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Romulo Narducci: 'Preciso ocupar meu tempo ocioso para não pensar merda'

Romulo Narducci é um cara multifacetado, forjado nas artes, suburbano com muito prazer e gozo. Poeta e amante da vida. Escritor, músico e... advogado? Sim, advogado,e frente da Comissão de Cultura da OAB de São Gongon. Falaê.


Por Erick Bernardes

Quem é Romulo Narducci na visão do próprio Romulo?


Difícil fazer uma autoanálise. Ao mesmo tempo que tenho pretensões cósmicas com a minha arte, por outro lado rogo de não ficar me sobrepondo e polindo meu próprio ego. Bem, acho que respondi, não é? (Risos)


Li dois dos seus livros, um de contos, que me remeteu à estética de Poe, e o último, que é de poesia, Canção de ninar monstros. Pergunto, é um projeto estético esse vagar sombrio pelos becos e sarjetas? Falaria mais sobre isso?


Amo a literatura de Edgard Allan Poe. Mas sendo bem sincero, não é mais dessa garrafa que me sirvo de inspiração. Obviamente traços permanecem, pois fui no início muito influenciado pelo universo gótico, escrevia poemas ouvindo Bauhaus, Nick Cave e Emma Shaplin. Então a literatura que me dava base como Poe, Baudelaire, Augusto dos Anjos ainda devem permanecer como uma névoa no pano de fundo dos meus textos.


Vamos lá... haja fôlego para citar minhas atuais referências. Quando tive contato com o cinema de Pier Paolo Pasolini, Almodóvar, Quentin Tarantino e Lars Bom Trier, além das literaturas dos Beatniks, Gabriel García Márquez, Bukowski, Anaïs Nin, Heny Miller e John Fante, comecei a me reconstruir jogando tudo isso num liquidificador de ideias. Claro que cada escritor busca desenvolver o seu estilo próprio, mas é inegável que as referências estão aí.

Soube que você está às voltas com a produção de um livro, daria um aperitivo para os leitores do Daki?


Claro. Estava escrevendo um romance, mas como começou a ficar muito extenso, dei uma respirada, engavetei por um tempo e mergulhei de novo nos contos. Tive um baita empurrãozinho da Carolina Hubert, minha amiga e editora da revista Vício Velho. Escrevi dois contos que foram publicados na revista, o segundo sobre punks do subúrbio fluminense. Ambos gostamos do resultado. Mostrei para o Miguel Jost, que foi meu orientador de narrativas curtas na FLUP, no ano passado, e ele me deu um retorno excelente, elogiando e me entusiasmado a escrever sobre Rock de subúrbio. Então, com isso, estou quase finalizando um livro de contos sobre essa temática. Não faltarão citações a bandas e letras de várias vertentes do Rock, com histórias que irão transitar entre a nostalgia, a distopia, a ficção científica, o terror, a loucura e a realidade. Esse livro está sendo um grande desafio pra minha cabeça doida (Risos). Os contos que publiquei na Vício Velho estarão no livro. Outro que também estará será publicado ainda esse mês na revista, que é virtual.


Creio que é impossível desvincular a sua arte da tão marcante Uma Noite na Taverna, isso pra você já é saturado ou lhe agrada como artista?


Jamais será saturado. Volta e meia estamos tentando trazer o Uma Noite na Taverna de volta. Tentamos desde o ano passado com o SESC, mas o projeto ainda não saiu do papel. Só que buscamos nos reinventar. Pois achamos que o modelo "sarau" já está batido demais. Apesar da Taverna nunca ter sido um sarau. O formato é um evento multicultural que tem a poesia como principal.


Tanto para o Rodrigo Santos, quanto para mim, acredito que para muitos artistas que passaram pelo evento, o Uma Noite na Taverna serviu como artéria para outras ações artísticas na carreira de cada um. Não precisa desvincular o escritor e poeta Romulo Narducci do Uma Noite na Taverna. Para isso tenho o símbolo do evento tatuado no braço direito.


Além de escritor, você é músico, DJ, advogado, dentre outras coisas, como você consegue gerenciar tudo isso?


Sou solteiro, não tenho família e moro sozinho. Preciso ocupar meu tempo ocioso para não pensar merda (risos).


6 Quem quiser contactar o Romulo, como proceder?


Estou no Facebook e no Instagram, só chamar!


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