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Mamães de manhãs, por Paulinho Freitas

SÃO GONÇALO DE AFETOS

Mamães numa manhã de sábado no Zé Garoto/Flagra: Paulinho Freitas - Arte: Jornal Daki

É manhã de segunda-feira em São Gonçalo/RJ. A maioria das pessoas aqui trabalha na capital do estado, os pontos de ônibus estão lotados. Eu moro perto do meu trabalho, posso me dar ao luxo de ir a pé, mas sempre encontro um conhecido para bater um papo enquanto ele espera a condução. Nestas horas vejo também pessoas descendo de ônibus, vans, kombis, etc, vindas de periféricos bairros, procurando recursos médicos no hospital central.


Na maioria das vezes, mulheres com filhos pequenos nos braços. Observo que elas, as mamães, estão cada vez mais jovens e cada vez mais sofridas. Por quê?


Quando eu era adolescente meu pai tinha por hábito me alertar todas as vezes que saía: “Cuidado na rua. Não faça nada de mal às filhas dos outros. Não quero confusão na minha porta!”


Não entendia muito bem o que ele queria dizer, mas sempre respeitei todas as pessoas com quem me relacionei. O problema é que ele não queria confusão na porta dele. Quer dizer, se não fosse isso, que se dane. E fazer mal às filhas do outros? Ora faça-me o favor papai!


Hoje observo os adolescentes. Os garotos não dão lugar às moças na condução, andam na frente das namoradas, parecem estar em outro país. O tratamento carinhoso acabou. Ou melhor, existe ainda, só enquanto não conseguem o que querem, depois chutam o balde e quem quiser que segure o que vai vir.

Elas por sua vez são adeptas da filosofia “comigo não acontece porque eu me cuido.” Quem resiste ao chamego, ao afago, ao fogo, ao tesão, a desenfreada mente adolescente? Ninguém. Quando grávidas, na maioria das vezes eles sempre dão um jeitinho e vão sumindo, os pais dela vão assumindo e elas têm que se virar como podem para manter aquela nova vida que está pra chegar. Não vou falar das outras possibilidades porque acho um absurdo e irresponsabilidade ter uma DST com tantas explicações e orientações.


Tenho dois filhos, um com 21 anos e o menor com 12 anos. Tenho certeza de que nenhum dos dois seria capaz de tratar uma mulher com tamanha falta de responsabilidade e amor. Por essas pequenas mamães que por mim passaram nesta segunda-feira eu nada mais posso fazer a não ser rezar para que sejam fortes e que criem seus filhos com honestidade e zelo.


Quanto a meus filhos, quando saem de casa eu sempre recomendo: “Cuidado na rua. Respeite as pessoas que encontrar pelo caminho. Se alguém te faltar com o respeito, respeite a ignorância alheia. Camisinha e carinho, se bem não fizerem, surpresas também não trarão.”


Vejo muitas mães criando seus filhos sozinhas e poucos pais fazendo o mesmo, junto ou separado. Às vezes dá vergonha de ser homem.


Tomara que daqui a pouco tempo as mamães voltem a ser como nos comerciais, passeando com seus bebês nas praças e jardins, sorrindo e felizes. No final daquela ponte do parque, um papai sorridente e protetor as esperando. Queria tanto ver as mamães de manhãs de novo...

Paulinho Freitas é cantor, compositor e sambista.




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