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Rod Torres: Um apaixonado pelo samba na Laje do Rurú, por Oswaldo Mendes


Rodrigo Castro Torres, o Rod/Foto: Arquivo pessoal

Nascido e criado em São Gonçalo, Rodrigo Castro da Silva Torres, com nome artístico de Rod, atualmente com quarenta anos, com formação em advocacia, tendo como pais Ademar Carlos Marinho Torres e Heloisa Castro da Silva Torres, morou até os cinco anos no Vila Lage e depois mais trinta anos na Trindade. Atualmente mora em Jacarepaguá.


“Tio Iko e Tia Ilma foram minhas referências na minha infância e juventude para o carnaval. Ele sempre ficava na casa deles, onde em época momesca se tornava um barracão adaptado. Ele sempre nos levava na Avenida Presidente Vargas, no Rio, para ver os carros alegóricos e aquilo aguçava o meu interesse pelo carnaval. Me encantava. Tio Iko era presidente da Ala dos Compositores do Boêmios da Madama, atualmente com bandeira enrolada”, expõe Rod.


Voltando para casa, Rod Torres, acompanhava pela televisão os desfiles das Escolas de Samba e tudo aquilo que tinha visto, parado e inerte, ganhava forma, movimento e uma razão de ser. O inanimado ganhava vida, luz, cor, mensagem... envolto num canto, no bailar das pessoas, dentro e fora da avenida. Tudo se integrava e assim conseguia entender o que estava acontecendo e cada dia mais ia se apaixonando pela cultura do carnaval.


Sua infância foi no Clube do Vila Lage e nos campos de futebol da Trindade, denominado de “Três Campos”. Infância maravilhosa, onde também se apaixonou pelo futebol.


Começou a escrever letras de MPB e pagode. Sua formação em Direito muito lhe ajudou na escrita. Escreveu crônicas esportivas no site da “Turma do Pop Bola” e nas rádios do Rio de Janeiro. Futebol é outra paixão.


Quando adolescente começou a frequentar as quadras de samba dentre elas a Porto da Pedra, Viradouro – onde a família de Rod tem grande afinidade com o Compositor Mocotó, e Cubango. Posteriormente visitou Salgueiro e se encantou com a presença do saudoso Mestre Louro. Na Portela, Tijuca e Imperatriz Leopoldinense ficou marcado com o enredo da Estrela Dalva.


Começou a acompanhar as disputas de samba e num certo momento da vida se achava capaz para fazer um samba, mas não tinha parceiros para colocar um samba. Os seus amigos não tinham vontade de acompanhá-lo em sambas enredo. Em frente à sua faculdade – UNIVERSO – tinha o Bar do Bigode que era um antigo Compositor do GRES Porto da Pedra. Conversavam sobre o assunto de carnaval e certo dia Bigode fez o convite para Rod conhecer a Ala de Compositores, o qual foi aceito.


Com amigos da Mocidade Independente e Acadêmicos de Vigário Geral coloca seu primeiro samba na Porto da Pedra, na eliminatória de 2013. Primeiro samba. Pura felicidade. Caiu, mas valeu muito a experiência, o apoio de todos para continuar a produzir, escrever e aparar as arestas que tinha. Aprendizagem contínua.


Com os Compositores Paulo Beckman, Sidney e João Paulo fez a segunda obra e nova parceria no ano seguinte, isto já integrado na Ala de Compositores da Porta da Pedra. Já colocou obras na Império da Tijuca, São Clemente, Vila Izabel e Botafogo Samba Clube como campeão e a escola ascendeu na Intendente.


O termo Escola de Samba vai além do samba em si. Você aprende a gostar dessa cultura, aprende história, relações humanas, geografia, métricas e outras matérias. Numa sinopse de um samba enredo, o Compositor tem a oportunidade de aprender muito. São temas variados, onde é preciso se aprofundar em detalhes, muitas vezes imperceptíveis ao grande público. Colocar em versos, numa ordem cronológica, conseguir apoio e adeptos à sua obra, buscando sempre o melhor para a Comunidade e sua Agremiação. Um aprendizado maravilhoso. Você é lançado ao aprendizado.


“Compositores são poetas, que transformam em letras e melodias as histórias, os enredos e contos, através de técnicas milenares, repassadas através da cultura ou bancos escolares”, define Rod.


As alas comerciais dentro das escolas de samba, o luxo e a riqueza, fizeram com que a Comunidade se afastasse da avenida, mas com essa medida houve o reflexo nas notas dos jurados, pois quem não tem vínculo com a Agremiação não se vê na obrigação de cantar o tempo todo na avenida ou até mesmo carregar uma alegoria de mão, pois pagou para ali estar. A Comunidade é imprescindível. Todo bônus tem seu ônus. A Comunidade é uma peça muito importante de uma Agremiação. O elo entre o que foi pensado pelo Carnavalesco, versado pelos Compositores, cadenciado pelos Ritmistas, tornados fisicamente presentes pelos Artesãos; é o canto – a Harmonia.


A pasteurização do samba advém muito do samba de encomenda e dos ditos “escritórios de samba”. É receita de bolo, mesma melodia. Só há alteração na letra, mas existe medo de retaliação. O talento está sendo deixado de lado. Lembre do último samba antológico. O samba resistirá aos escritórios. As Alas de Compositores das Agremiações são fontes de criação e deveriam ser mais exploradas e valorizadas. Deveriam dar mais valor à criação, fomentar novos talentos, agregar novas ideias, a valorização de um segmento da escola, relata Rod.


“Tenho Mocotó como um tio. Tio Ika e Tio Quina fizeram muitos sambas na Boêmios da Madama com esse Compositor multi-campeão”, exalta Rod.


Rod apresenta, como porta de entrada às escolas de samba, os concursos de samba de terreiro. Carnaval não é só três dias. Carnaval é o ano inteiro. O planejamento para o próximo ano inicia na quarta-feira de cinzas. Descobrir novos talentos é uma busca incessante, inclusive dando facilidades para os iniciantes. Defende muito a bandeira da Ala de Compositores da Porto da Pedra.


Rod participa de um canal no YouTube voltado ao carnaval onde é realizado entrevistas com pessoas do Mundo do Samba, que tenta apresentar que carnaval é o ano inteiro e que isso traz renda e emprego a diversas pessoas. O nome do programa é Laje do Rurú, com Alexandre Araújo – do RockBola.


Agradece muito à Anderson Paz, ao Beckman e demais parceiros; aos Tios que muito o incentivaram a conhecer o samba e a sua família que se estende à Ala de Compositores da Porto da Pedra.


Uma bela história de um apaixonado pelo samba.


Oswaldo Mendes é engenheiro.



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