele também acumula o cargo de Presidente da Ala e participa da direção da mesma, desde 2005. Um cargo que ele considera apenas um elo entre a direção da Escola e os Compositores. Ele se considera apenas um representante da Ala junto aos demais Diretores.

Ele, Fernando Macaco, conclui que há novos Compositores vindo com ótimas ideias, “canetas afiadas”, que muito contribuirão com a cultura popular. Cita que São Gonçalo é um celeiro de cultura abandonado pelas autoridades. Que juntamente com o Tapete de Sal, Carequinha, Caminhada para Jesus e a Parada Gay são as únicas atividades que sempre “exportam” a imagem da cidade e não o samba; pela cultura não há nenhum respeito. Tratam a agremiação como pedinte e não como parceira. Cria emprego e renda para muitos, exporta a imagem da cidade, mas só são procurados quando há interesse ”deles”. Considera lamentável a postura das autoridades com relação à Cultura e a Porto da Pedra.


Com relação ao samba, ele conclui que sempre tentaram acabar, até musicalmente, com as alterações que buscam inserir para ficar mais comerciais, mas o samba vencerá. O samba é eterno. É raiz.


Esse é o nosso campeão Fernando Macaco!

Oswaldo Mendes é engenheiro.





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