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PC Portugal: Um expoente da vida contado em versos e prosas, por Oswaldo Mendes


Paulo Cesar Potugal/Acervo pessoal

Paulo Cesar Portugal, nascido em Cambuci, estado do Rio de Janeiro, em 19 de novembro de 1953. Aos quatro anos de idade, veio para Niterói, exatamente no Bairro de Tenente Jardim. Depois mudou-se para a Favela Nova Brasília, comunidade que recebeu esse nome em homenagem à fundação de Brasília pelo então presidente JK.


Paulo Cesar Portugal tem um título como Cidadão Gonçalense.


Pelas vias da Engenhoca, gigante bairro de Niterói, o nome do ônibus - Auto Viação Brasília - tem correlação com a comunidade ali instalada, pois era Viação Real.


O pai de PC Portugal era palhaço de Folia de Reis e analfabeto. Assim, PC comprava livros de Literatura de Cordel e lia para seu pai, que decorava e se apresentava nas Folias. Dessa forma, Paulo Cesar começou a aprender a fazer rima, criando versos para a apresentação do seu genitor, quando ainda muito criança.


Ressalte-se que atividades culturais, como a Folia de Reis, vêm sendo muito perseguidas, há décadas, por pessoas alegando ser religiosas e correlacionando com o demônio essa linda atividade cultural; assim vem perdendo, dia a dia, seus adeptos, estando quase desaparecida.

Relembra PC que a Folia de Reis, que seu pai participava, era a Estrela do Oriente, denominada popularmente de Folia de Seu Trajano, que ficava na última casa do morro denominado Arena. Havia também outra Folia no Morro do Papagaio, denominada de Folia de Seu Francisco.


Com a criação muito rígida pelos seus pais, saudosos Oswaldo Portugal e Creusa Rosário Portugal, muito cedo teve que sair para o mundo real para trabalhar e agradece muito ao Samba por não deixar envolver-se em questões que poderiam manchar seu caráter.


Aos dezesseis anos, fez seu primeiro samba, pois namorou uma menina e seu pai era compositor do Bloco Xavante do Paraíso, para o qual a menina o apresentou como compositor. Foi-lhe dado um enredo denominado A Gruta dos Amores e daí saiu o primeiro samba enredo.


Antes deste período já participava do Bloco Canarinhos da Engenhoca, em diversas atividades que lá ocupou, desde ritmista, Secretário, Tesoureiro, Diretor e até mesmo como Presidente, por duas vezes.


Em outro ponto de sua trajetória PC Portugal foi Líder Comunitário, fundou a Associação de Moradores dentro da Favela Nova Brasília o que lhe fez conhecido dentro do Mundo Político.


Aos dez anos de idade já trabalhava para ajudar a família numerosa. Numa passagem seu pai conseguiu uma vaga para trabalhar como Cobrador de ônibus na Viação Nova Brasília, através de seu amigo, o Chefe de Tráfego Nunes, mas tinha que ter o uniforme, de cor marrom. Seu pai lhe deu o dinheiro e com o valor em mãos foi ao depósito de doces Triunfante, em Vila Lage. Comprou mariola merendinha – nome recebido por caber exatamente num pão francês e era o lanche dos abastados à época. Os menos endinheirados, quando lanchavam, era pão manteiga e açúcar cristal. Comprou a mariola e foi para as ruas vender. Nascia ali o vendedor ambulante – Camelô - PC Portugal.


Como Vendedor Ambulante fundou a primeira Associação de Vendedores Ambulantes de Niterói - AVAN, isto já no Governo de Moreira Franco.


Define PC que há três tipos de Camelôs: aposentados com baixo salário; ex-presidiários – que veem uma saída em face da não aceitação pela Sociedade em reinserção e aqueles que começaram cedo como vendedores ambulantes e assim passaram a vida toda; pessoas com tino comercial, mas sem a formalização legal, muitas vezes em face da grande burocracia, custos e falta de interesse pela legalização.


Em visita a São Paulo viu um camelô vendendo uma escultura que simbolizava um bolo fecal – fezes. Muitas pessoas em volta. Conseguiu o endereço da fábrica e comprou em torno de dez mil unidades que foram trazidas para Niterói e espalhadas entre os outros camelôs. Foi uma festa na cidade e de ganhos financeiros. Lembra-se rindo.


Percursionista desde cedo, Paulo Cesar Portugal, com as dificuldades econômicas da época e muitos centros espíritas, também se aperfeiçoou como Ogan – aquele que toca e canta – rendendo, assim também, alguns valores que muitas vezes lhe davam após ajudar em sessões espíritas.


Foi enredo de carnaval no Bloco Carnavalesco Pingo D’Água, com o amigo, compositor e cantor Hugo Camburão; O enredo foi de Cambuci para o carnaval. Foi o enredo!


Em 14 de janeiro de 1964, foi fundado, na Travessa Quatro, o Bloco Carnavalesco Canarinhos da Engenhoca - exatamente no dia do aniversário de Ivan Perpetuo que, posteriormente, foi alçado à Escola de Samba. PC lá chegou em 1966.


Em 1967, o saudoso Wilson Simonal foi homenageado por esse bloco de embalo. Nessa época, o Canarinhos se filiou à Associação de Blocos e Escolas de Samba de Niterói. Em 1968, em avaliação, o Canarinhos da Engenhoca foi desfilar com o samba de Carlos Moura, que PC considera como um dos maiores compositores que por lá passou.


Em 1969, o Canarinhos ganhou o carnaval. Em 1970, já no segundo grupo do carnaval de Niterói, homenageou Benta Pereira – Heroína de Campos – com o samba enredo com mais de cinquenta frases e perdeu o carnaval para Flor da Mocidade – do Caramujo.


