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O Sambista de berço: Bráulio Valentim, por Oswaldo Mendes


Bráulio e o inseparável pandeiro/Foto: Acervo pessoal

Nascido na Travessa Odete, no Cubango, em Niterói, nos idos de dezembro de 1955. Viveu a infância em Maceió, Pendotiba, retornando ao Cubango onde passou bastante tempo, iniciando na Bateria Mirim do Bugre do Cubango, em Viçoso Jardim, onde desfilou – isto antes da fundação do Acadêmicos do Cubango.


Morou também em Martins Torres, Belém do Pará, Engenho Pequeno e Brasilândia, em São Gonçalo. De família com onze irmãos, pai era Técnico de Manutenção de Aviões e a mãe, senhora maravilhosa, do lar. Hoje já é avô.


Participou de diversas agremiações carnavalescas, seja como fundador, integrante, na direção ou como passista, Harmonia, percussão geral e Compositor.


Em Cima da Hora, como diretor de Bateria - na Brasilândia. Na Cubango como passista, Ala de Gafieira, Samba Show, Harmonia e Ala dos Compositores. No Salgueiro – como passista, No Bloco Arrastão do Porto da Pedra, com Jurair, Quentinho e o saudoso Lelego. No Invasores, na Praia das Pedrinhas, com Arlindo. Paz, Amor e Respeito, com Mestre Adão – da Brasilândia. No Porto da Pedra, em sua apresentação, ainda como bloco em São Gonçalo, foram campeões, tendo seu presidente, à época, como Jurair e o saudoso Lelego, isto antes de ser convidado por Paulo de Almeida para participar do carnaval do Rio.


Participou também da Império do Porto da Pedra. Nessa época, explica Bráulio, aconteceu a fusão entre as agremiações, indo participar do carnaval do Rio, convite feito anteriormente ao GRES Camisolão, o qual refutou.


Participou também do Acadêmicos do Porto Novo; do Unidos do Bárbara, em Marambaia. Em São Fidélis, como multiprofissional e ganhando o título. Participou da fundação do Bloco Mão na Pomba, bem como do 100 Preconceito e diversos outros.

Lembra-se de Encontro de Baterias, onde participaram diversas agremiações fortes da cidade como: Cruzamento do Amor, Bairro Almerinda, Coqueiro, Bafo do Leão, Acadêmico da Carioca, com Moacyr MM. Com Maria Lata D’Água, deram show na Avenida Amaral Peixoto, em Niterói.


Fez diversas apresentações nacionais e internacionais com seu pandeiro, seu amigo e parceiro.


Relata e reconhece o esforço de Bira, da Associação de Escolas de Samba e Blocos de São Gonçalo para manter o carnaval da cidade, pois, na sua versão, São Gonçalo sempre deu pouco apoio à Cultura e o carnaval sempre foi descriminalizado, “coisa de preto e pessoa que não tem o que fazer”, ainda somada à intolerância religiosa.


Exalta Bráulio, problemas, dentre outros, com a Liga e as Escolas de Samba com as prestações de conta, as quais é obrigatoriamente formal, mas sempre houve dificuldade, por diversos motivos nesta parte, até mesmo por desconhecimento de técnicas e contratar os profissionais para controle eram caros e o dinheiro parco.


Também foi jurado na cidade de São Gonçalo, a convite da Jornalista Sandra Figueiredo e Walfrido, a qual considera uma ótima experiência.


Participou também de grupos teatrais e de música, principalmente pagode.


Em acidente de trabalho perdeu o movimento do braço, que para o percursionista é muito difícil, mas superou. Com o Samba, deu a volta por cima e venceu.


Reforça sobre o não reconhecimento da Sociedade – e até mesmo das Agremiações - por atividades culturais, como um todo e principalmente com relação a questões afro-brasileiras. “Quantos Sambistas do lado de cá você já viu ou ouviu falar homenagens que não seja no cemitério?”

Considera que o dinheiro e o luxo chegaram ao carnaval para não mais sair. As pessoas vão às Passarelas do Samba ou assistem ao carnaval pela televisão como um grande teatro. As grandes apresentações em clubes, como o Tamoio, das fantasias de luxo, feitas, dentre outros, por Bornay e Evandro foram para a avenida e ficaram eternizadas ao levarem suas artes para não mais uma pequena passarela, mas para todo o mundo. O luxo e a beleza dessas fantasias foram exportadas dos clubes para a avenida pelos carnavalescos como Joaozinho Trinta, Leandro, Louzada, Milton Cunha e outros.


Afirma Bráulio também que o samba-raiz nunca desaparecerá. Modismo aparecem, mas a tradição se mantém em cada um que relembra, homenageia os seus antepassados.

Bráulio Vatentim, um verdadeiro Cidadão-Samba. Um Griots. Um baluarte.

Oswaldo Mendes é sambista e engenheiro.




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