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O negro no futebol brasileiro, por Victor Machado


No Brasil e no mundo o racismo é um problema cada vez maior, mesmo após anos de luta ainda pode ser visto com muita frequência. No futebol, um dos maiores espelhos da sociedade, não é diferente. A lista de ídolos negros dentro das quatro linhas é imensa, técnicos, porém, são raros. Sábado no Maracanã, os únicos treinadores negros da primeira divisão Marcão (Fluminense) e Roger (Bahia) se enfrentaram. Ambos utilizavam uma camisa com a simples frase: “Chega de preconceito”, uma campanha do Observatório da Discriminação Racial no Futebol.

Roger e Marcão: 'Chega de preconceito'/Foto: Thiago Ribeiro (AGIF)

Aspas para Marcão

“Eu sei o que estou representando, como técnico do Fluminense, para as pessoas da nossa cor. Temos outros negros com capacidade para trabalhar no futebol, mas, muitas vezes, o que falta é oportunidade. Estou aqui porque eu me preparei e quero contribuir para que mais profissionais capacitados recebam essa chance de mostrar seu potencial.”


Roger, técnico do Bahia

“Negar e silenciar é confirmar o racismo”, disse o técnico durante uma contundente entrevista coletiva depois da derrota de seu time para o Fluminense. “Minha posição como negro na elite do futebol condiz com isso. O maior preconceito que eu senti não foi de injúria. Eu sinto que há racismo quando eu vou ao restaurante e só tem eu de negro. Na faculdade que eu fiz, só tinha eu de negro. Isso é a prova para mim. Mas, mesmo assim, rapidamente, quando a gente fala isso, ainda tentam dizer: ‘Não há racismo, está vendo? Vocês está aqui’. Não, eu sou a prova de que há racismo porque eu estou aqui.”


O jogo

Venceu o Fluminense por 2 a 0, mas de certa forma todos saíram vencedores.


Victor Machado é professor de Geografia e Sociologia.


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