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Libertem o Teatro Municipal, por Mário Lima Jr.


Mais um ano está terminando e o Teatro Municipal de São Gonçalo continua fechado. Concluída em 2016, a construção do prédio custou a fortuna de R$ 13 milhões. Desde então, as únicas categorias teatrais que o gonçalense assiste sobre si mesmo nas ruas são escárnio, vergonha e ignorância.


Em junho, o Governo Nanci disse em nota para o jornal O São Gonçalo que está de posse das chaves do teatro e que o mesmo entraria em fase de avaliação interna, da parte elétrica, hidráulica e da iluminação. A nota ainda dizia que o governo estava preparando, para esse semestre, o edital de ocupação para empresas patrocinadoras que desejam participar da gestão compartilhada com a Prefeitura. Um mês depois, dessa vez para o jornal A Tribuna, a Prefeitura alegou que existem informações ausentes sobre o cumprimento do contrato e do estado do empreendimento, afirmação que torna a questão ainda mais obscura e poderia responsabilizar a construtora contratada, a empresa RL2 Engenharia, pelo atraso na inauguração do teatro.

José Luiz Nanci (ou a sua esposa) assumiu o governo municipal em 2017 e mentiras a respeito do Teatro Municipal jamais faltaram. A verdade é que o governo mantém as portas do teatro acorrentadas, literalmente, há anos. Nunca defendeu com o devido empenho e a urgência que merece a inauguração do empreendimento, em nome do povo gonçalense. Qualquer adolescente pode questionar o óbvio: como o Poder Público gasta R$ 13 milhões – faltando pagar apenas R$ 1,6 milhão, de acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro – e não conclui uma simples fase de avaliação, consideravelmente menor do que o esforço e o custo já honrado de erguer o prédio? A resposta é porque o governo é formado por perfeitos parasitas do dinheiro público que pensam somente em si mesmos.


Enquanto o tempo passa, o investimento milionário acorrentado acumula poeira e mofo. Ao invés de se expressar e aprender através do teatro, ao invés de crescer como cidadão e desenvolver o município ao mesmo tempo, a manifestação artística mais comum em São Gonçalo é a venda de produtos falsificados e contrabandeados no Calçadão de Alcântara, onde o comércio ilegal age como lhe convém e dita, pela propina e pela violência, as ordens seguidas pelo o setor de fiscalização e posturas.



Há mais ligações entre a falta de teatro municipal e a explosão do comércio informal em São Gonçalo do que imaginamos. Não há cidade, que viva sob regime democrático, que tenha desenvolvido sua economia sem prévio desenvolvimento cultural, educacional e humano. São Gonçalo não será exceção. Bem administrada, a cultura instrui a população sobre quem ela é e ainda gera riqueza e emprego.


Uma peça teatral que assisti há quatro anos no Teatro Carequinha, dentro do Colégio Estadual Hernani Faria, em Neves, continua entre as obras mais significativas sobre a história de São Gonçalo que eu já tive contato na vida. A peça “Dentro de mim, a cidade”, montada pelo Coletivo Mundé, traz lições fáceis de serem compreendidas sobre a formação do município que todo gonçalense deveria conhecer para entender a si mesmo.

Ao não viabilizar o funcionamento do teatro e mantê-lo isolado das pessoas, o governo Nanci age como senhor absoluto e autoritário do patrimônio do povo. Ele impede São Gonçalo de descobrir sua arte, sua história e de criar um futuro digno.

Mário Lima Jr. é escritor.


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