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Hoje não vai ter textão, hoje vai ter RAP, por Rafael Abreu


Sul21/Divulgação

Hoje não vai ter textão, por que hoje o papo é reto!

Eu vou bater de frente com a minha rima e o meu dialeto.

Os buchas e os inocentes pode crer conheço bem.

Cuidado com os papos e os argumentos que não lhe convém.


Eu faço esse RAP de improviso e roubo a cena.

Se liga Cinderela! Eu sei que a vida é bela!

Mas do lado de cá, existe a vida na favela.

Longe no seu condomínio, não da pra você vê.

Aqui a realidade é estar ao lado de quem sobreviver.

Enchentes, deslizamentos, esgoto a céu aberto é muito descaso e a gente convive com isso.

Poder paralelo? É claro que isso é possível.

Mas o poder da caneta e do livro é muito mais valioso que isso.

Os manos e as minas, tudo aqui desempregado.

Correria no Ifood, pra fazer o supermercado.

Aqui tem fome, pobreza e tiroteio, desemprego, falta de saúde, de saneamento básico e ainda por cima, mais tiroteio.

As crianças que aqui vivem, dentro desse meio, você ainda espera que futuro desse jeito?


Quem não é a favor da vida e nem de todos os direitos, não é racional e não tem moral pra defender a favela.

Cidadão de bem ? Enche a boca e bate no peito.

Defende a família?

Mas é a família de quem?

A nossa, a sua ou aquela do João Ninguém?


Que era apenas um rapaz, latino americano, como tantos nessa vida, em busca do seu sonho.

Em busca de um sonho interrompido por uma bala, uma bala perdida? Não, foi encontrada!

Irã? Iraque? Aqui é Rio de Janeiro!

Onde reina a desigualdade mas sobra a sagacidade, pra sobreviver nesse desespero.

Favela pede a paz por que o RAP é consciência e compromisso.

Nós é a RESISTÊNCIA, não cabe concorrência e os playboys não entendem isso.


Hoje não vai ter amor e não vai ter humor, só luto, luta, choro, vela e rancor.

Que é pra representar os corpos caídos no chão e pra falar também de toda forma de opressão.

Também é violenta a falta de opção, também me violenta a falta de expressão.

E pra finalizar eu nunca vou me calar, quando alguém tenta parar a Democracia.

Ditadura nunca mais!

Contra a ignorância eu uso a diplomacia.

Pois não me rebaixo e acho muito esculacho pessoas com tantos e outras com nada na cozinha.

Como Cazuza dizia:

"Enquanto houver burguesia não haverá poesia."


Eu sou Rafael Abreu colunista Daki

Rafael Abreu é analista político e escreve toda a semana para o Jornal Daki.




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