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São Gonçalo como objeto de colecionismo: Calendariofilia, por Rui A. Fernandes


Calendário como marketing político/Acervo pessoal

Por mais difícil que possa parecer – para alguns – houve um tempo que não tínhamos celular! Neste tempo, para acessarmos informações sobre as horas e as datas usávamos dois objetos que hoje são quase obsoletos: o relógio e o calendário. Lembro-me que, quando criança, no final do ano, era orientado a ir ao comércio e não esquecer de trazer a “folhinha”. Na cozinha, minha mãe utilizava duas. Uma era para marcar a duração do botijão de gás – questão importante em um tempo que houve racionamento na distribuição e venda deste item básico para a vida das famílias brasileiras – e para outros registros.


Nosso atual calendário é denominado calendário gregoriano, pois foi promulgado em 24/02/1582, pelo papa Gregório XIII, com a bula Inter gravíssimas. Este substituiu o calendário juliano de tipo lunissolar, que gerava uma distorção de cerca de 10 dias. Tornou-se um padrão internacional, pela difusão da cultura europeia, desde as Grandes Navegações, apesar da coexistência de outros calendários relacionados a outras culturas.


Desde então, foram criados instrumentos visuais para que se registrasse o ano e se pudesse localizar o dia atual, ou algum outro a que se referia. Com a difusão dos serviços gráficos, foram criados vários tipos, formatos e suportes de calendários. Possuímos calendários de mesa, para fixação em paredes, de bolso e, em períodos mais recentes, distribuídos em festas infantis com a foto do aniversariante.


O calendário é um item colecionável, especialmente os calendários de bolso. Foram utilizados como estratégias publicitárias por empresas, comércios, prestadores de serviço e candidatos a cargos eletivos. Os calendários de bolso têm uma imagem estampada em uma das faces e, na outra, o registro dos meses encimado pelo nome, endereço e outros dados do empreendimento. Segundo o colecionador Luis Carlos Pinto, os calendários de bolso remontam ao século XVIII. Os calendários de parede reúnem, em apenas uma das faces, esses dois elementos. As temáticas das imagens foram as mais diversas: paisagens, flora, fauna, times de futebol, religiosas, humorísticas, eróticas, séries televisivas ou desenhos infantis, personalidades etc. Uma dificuldade na localização desses itens é sua efemeridade, ao concluir o ano estampado ele perde a função, é descartado e substituído por um relativo ao novo período. No entanto, como peça publicitária, nos permite analisar as estratégias de divulgação das marcas e serviços, além de nos mostrar que a prática de conceder brindes promocionais não é algo tão recente assim.


Bibliografia:

MARQUES, Manuel Nunes. Origem e evolução do nosso calendário. In: http://www.mat.uc.pt/~helios/Mestre/H01orige.htm Acessado em 25/10/2020.

Pinto, Luís Carlos. Calendário mais antigo. In: https://sites.google.com/site/lcpcalendars/calendarios-de-bolso/calendario-mais-antigo Acessado em 25/10/2020.


Imagens:

Calendário de Bolso. Unibancos. 1968. Acervo Pessoal


Calendário de Bolso. Tinta Coral. 1982. Acervo Pessoal


Calendário de Campanha política. 2008. Acervo Pessoal


Calendário imã. 2007. Acervo Pessoal.


Calendário de parede. 2016. Acervo Pessoal



Rui Aniceto Fernandes é professor de História do Departamento de Ciências Humanas (DCH) da Faculdade de Formação de Professores (FFP-UERJ).




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