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'Quinhentão' do FGTS não faz nem 'cosquinha' na crise econômica

Trabalhadores poderão sacar R$ 500 de cada conta, ativa ou inativa, do FGTS em 2019. Impacto positivo na economia é pífio

Por Rodrigo Melo


O governo federal anunciou na quarta (24/7) novas regras para saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pelos trabalhadores com contas ativas e/ou inativas em 2019 e a partir de 2020.


Este ano, de setembro até dezembro, a Caixa Econômica Federal (CEF) fará depósitos automáticos de R$ 500, de cada contrato, seja ativo ou inativo, na conta dos trabalhadores. O calendário de saques ainda será anunciado e, quem não quiser, deverá avisar ao banco desde agora. Quem tiver conta poupança na CEF recebe direto. Quem não tiver, pode sacar usando o Cartão Cidadão no caixa eletrônico ou no guichê do banco.


Já a partir do ano que vem, o beneficiário poderá escolher se deixa o dinheiro no Fundo ou se faz o saque uma vez por ano, em porcentagens e alíquotas fixas de acordo com o saldo de cada conta, na modalidade de "saque aniversário". Veja a tabela:

Se escolher essa opção, o trabalhador terá que abrir mão de resgatar a totalidade do fundo caso seja demitido sem justa causa. Há, porém, possibilidade de volta à modalidade anterior, sem saque anual, mas só passa a valer após dois anos da primeira mudança.


Com essas mudanças, o governo espera injetar, em 'dinheiro novo', R$ 28 bilhões na economia até o fim de 2019. Segundo técnicos da Fazenda, o objetivo é amenizar os efeitos da recessão que atinge o país, embora especialistas e o próprio Bolsonaro admitam que esta ação terá pouco efeito na atividade econômica: “É uma pequena injeção na economia” , disse o presidente.

A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto para esse ano, mesmo com a liberação dos saques do FGTS, é de 0,81%, o que é pífio para as necessidades de um país que detém, oficialmente, 13,6 milhões de desempregados e mais outros 12 milhões de subempregados. E ainda nesse cenário, segundo o IBGE, 63,4% das famílias endividadas.


O dinheiro anunciado do FGTS não fará nem 'cosquinha' na crise econômica.


Maria Fernanda Coelho, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, disse ao jornal Brasil de Fato que a medida é de “uma irresponsabilidade absoluta”, já que os recursos do FGTS são predominantemente usados para promover o financiamento nas áreas da habitação, saneamento e infraestrutura. Áreas que mais empregam e que mais geram justiça social, porém, as que mais sofrem com a crise econômica, o que tende a se aprofundar com o esvaziamento do FGTS.


Mas, a mesma Maria Fernanda, arremata:

- Claro que, para o cidadão que paga sua dívida, é uma coisa muito importante. Porém, nada além disso. A medida não trará investimento, geração de emprego ou expectativa positiva em relação a classe trabalhadora. Na prática, os bancos serão os maiores beneficiados.


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