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O semáforo, por Fábio Rodrigo


Era dia de muita alegria para os moradores do município de Santa Terezinha do Mato Alto. Toda a população estava na rua para presenciar um marco histórico, que certamente será lembrado por muitas gerações matoaltenses. Era dia de inauguração do primeiro semáforo da cidade. A promessa do prefeito era dar ao municipiozinho status de cidade grande, apesar de a população não chegar a mil habitantes.

A festa estava pronta. A prefeitura havia decretado feriado na cidade. Em um palanque montado no meio da praça, o prefeito disse, bastante emocionado, que agora Santa Terezinha do Mato Alto será vista com outros olhos. Após o discurso, muitos aplausos foram dados por todos que ali estavam. Podia-se ver nos olhos de cada um a euforia por viver em uma cidade que agora possuía semáforo. Era motivo de muito orgulho para um povo extremamente carente, quase todo analfabeto e constituído em sua maioria por trabalhadores do campo.

Após todos ouvirem atentos o hino do município de Santa Terezinha do Mato Alto, o prefeito e os secretários de obra e de transporte se dirigiram para desnudar o semáforo. Era o momento mais aguardado por todos. O semáforo finalmente estava à mostra. Rajadas de fogos de artifício marcaram a execução do ato solene. A emoção estava estampada no semblante de cada um dos que acompanhavam a cerimônia.

No dia seguinte, a vida de Santa Terezinha do Mato Alto voltava ao normal. O semáforo estava inaugurado e, com sua luminosidade, controlava o tráfego moderado de carroças movidas a jegue que percorriam a única avenida da cidade.

Fábio Rodrigo Gomes da Costa é professor e mestre em Estudos Linguísticos.



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