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Guardiões da Criação, por Paulinho Freitas

SÃO GONÇALO DE AFETOS

Um dia fomos levar nossa cadela ao veterinário, Aurora é seu nome, uma criança canina que come o que vê pela frente. Lá chegando entre vários pacientes e seus cuidadores havia dois cães de rua resgatados que estavam lá para ser castrados. A clínica dá desconto especial ao casal de cuidadores por levarem muitos pacientes.


Conversando com este casal me disseram estar desempregados e possuírem nove cães que resgataram das ruas, maltratados, famintos e sujos. Pegam algumas doações de ração e complementam comprando mais com uns trocados que conseguem fazendo bicos.


Disseram-me também que têm noites em que dormem em quartos separados porque os cães deitam na cama e não sobra espaço para duas pessoas. Olhei a felicidade daqueles animais pulando em cima e lambendo seus cuidadores como forma de agradecimento pela acolhida e carinho. Daí fiquei pensando no por que das pessoas terem tanto amor aos bichos levando-os para dormir em suas camas mesmo vendo tantas crianças nas ruas sem um lar?

Procurando essas respostas me lembrei de outro caso. O de uma mulher com duas crianças que se debatiam e batiam nela por não quererem ir para a escola. A mulher implorava: “Vamos crianças! Mamãe não tem o dia todo! O tempo não espera ninguém!”


Ao mesmo tempo em que fazia carinhos na cabeça de um, beijava a cabeça do outro. Notei que os dois eram gêmeos, negros; a mãe era tão branca que as veias azuis realçavam em seu braço. Mãe? Como pode? Pode, mas é difícil acontecer. Neste caso os dois meninos foram adotados. Os dois hiperativos e com problemas de sociabilidade, tomavam o tempo da mulher quase todo com os cuidados que necessitavam. Ela tinha ainda mais três filhos do coração, duas meninas e um menino e todos amados e acarinhados como se tivessem seu sangue, acho que tinham mais dela, tinham a alma, o coração e toda sua devoção.


Lembrei também que minha avó via nos moradores de rua a imagem de seus filhos já falecidos e dava alimentação a eles pensando estar alimentando seus meninos, assim como ela várias pessoas também fazem o mesmo com muito amor. Também há pessoas que andam pelas ruas a procura das crianças sem lar ou com dificuldade no relacionamento familiar para encaminhá-las aos abrigos para ajudar na reconciliação com os seus e sofrem na pele o que elas sofrem pois às vezes para convencê-las a saírem das ruas dormem nas calçadas junto deles e vivem como eles até conseguirem sua confiança.


É muito amor.


Acho que quando os responsáveis pelas ovelhas de Deus não têm competência, Ele vem pessoalmente através desses seres especiais fazer o serviço.


E o amor? O que nós fazemos com tanto amor que nos é dado? Reclamamos que é pouco, pedimos todos os dias as graças de Deus para termos mais dinheiro, mais poder, mais bens materiais, mais beleza.


Infelizmente não conseguimos enxergar o bem que faz fazer bem a alguém. Alguns de nós já estão conseguindo e tenho certeza que muitos de nós continuam tentando. Deus nos abençoe com a vitória!

Na foto, Aurora, eterna criança que só quer amar!

Paulinho Freitas é cantor, compositor e sambista.




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