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Gil, por Paulinho Freitas

SÃO GONÇALO DE AFETOS

Ele parecia uma criança. Soltava pipa, jogava bolinhas de gude e respeitava os mais velhos como há muito tempo não se vê os jovens fazê-lo. Seu nome? Gilberto. Começaram a chamá-lo, não sei porque , de Ginho quando mais novo e não sei quando virou Gil.


Ele era servente de pedreiro, auxiliar de serviços gerais, monitor de escola e tudo o mais que aparecesse para se ganhar o sustento honestamente. Se precisava capinar o quintal a gente chamava o Gil, tem que tirar um entulho? Chama o Gil! Precisa de alguma coisa do mercado? Lá vai o Gil.


Aos domingos, depois de passar a tarde toda enfeitando o céu com suas pipas coloridas, nosso amigo Gil frequentava um forró arretado e namorava até altas horas para na segunda feira começar tudo de novo. Deus é um pai muito coruja né? Os filhos mais frágeis, aqueles inocentes que só sabem amar e distribuir amor, aqueles que mesmo depois de adultos mantêm aquela pureza da criança, ele quer perto dele, talvez para servir de molde para gerações futuras.


Gil teve contato com esse corona vírus, ficou bem ruinzinho, mas conseguiu sair com aquela plaquinha com a inscrição “Eu venci o vírus” no peito e foi para casa acabar o tratamento.


Ainda ontem o vi pegando um solzinho em seu quintal. Pois é, quando ele entrou sentiu uma falta de ar forte, os familiares chamaram um carro de aplicativo para levá-lo de volta ao hospital, mas quando lá chegaram o nosso Gil que ali estava era só matéria.


O espírito já estava com certeza nos braços do Pai.


Que Deus consiga com este molde fazer seres humanos melhores. Olha por nós Gil! Você está ao lado daquÊle que pode nos salvar e redimir. Olha por nós!

Obs.: O nome é fictício, mas a história é real. A foto é do céu. De lá os espíritos de nossos Gils olham e rogam por nós ao Criador.

Paulinho Freitas é cantor, compositor, sambista e escritor.




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