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O partido do Bozo, por Helcio Albano

Antes, porém, quero falar da Néia:

As câmeras de monitoramento da prefeitura de Niterói registraram em imagens, que dão na nossa cara, o assassinato [que-me-faltam-adjetivos-a-nominá-lo] de Zilda Henrique dos Santos Leandro, de 31 anos, pelo comerciante ‘cidadão de bem’ Aderbal Ramos de Castro.


Zilda, xará da Arns, conhecida como Néia, era moradora de rua, e perambulava pelo Centro da cidade pedindo esmola, a mesma esmola que motivou os dois tiros que recebeu no corpo magro, negro e ressecado daquele homem na manhã nublada do sábado, dia da proclamação da república.


As câmeras registraram esse que está longe de ser um fato isolado de atentados contra a vida de pessoas vulneráveis em situação de rua. Na mesma semana, em São Paulo, pelo menos 5 pessoas morreram envenenadas em circunstâncias mal explicadas, outras 4 seguem internadas.


O noticiário, todos os dias em pé de página, relata casos semelhantes em que não se tem apenas ódio à pessoa, mas ao que lhe aprisiona: a miséria que a obriga à sarjeta e à indiferença. A mesma que deu a um playboy de Brasília em 1997 o direito de botar fogo no índio Galdino pensando - veja você! - que o pataxó era morador de rua.


Assim justificou o seu ato: ‘morador de rua’.


Em São Gonçalo, de 2 anos para cá, foram pelo menos 3 assassinatos de modo idêntico: esmagamento de crânio por matacão.


Não tinha câmeras...


Plus

Finalmente é parido, em forma e conteúdo, como resultado de uma crispação civilizatória, uma tragédia à brasileira, o partido do Bozo, doravante PB.


O PB foi apresentado na quinta (21), em Brasília, com manifesto e estatuto, inteiro em sua perversidade, sandices, delírios e ilegalidades. Sim, é um partido fascista, defensor decidido, consciente e convicto da necropolítica, do extermínio [real] dos seus inimigos reais ou imaginários. E para isso não esconde e zomba: escolheu como número de urna o 38, o calibre de arma conhecida da Taurus.


Infelizmente, para os marqueteiros do PB, os calibres mais potentes, 12, 45 e 50, são usados por trabalhistas, sociais-democratas e socialistas.


O PB é uma mistura de olavismo com Integralismo mal escrito e neopentecostalismo, que defende a vida, mas prega a morte; quer-se nacionalista sem Estado e, finalmente, louva o liberalismo condenando o globalismo (seja lá o que isso for).


Não tem como dar certo.


E para comandar a falange, ou melhor, o PB, Bozo 00 presidente, Bozo 01 vice-presidente e Bozo 04 secretário. Outros bozolites comporão a executiva da legenda que carece, diga-se, ser criada oficialmente. E até lá, geralmente, tem-se um longo caminho.


Em qualquer país minimamente sério tal partido já seria barrado no cartório.


Bônus

Espero não ter sido over, mas como é bom ter sempre à mão a genialidade do Renato Aroeira para nos fazer entender.


Jabá

Estaremos no dia 26/11, na terça, trocando uma ideia sobre a cidade e o Brasil no Efeito Colateral, dos queridos amigos Rafael Massoto e Victor Rosa. Vai ter uma galerinha boa que vai das as caras na Casa das Artes Villa Real, no Zé Garoto. O evento começa às 19 horas em ponto.


Pinta lá.

Helcio Albano é jornalista e editor do Jornal Daki.



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