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Miguelzinho: De Neópolis para a Porto da Pedra, por Oswaldo Mendes


Miguelzinho na Avenida/Foto: Acervo pessoal

O Sertão nos empresta um dos seus filhos para demonstrar a força da sua Cultura. Gerenciar o pouco e dele fazer muito. Um sergipano na direção de uma consagrada agremiação carnavalesca, sem deixar de gostar de uma carne de sol, de um forró ou o escondidinho de carne com macaxeira: Miguel Rodrigues Sobrinho.


Miguelzinho nascido em 11 de junho de 1958 veio de Sergipe, de Neópolis, para o Rio de Janeiro em 1977 para morar num quarto, na companhia do seu irmão, o saudoso Cacau, isto no Bairro de Olaria. Morava ao lado da quadra do Cacique de Ramos, isto na casa de Dona Consuelo e Sr. Emídio.


Lembra com emoção dos anos de 1970 a 1980 e todo o sacrifício passado, assim como as pessoas que lhe deram às mãos, lhe ajudaram em momentos difíceis.


Cacau levou o Miguelzinho até a quadra do Cacique de Ramos, pois às quartas-feiras o pessoal veterano do Vasco lá jogava e depois tinha sempre um pagode com nada menos que Fundo de Quintal, Beth Carvalho e outras pessoas do ramo, passando assim a gostar do samba. Miguelzinho tinha em torno de dezoito anos à época.


Participou também do bloco Preguiça de Olaria, mas também da Feira dos Nordestinos, no Pavilhão de São Cristóvão, ainda no tempo que era do lado de fora, onde, quando chovia, a lama nos pés não tirava o ânimo daquele povo guerreiro. Era sempre uma festa. Um encontro regional. Cachaça, churrasquinhos, carne de sol, queijo com leite de cabra e outros. A distância, a saudade, amenizadas pelas histórias contadas e música ouvida, assim como o relato das experiências dos irmãos tão longe de suas terras. Isto sempre do sábado à noite ao domingo pela manhã: Forró, suor, lágrimas e muita saudade.


Miguelzinho já residiu em Olaria, Ramos, Boa Esperança, Miguel Couto e São Gonçalo.

O início foi muito duro, mas a vida dá abrigo a quem merece e a Dona Consuelo adotou o Miguelzinho. As dificuldades amainadas pelo amor da sua segunda mãe, como Miguelzinho faz questão de afirmar e reconhecer.


Metalúrgico, líder Sindical – escolhido pelos funcionários como presidente da Comissão de Fábrica onde representava em torno de dez mil trabalhadores - trabalhou vinte anos no Estaleiro Ishibras, no Caju, e dali conheceu amigos que moravam em São Gonçalo e mudou-se para o Colubandê, de forma emprestada – de família e dois filhos (Miguel Junior e João Carlos e sua esposa Lucinda). Atualmente tem três netos – Caio, Pedro e Maria Elisa.

Filho de pai seresteiro, denominado José Joaquim dos Santos (in memoriam), o qual era fã incondicional do saudoso Jamelão, foi campeão sergipano de futebol. Era conhecido como Fubica. E Sua adorada mãe, a Dona Luisa Maria dos Santos.


A Baiana mais antiga da Porto da Pedra convidou o Miguelzinho para comparecer a uma feijoada e levou-o à quadra da Porto da Pedra, isto nos idos de 2006. Depois da feijoada começou a frequentar a escola, passando depois a participar da Ala dos Compositores a convite de Paulinho Freitas e Nilo Ramos. De lá nunca mais saiu.


A família de Miguelzinho participa ativamente, há muitos anos, do GRES Porto da Pedra, sendo que atualmente sua esposa é presidente da Ala Ararigbóia e seu filho, Miguel Junior, é diretor geral de Harmonia, juntamente com outros dois parceiros. Sua neta também desfila na agremiação.


Em 2013, assumiu a presidência da Ala dos Compositores da Porto da Pedra, sendo alçado a participar da direção da agremiação, pelo Fábio Montibello. Ano de muito sacrifício. Carnaval na rua em vinte e oito dias. Poucas verbas. Apoio institucional renegado. Apoio somente da Comunidade e comerciantes da localidade para a Agremiação que leva a imagem da cidade, de forma positiva, a todo o Mundo. Apoio público sempre negado àquela que traz em seu lema, com grande impacto - o “Amor e Orgulho de São Gonçalo”: GRES Porto da Pedra.


