Fiocruz e Butantan retomam produção de imunizantes

Fabricação estava suspensa desde os dias 10 e 14 de maio devido ao atraso no recebimento de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA)


De Brasil de Fato


Foto: Nelson Almeida / AFP
Foto: Nelson Almeida / AFP

Cerca de 3 mil litros de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) chegaram nesta terça-feira (25), por volta das 17h30, do laboratório chinês Sinovac ao Instituto Butantan, em São Paulo, para a produção da vacina CoronaVac. A quantidade será suficiente para produzir 5 milhões de doses em aproximadamente 20 dias após a chegada do carregamento. O Butantan espera receber mais 15 mil litros de insumos nas próximas semanas.


A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também recebeu insumos da China, onde é produzido pelo laboratório Wuxi Biologics, no último sábado (22), e retomou a produção do imunizante fabricado em parceria com a Universidade de Oxford e o laboratório britânico AstraZeneca, também nesta terça-feira (25). A quantidade de IFA recebido garante 12 milhões de doses até a terceira semana de julho.


Os atrasos no recebimento de insumo fez que tanto Fiocruz quanto o Instituto Butantan paralisassem a produção de imunizante nos dias 20 e 14 de maio, respectivamente.


Anteriormente, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o diretor do Butantan, Dimas Covas, relacionaram o atraso do recebimento do IFA à falta de alinhamento do governo de Jair Bolsonaro, e não à produção do insumo. No início do mês, Bolsonaro relacionou o novo coronavírus, que surgiu primeiramente em Wuhan, na China, a uma possível “guerra bacteriológica”.


"É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou nasceu por algum ser humano ingerir um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu o seu PIB? Não vou dizer para vocês", declarou o presidente.


Com a suspensão da produção maior da CoronaVac, a quantidade de doses aplicadas do imunizante da Fiocruz ultrapassou a quantidade das doses administradas do Instituto Butantan nos primeiros 24 dias de maio. A cada 10 doses aplicadas, sete foram da AstraZeneca. Ainda assim, a CoronaVac continua a ser a vacina mais aplicada no Brasil (65,6%).


Variante indiana


Por falar em AstraZeneca, um estudo da Agência Pública de Saúde da Inglaterra (PHE) divulgado neste sábado (22) mostrou que o imunizante é eficaz contra a variante indiana do novo coronavírus, bem como a vacina produzida entre a farmacêutica estadunidense Pfizer e o laboratório alemão BioNTech.


De acordo com a pesquisa, realizada entre 5 de abril e 16 de maio, a AstraZeneca apresentou uma eficácia de 60% contra a indiana duas semanas após a segunda dose, e a Pfizer, de 88%, no mesmo período. Após três semanas somente da primeira dose, a eficácia cai para 33% com ambos imunizantes.




Brasil fora da quebra de patentes


O Brasil ficou de fora de uma nova proposta de quebra de patentes de imunizantes contra a covid-19 foi apresentada à Organização Mundial do Comércio (OMC) por 62 países, liderada por Índia e África do Sul. O novo documento propõe a suspensão de direitos de propriedade intelectual por três anos, período considerado suficiente para que os países passem a fabricar os imunizantes.


Com as patentes suspensas temporariamente, as vacinas seriam produzidas em sua versão genérica em larga escala, possibilitando o acesso à vacina para milhões de pessoas de maneira mais rápida e com custo menor para os governos.


Hoje, cerca de 90% das doses administradas em todo o mundo foram aplicadas nos 19 países com as maiores economias do mundo, que perfazem o G-20, enquanto os 40 países mais pobres receberam somente 0,3% das doses.


O governo Joe Biden anunciou no começo de maio uma mudança no posicionamento dos Estados Unidos no debate sobre a licença compulsória das vacinas contra covid-19, popularmente chamada de "quebra de patentes". A posição dos EUA é considerada relevante, uma vez que o país, ao contrário do Brasil, detém o monopólio de patentes de vacinas.


Dentre os países emergentes, o governo brasileiro é o único que votou contra a licença compulsória na última reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC). O posicionamento do governo Bolsonaro também contraria decisões históricas tomadas pelo Brasil a favor da flexibilização de propriedade intelectual na área de medicamentos.


Vacinação e pandemia no Brasil


Até às 20h desta terça-feira (25), 42.991.742 de pessoas receberam a primeira dose de imunizante, segundo o consórcio de veículos de imprensa. O número representa 20,30%. Já a segunda dose foi aplicada em 21.214.582 pessoas: cerca de 10% da população. No total, foram aplicadas 64.206.324 doses.


Entre os 26 países que já vacinaram mais de 5 milhões de pessoas com duas doses de imunizante contra o novo coronavírus e que mais aplicam por dia doses de vacina a cada 100 pessoas, o Brasil está em 20º lugar, de acordo com a plataforma Our World In Data. Porém, dentre os mesmos 26 países, aqueles que mais registram mortes por covid-19 diariamente, a cada um milhão de pessoas, o Brasil sobe para 5º lugar.


Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Brasil chegou a 452.031 vítimas fatais da infecção causada pelo novo coronavírus desde o início da pandemia, após registrar, até às 18h desta terça, 2.173 óbitos óbitos em 24 horas. No mesmo período, foram 73.453 novos casos de covid-19, totalizando 16.194.20 desde março do ano passado. A média móvel diária dos últimos sete dias é de 65.910 casos e de 1.854 mortes.



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