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Otto do Lava Jato: Filho de Ogum, do samba e excepcional poeta, por Oswaldo Mendes


Otto/Foto: Acervo pessoal

Nascido na Casa de Saúde Alcântara, no ano de 1970, filho do Seu Otto, contador e funcionário público, e sua querida mãe, dona de casa mais especial do mundo, Olívia. Morou na Engenhoca até os 9 anos de idade, mudando-se para o Engenho Pequeno onde reside até hoje.


Engenhoca, Cubango, Fonseca, Barreto e a Garganta eram os locais onde fervilhavam a Cultura em Niterói. Corações Unidos, Bloco da Calça Lee, Canarinhos da Engenhoca, Bloco do Zorro, Cubango e Viradouro eram algumas das agremiações carnavalescas da época, assim como diversos clubes como o Fonseca, Cantusca, Caixote e Fluminense. Era época também do Movimento Black e do início das ‘equipes de som”, como a “Shadows”, de alunos de eletrônica do ex-colégio da PM, o atual Colégio Estadual Brigadeiro Castrioto. A “Turma da Bruxa” quem se lembra?


Traz em suas lembranças as Seções de Umbanda realizadas no Terreiro de sua avó materna e madrinha Almerinda Pereira de Castro, que ficava localizado na Rua Jerônimo Afonso no Fonseca e vizinho da extinta Rádio Relógio, onde todos iam lá para pedir proteções aos Orixás. O que mais o fascinava, quando ainda menino, era o som dos Atabaques que sempre fazia questão de tocar ao final das Sessões.


Lembra ainda da feijoada preparada na lenha por sua mãe e tias, assim como das Serestas no quintal da casa do seu Tio Rodoval, autodidata no Bambolim. Um ambiente rico na cultura afro-brasileira com fortes laços comunitários e de família.


Começou cedo a frequentar as Rodas de Samba que aconteciam na quadra do GRES Corações Unidos, da Engenhoca, uma potência do carnaval da época, considerado como o segundo melhor carnaval do país. Só quem vive ou viveu na Engenhoca que pode sintetizar a energia e a paixão pelas Agremiações, assim como a rixa e a disputa entre elas.


Otto se diz apaixonado por carnaval, sempre teve o samba em suas veias e principalmente a influência de seu tio e padrinho, conhecido como Ivan Malandragem, o qual era ritmista da Escola de Samba Canarinhos da Engenhoca.


Católico e devoto de São Jorge, frequentador assíduo das missas que acontece todos os Domingos às 8:00 horas, na Igreja de São Jorge, em Niterói, se glorifica de nunca deixa passar em branco o dia 23 de Abril, realizando, em homenagem ao Santo Guerreiro, a tradicional Feijoada e, claro, regada a muito Samba.


O pai de Otto, em 1979, compra um terreno e mudam-se da Engenhoca para o Engenho Pequeno, bairro denominado pulmão de São Gonçalo, com diversas áreas de lazer e baixo índice de violência. Campo do Ajax, Pedreirão e do tradicional Campo do Fazenda para jogar uma pelada, porém, antes tinha que tirar as “vassourinhas” do campo, caso contrário Sr. Irenio não deixava a garotada brincar, apesar de não ser seu forte jogar bola.


Relembra também do Campo do Pedreirão e da festa junina maravilhosa do bairro, com inúmeras atrações e, inclusive, da equipe de ponta Furacão 2000, que fazia a sonorização e tocava.


Com o saudoso Arlindo, ainda muito jovem, ia para o GRES Camisolão, escola de samba que naquela época nem era coberta. Ele cita que tinha em torno de 14 anos e já se considerava adorador de samba. Lembra-se ainda da casa de shows denominada Fireday, na Mentor Couto.


Sua primeira parceria foi à convite de seu saudoso amigo, o Compositor Buda, o qual se sagrou campeão de vários sambas de enredo, inclusive no GRES SÃO CLEMENTE, onde também concorreram outras vezes. Mantiveram uma parceria de sucesso, sendo vencedores de concursos de sambas de enredo na Escola de Samba Leopoldina. Consagraram-se tricampeões do bloco de maior sucesso do Carnaval de Santa Catarina, o Bloco Carnavalesco Catinga de Mijo, juntamente com o Compositor Marinheiro. Francisco Canella - o maravilhoso Chico – está como presidente do Catinga de Mijo, há quase uma década.


O Bloco Catinga de Mijo resgata uma tradição do bairro de Santa Catarina do samba, tendo em sua história outras Agremiações como o Bloco da Calça Lee, Bafo de Leão e o Cruzamento do Amor, bem como clube e cinema, onde a cultura sempre pulsou.


Cita também o compositor Marquinhos do Agogô como um grande amigo e parceiro, além de Alcyr de Paula, ex-intérprete da Tijuca e outras agremiações.


Eterno apaixonado pela Escola de Samba Mangueira, após a morte repentina de seu amigo Buda, atravessou a poça e foi começar sua trajetória no GRES Estação Primeira da Mangueira, junto com Marinheiro e tornando-se Compositor da sua escola do coração, onde teve a honra de conhecer Baluartes do mundo do Samba como Tantinho e Rody dentre outros mais.


Fez parceria no GRES Mangueira com Flavinho Machado, Heraldo Faria, Jerônimo GG (atual Presidente da Ala de Compositores da Mangueira) dentre outros, vindo a consolidar sua parceira com André Siqueira e Jansen Nascimento.


Alegra-se de ter recebido da Câmara Municipal de Niterói, juntamente com o grande Compositor Altay Veloso e outros bambas do Samba, das mãos do Vereador Paulo Eduardo, o Diploma “Personalidade do Samba Carlos Magaldi”, só lembrando que Carlos Magaldi foi um grande incentivador do carnaval em Niterói, por várias décadas.


Autor de vários Sambas de Enredo, Partido Alto e Pagode, além do samba sua outra paixão é o FLAMENGO.


Viver com sensibilidade, amor à população, defender a cultura popular e sua ancestralidade é parte integrante da maravilhosa pessoa denominada Otto do Lava Jato – Otto da Mangueira.

Oswaldo Mendes é engenheiro.






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