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Na farmácia, por Fábio Rodrigo


Rob Gonsalves (1959-2017)

O indivíduo entrou na farmácia. Estava bem vestido e aparentava ter no máximo 40 anos. Tão logo o farmacêutico se aproximou do balcão, foi imediatamente solicitando:


‒ Eu quero um remédio para dar superpoderes.


‒ Como assim, senhor? ‒ perguntou o farmacêutico, tentando entender a solicitação do homem.


‒ É que eu estou desempregado e com sérios problemas financeiros em casa. Minha mulher já não aguenta mais me ver pedindo dinheiro a ela. Sem contar meus filhos, que vivem me pedindo coisas o tempo todo. Como não consigo emprego, queria muito ter superpoderes para dar um basta em tudo isso.

O farmacêutico, baratinado com a situação, orientou o homem a ir ao médico para buscar um auxílio. Não havia remédio que pudesse indicar a ele.


‒ Médico? Pra que médico?


‒ Talvez o senhor não esteja sabendo lidar som seus problemas. O senhor tem depressão? Um médico poderia orientá-lo melhor.


‒ Meu querido, acho que você não entendeu o que eu disse. Vou repetir: eu quero um remédio para dar superpoderes! É isso que eu quero. Se não tiver aqui, vou procurar em outra farmácia então, ora bolas – disse bastante irritado o indivíduo.


‒ Senhor, desculpe-me, mas nós não temos isso.


‒ Mas vocês me disseram que tinha... Não deve ter nem uma semana que estive aqui...



Tentando agora fazer o jogo do cliente, o farmacêutico falou:


‒ Bom... então... vou verificar no estoque para ver se ainda tem. Só um momento, por gentileza.


Minutos depois, o farmacêutico retornou e confirmou que não havia nenhum remédio para dar superpoderes. Inconformado, o homem foi embora. Logo que pôs os pés na calçada, uma forte e inesperada ventania adentrou no estabelecimento e derrubou tudo o que havia nas prateleiras.

Fábio Rodrigo Gomes da Costa é professor e mestre em Estudos Linguísticos.


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