Há um detalhe neste caso, pois o saudoso José Vicente Sobrinho descobriu um detalhe e apresentou Recurso, pois, o samba que a agremiação vencedora cantou na avenida, foi um samba concorrente em outra agremiação, exatamente na União da Ilha do Governador. O Recurso foi entregue à Comissão de Carnaval de Niterói – que se lembra que integrava o Sérgio Chacon e foi aceito o Recurso. Canarinhos campeã e Flor do Caramujo foi desclassificada e nunca mais desfilou.


Já no primeiro grupo, o GRES Canarinhos da Engenhoca, sofreu uma grande perda quando, no dia 23 de dezembro de 1970, seu presidente morreu eletrocutado, trocando as telhas da quadra da agremiação. Foi homenageado com seu nome na antiga Travessa Oriente, como Zalmir Garcia. Em plesbicito foi definido e decidiram desfilar.


Com enredos como Chico Buarque e até descobriram o fundador das Escolas de Samba esquecido num barraco em Jurujuba e dele o escritor, caricaturista e carnavalesco Carlos Alberto da Costa descobriu o mesmo e dele fez enredo, Ismael Silva, são legados do Canarinhos da Engenhoca, que atualmente está com sua bandeira enrolada.


Como Líder Comunitário e com atividades focadas na Engenhoca, PC Portugal, sempre pedia favores políticos para a Comunidade ou para a agremiação, com políticos da época, de onde veio seu conhecimento com o saudoso vereador José Vicente, em torno de 1969, por qual trabalhou por mais de trinta anos e possui grande afinidade com toda a sua família.


Aos dezessete anos já estava na campanha política de José Vicente.


Na sua gestão, PC Portugal, foi o primeiro a colocar uma creche dentro da agremiação e também serestas, unindo assim a necessidade da população e outros públicos, que gostavam de música.


PC Portugal recorda que, no Clube Guarani, que tinha futebol feminino – proibido pela legislação à época, havia uma menina que era chamada de Pelé de saia – Vera - e ela também jogava no Cadetinho – time masculino da Engenhoca.


Corações Unidos, Canarinhos da Engenhoca, Onze Unidos, Palmeirinhas, Clube Barradas, Clube Bangu, e outros clubes. A atividade cultural na Engenhoca sempre foi muito grande. Uma explosão cultural que deu à Sociedade muitos bons frutos. Tem muita saudade da Engenhoca. Lembra do torneio no Campo do Cadete, Maracanazinho e na Cel. Leôncio – no campo do Teimosinho - organizado por Juvenil Cunha e onde atraia milhares de espectadores, todos os finais de semana.


PC Portugal já foi compositor do Salgueiro, onde, inclusive, chegou a uma final de samba enredo.


O padrinho de PC Portugal, José Vieira Santos, morava na Rua Celso Queiroz e, com outras pessoas, decidiram criar um bloco. Como o português Santos tinha ido visitar a família em sua terra natal, trouxe uma grande camisa que virou chacota entre os mais próximos e inclusive música. Era a camisola e seu Pires fez o primeiro samba.


O sócio do bar do Santos era Silvério. Assim nasceu o Camisolão com a participação na fundação por PC Portugal. As peças da bateria em emprestadas do Canarinho da Engenhoca por PC. Ensaiavam na esquina da Rua Celso Queiroz, isto em 1973. Foi duas vezes presidente, tesoureiro, diversos sambas campeões.


Com o enredo “Elis eternamente Regina”, o maravilhoso Surrey – da Ala dos Artistas da Viradouro - apresentou uma menina com grande aparência física com a Elis e a levou a uma boutique para compra de sua fantasia para o desfile no GRES Camisolão, sendo que ele, Surrey, gasta todo o dinheiro da subvenção na fantasia. Essa é uma das inúmeras passagens de carnaval. Lembra dos festivais de samba enredo realizados pelo também Baluarte Ito Machado que chegavam a ter cento e oitenta sambas concorrendo.


Outra faceta de PC Portugal é a composição de jingles políticos, os quais alcançam até quinze por temporada.


Quando a Cubango e Viradouro foram para o Rio, PC e Mocotó foram para a agremiação verde e branca de Niterói. Após dois anos, Mocotó foi para a Viradouro, mas PC Portugal por lá ficou por mais um ano, optando a Viradouro a seguir, inclusive por ser mais próximo e por orientação de Pururuca.


Já na Viradouro, o saudoso Telinho lembrou da dificuldade de se ganhar um samba naquela agremiação e hoje, Paulo Cesar Portugal – Presidente da Ala dos Compositores do GRES Viradouro há vinte anos, é o maior vencedor de sambas enredo com doze sambas enredos e um samba de quadra.


Chegou na Viradouro sendo alçado pelo presidente da Ala dos Compositores da Viradouro como segundo tesoureiro e onde se encontra há trinta anos. Se orgulha a dizer que entrou para a agremiação para ganhar sambas e acabou se apaixonando pelo GRES Viradouro.

Paulo Cesar Portugal em todo este dialogo evitou citar nomes para não ser injusto, mas ao ser perguntado se queria dizer algo mais não se furtou a lembrar e homenagear o nome de Gilson Pena Branca, a voz mais bela da avenida.


Este é o Paulo Cesar Portugal com suas histórias e realizações – um verdadeiro Baluarte do Samba, nascido de um livro, livro de cordel, que transformou um menino simples em um menestrel!


Oswaldo Mendes é engenheiro.





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