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O Bico Doce Cremilson de Jesus Silva: O Ser e a Voz maviosa, por Oswaldo Mendes


O Bico Doce/Foto: Divulgação

Nascido em 29 de abril de 1977, no sub-bairro de Miguel Couto, em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. Se criou em Jardim da Viga de onde não saia muito da região. Com família de pai toda evangélica e, por parte de mãe, espíritas - que posteriormente se converteram. Na família por parte de Mãe há histórias e relatos de que seus tios eram bruxos, que viravam árvores, viravam troncos. Os tios paternos eram músicos instrumentistas, violeiros da Igreja e da mãe eram músicos e batuqueiros. A tia materna adorava um agogô, tios de tambores, tantãs. Outros já saxofonistas, etc.


Seus avós paternos são Antônio Gomes da Silva e Eudina Tomás Martins e maternos são Alcidia Caetano e Antônio Gomes Pereira de Jesus; seus pais Luiz Carlos Gomes da Silva e mãe Maria da Penha de Jesus Silva. É casado com Andressa dos Santos Leite.


Quando adulto foi morar no Centro de Nova Iguaçu e depois Muriqui. Casado, retornou para Pilares. Morou três anos sem São Paulo, sendo um no bairro de Ipiranga e dois anos na cidade de São Bernardo do Campo. Em São Paulo conheceu o “Alemão do Cavaco”- que contaremos a seguir. Há dois anos atrás, ou seja, em 2018, retornou ao Rio, morando no bairro de Pilares.

Com a união da família veio a veia musical de ter habilidade com cordas e couro, surdista, percursionista geral, conga, cavaquinho, violão, contrabaixo, de quase todo tipo de corda ao coro, cita o Cremilson de Jesus - Bico Doce.


Nos encontros de família, ele ainda bem criança, sempre havia entre cordas, violas e tantãs um pagode regado à batida de limão, cerveja, sendo prato chefe um maravilhoso mocotó no quintal de Dona Eudina. Cordas e batuque unidos. Seu irmão, Cleuton de Jesus também assim cresceu. Ele já tentava entrar para participar desse grupo musical familiar.


Aos doze anos de idade ele e seu irmão ganharam quinhentos mil cruzeiros. Desse valor compraram em Nova Iguaçu um tantã e um repique de mão e assim participavam ativamente do pagode familiar abrilhantando mais com pagode toda semana.


O tio emprestou um cavaquinho e verificou que “tinha jeito para as cordas”; seu pai então decidiu levá-lo para estudar cordas na Escola XV de Quintino Bocaiuva, na extinta FUNABEM – Fundação Nacional de Bem Estar do Menor, onde seu pai trabalhava. Por dois anos estudou cavaquinho nesta instituição, com quinze anos parou de estudar e com dezessete anos já participava como músico da noite com Cosme e Damião do Copa Sete; acompanhou Leci Brandão, montaram o Grupo Surpresa onde participou por bom tempo.


Posteriormente foi convidado para participar do Leão de Nova Iguaçu, tocando cavaquinho, de 1994, com Pixulé como Interprete a 2006, mas desde cedo, muito criança já acompanhava seu tio e padrinho Marcelino, o qual pertencia ao quadro de Compositores da Leão, isto com dez anos de idade, na Ala das Crianças. Costuma dizer aos amigos que em função do tempo de participação já se considera Velha Guarda do Leão de Nova Iguaçu. Saiu do Leão em 2017 com outros segmentos musicais. Há mais de trinta anos. Ala das Crianças, Músico até chegar à Interprete da Agremiação.


No ano 2000, estava fazendo uma letra de samba concorrente para uma Escola em Tatuapé, juntamente com Feijão, Testa, Waldeck e Márcio Oliveira. O samba foi até a final e perderam, mas uma semana depois, através de telegrama, foram informados que viraram a mesa e os resultados, ficando assim com sua primeira vitória. Nascia o Compositor.


Em 2003 disputou samba enredo na Mangueira com Jadir Mendes, Rod da Fazenda, Márcio da Fazenda e Testa. De 2009 a 2015 na GRES Império Serrano como Intérprete, o qual foi levado por Jorginho do Império. Desfilou na Portela em 2014 e 2015, concomitantemente com a Império.


Em 2016 foi morar em São Paulo, na casa de samba denominada Barsamba, onde conheceu o “Alemão do Cavaco” e que iria disputar samba na Mangueira neste mesmo ano e assim foi convencido a retornar. O enredo era sobre a Maria Bethânia, onde Bico Doce e Ciganerey eram os cantores. Com a morte do saudoso Luizito na Mangueira ele teve que assumir a disputa de samba, na qual foram campeões. Acesse o link e veja.

https://www.youtube.com/watch?v=n5SM8pCTPf4


Informado por Jorge Cardoso que o Presidente Chiquinho da Mangueira queria falar com o mesmo e em reunião posterior foi proposto a participar do carro de som da Verde e Rosa. E Assim foi contratado. Acesse o link e veja.

https://www.youtube.com/watch?v=8bRVm5b0yPg


Já no foco da Resistência Cultural na área da música o Bico Doce lembra que quando criança assistindo um documentário na TV Brasil e vê alguém sendo levado numa cadeira de roda e este senhor inicia uma música que nunca mais lhe saiu da cabeça.

“De qualquer maneira meu amor em meu canto”, era Candeia. Acesse o link e veja. https://www.youtube.com/watch?v=UGlY6oAzbFo


Nesta época as informações eram poucas e difíceis, principalmente em subúrbios, como Nova Iguaçu. Infância e adolescência com a frase de Candeia na cabeça, a qual só foi saber quem ele era no pagode muitos anos depois. Ao ter esse conhecimento do artista, agente cultural, militante e preto, animou-se mais ainda para continuar sua pesquisa a cada dia com sua paixão crescente. Foi intitulado como fã e cantor número um do Candeia.


No Kilombo que o próprio Candeia criou, na Fazenda Botafogo, aconteceu uma homenagem onde, ao chegar, sem conhecer ninguém, descobriu que a homenagem era pra ele, Bico Doce. Placa e moção foi lhe dada. Ele passou mal bem como a Selma. Ele se define como o maior militante do Candeia. Agente aprende a fazer igual aos ídolos.


Ele se espelha em Candeia e assim age. Aprendeu tocar igual a Osmar do Cavaco, músico do Candeia, se molda em suas ações e preceitos. Veja o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=cvNMtl8T-VY


Como questão pessoal, em face a casos que aconteceram com ele, o mesmo age de forma dura com relação ao racismo e preconceitos.


O nome artístico Bico Doce foi dado por Zeca Pagodinho quando tocava para o pessoal que escolhia o repertório dele, isto em 2003. O Zeca achava seu nome Cremilson, muito difícil e Bico Doce é melhor do que seu nome. Ele resistiu, mas não teve jeito e o nome pegou.


Pagode da Márcia Black, na Praia da Macumba; Clube do Cozido – do Zeca; fundou o Samba na Casa Amarela em Nova Iguaçu; fundador do Kilombo da Marambaia em Tingua; Candongueiro há 12 anos; Banda do Jorginho do Império até 2008. Acesse o link e veja.

https://www.youtube.com/watch?v=MOwkVpqwLZQ


Seu projeto atual é o kilombo da Marambaia onde o Compositor é prestigiado como base. Com Pinga e Roxinho que tem a maioria das composições.

Uma live do Bico Doce:

https://www.facebook.com/100017346767357/videos/649767028944850/


Esse é o Cremilson de Jesus – Bico Doce. Uma voz maviosa e pessoa sensacional!

Oswaldo Mendes é engenheiro.




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