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Gestão, diálogo e algumas utopias marcam o programa de Isaac, por Mário Lima Jr.


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Candidato a prefeito pela coligação “Coragem para mudar São Gonçalo!”, composta por PSOL e PCdoB, Isaac Ricalde convidou o cidadão gonçalense a participar do governo antes dele começar. Através da plataforma online São Gonçalo quer mudança, qualquer pessoa pode enviar sugestões para tratar os problemas municipais. No plano oficial de governo não foi diferente. Isaac defende a criação de conselhos, fóruns e canais modernos de comunicação, sinônimos de democracia, ao longo das 35 páginas do documento. A mesma publicação prevê, entre outras utopias, a construção de um teatro municipal novinho, maior do que o atual, que custou a fortuna de R$ 13 milhões e nunca funcionou. Dois prefeitos passaram pelo poder, Mulim e Nanci, e o teatro continua fechado. São Gonçalo não precisa da promessa de outro teatro agora. Viabilizar o pleno funcionamento do existente, estimular a formação de público e respeitar a classe artística já seria uma grande conquista.


O programa começa com uma carta aos gonçalenses assinada por Isaac, valorizando outra vez o diálogo em busca de um mandato coletivo. Então 21 temas são listados, cada um com seu próprio conjunto de propostas. A organização do documento é empolgante porque o título dos temas menciona a principal meta do governo para a área, ao invés de simplesmente dizer o nome da área. Para apresentar as propostas sobre segurança, por exemplo, o título escolhido foi “Por uma São Gonçalo sem medo”. Assim, uma olhada no índice do plano de governo diz muito sobre como a parceria entre Isaac e Ana Cardinal, candidata a vice-prefeita, enxerga São Gonçalo.


Em seguida, no primeiro capítulo, o documento deixa claro aquilo que o candidato mais valoriza: “gestão democrática, eficiente e transparente para um governo do povo”. Entre as principais propostas, auditorias frequentes, evolução do Portal da Transparência para maior clareza, interação e controle e a construção de um congresso anual para prestação de contas sobre os objetivos de governo. Além do convite à participação popular, a descrição de quase todos os temas gira, com muita habilidade, em torno do pilar central da gestão. Explicada repetidas vezes, a promessa de uma administração eficiente se torna algo realizável, crível.


O mesmo não pode ser dito a respeito da criação de um parque verde no eixo central da cidade, seguindo o percurso da antiga linha férrea, para proporcionar sombra e umidade do ar. Nem sobre os parques públicos com áreas verdes e equipamentos esportivos nos bairros Jardim Catarina, Vila Lage e Boa Vista. Prometer realizações tão grandiosas, com dificuldades que vão além da questão orçamentária, pois são impactadas pela logística urbana, transforma o documento, algumas vezes, numa obra ingênua. As construções de um pequeno estádio de futebol e de um ginásio público também foram garantidas por Isaac, ou seja, dadas como certas, sem mencionar local, orçamento, prazo, nem detalhes físicos dos empreendimentos.


A reforma de todos os postos de saúde e unidades municipais de pronto atendimento, o fim das terceirizações e a promoção de concursos públicos em todas as áreas para recompor o quadro de pessoal também soam como projetos de longo prazo, arriscados para um único mandato, que não deveriam ser prometidos sem planejamento. Afinal, concurso público também exige tempo, investimento e a máquina pública não pode parar.


Um governo precisa pensar grande, mas planejar com os pés no chão. Nenhuma proposta foi apresentada para a abandonada Fazenda Colubandê, que conta com área verde e poderia ser um ótimo espaço turístico, cultural e de convivência. Já passou da hora de uma parceria séria com o Governo Estadual pela recuperação do local. A área do Turismo, aliás, ganhou só um pequeno parágrafo, sem citar os pontos históricos da cidade.


O plano volta a ser convincente quando aborda preocupações que não são comuns aos demais candidatos, como a saúde da mulher e o tratamento da obesidade. Outro exemplo é a decisão de transformar a cultura em uma marca de São Gonçalo. Prefeitos entram e saem sem compreender as vocações municipais e sem propor uma identidade gonçalense. Sem saber quem somos, não iremos a lugar algum. Na página 12, Isaac ganha coragem e publica uma estimativa, uma meta antes do governo acabar, outro movimento raro nessa eleição de candidatos que prometem sem se comprometer. O início das obras de revitalização do Alcântara teriam início na primeira metade do mandato.


Tão importante quanto a qualidade das propostas é a visão do governo sobre o povo e o território. Na página 24, Isaac reconhece que parte da juventude está sendo dizimada pelo crime por causa da falta de políticas públicas, lazer, esporte, cultura e arte. Aliar medidas de gestão séria e democrática às necessidades dos gonçalenses que mais sofrem é tudo que o próximo prefeito precisa fazer.

Mário Lima Jr. é escritor.




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