Neste mesmo ano, em 2013, foi vencedor do samba enredo.


Trabalhou também no Governo do Estado como Superintendente do Centro de Defesa da Cidadania; foi presidente da Companhia de Armazéns e Silos; Secretário de Habitação na Prefeitura Municipal de São Gonçalo, no Governo de Aparecida Panisset. Foi assessor da Governadora Benedita, isto na época em que ela assumiu Ministério e também foi assessor de Antônio Pitanga, quando assumiu a Vereança no Rio.


Outra passagem se veio com o falecimento do saudoso Sapatinho – Edson do Nascimento Gonçalves, em 29 de janeiro de 2018, deixa uma grande lacuna na cultura da cidade e também pelo papel que exercia na Porto da Pedra, e assim, em função de problemas também de ordem financeira, o Miguelzinho assume outra função, concomitantemente, que é a de Locutor da agremiação.


Miguelzinho afirma que o forró e o samba se completam, pois, a música é universal. No samba, assim como no forró, não há discriminação ou títulos. O samba enredo é feito através de um estudo prévio e o forró é livre, mas as questões culturais ligadas ao viver de cada um, o saber popular ali se espelha. A poesia, o tradicionalismo, aquilo que traz no coração e que vai para o papel e daí vira música. O samba e o forró muito se identificam. São irmãos gêmeos ou até siameses. Ambos acalentam a saudade, incendeiam os corações sobre a batuta da zabumba ou a marcação do surdo.


Miguelzinho considera o GRES Porto da Pedra uma família e, assim, tece os maiores elogios a todos os segmentos da agremiação. Emoção e paixão ao se dirigir a palavra à Ala dos Compositores. Define a agremiação como uma escola de família, que gosta e recebe bem seus convidados e a todos que venham visitá-la. Escola querida e amada. Que divulga a cidade e que deveria receber mais comprometimento do Poder Público Municipal.


Lembra ainda da ONG premiada, Abraço do Tigre, pela Fundação Roberto Marinho; e a escola, sem alarde e publicidade, ajuda à Comunidade em diversos aspectos, desde doações de cestas básicas – por exemplo, este ano foram mais de mil e quinhentas doações, como também não abandona os Componentes e Moradores, dentro dos limites possíveis, pois no Grupo de Acesso pouquíssimas pessoas e instituições a ajudam. Considera que poucos sabem o trabalho que dá para colocar uma escola na avenida e fazer a parte social e cultural dentro do município.


“O chão da escola é seu ponto mais forte. A Comunidade é espetacular. Não mede esforço para ser vista e representada na avenida. É incrível como a Comunidade se entrega e ajuda. É impossível pensar na Porto da Pedra sem a sua Comunidade. Na época de carnaval, ou quando se precisa, eles vão para o barracão e lá trabalham no calor, recursos próprios, onde cada gota, cada noite sem dormir, cada trabalho que é completado, é um sonho realizado que parece ser compensado com uma bela apresentação da agremiação. Indescritível e alucinante”, cita Miguelzinho.


Paixão e Orgulho de São Gonçalo é uma declaração de amor do GRES Porto da Pedra à cidade e também da cidade à agremiação, pois a cidade são seus cidadãos que é a Comunidade da Porto da Pedra. Se integram. A Porto da Pedra é São Gonçalo em cada um dos seus habitantes, das suas expectativas diárias, dos seus sonhos e também das suas desilusões. É uma realimentação. O GRES Porto da Pedra ama a cidade e seus integrantes que devolvem esse amor de muitas formas. A Porto da Pedra quer representar seu Povo na melhor forma e sempre o faz; assim a cidade (seu maravilhoso Povo – o chão da escola) reage e retorna em amor à Escola de Samba. Um laço eterno de amor, união, carinho e reciprocidade entre ambos que engloba todos os sentidos.


Miguelzinho transparece e deságua num rio de emoções, a cada momento, o amor à sua Esposa – a Sergipana Lucinda – também da cidade de Neópolis, casados desde 1981; aos filhos e netos, a sua terra de que tanto orgulha – Sergipe e o Nordeste brasileiro, ao seu passado honroso, pela cidade São Gonçalo e à agremiação carnavalesca denominada Grêmio Recreativa Escola de Samba Porto da Pedra. Esse é o verdadeiro sentido de se ter Paixão e Orgulho. Esse é o Miguelzinho.


O Mundo do Samba: onde se entra para comer uma feijoada e se torna diretor de uma organização.

Oswaldo Mendes é engenheiro.






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