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São Gonçalo e seus ícones literários: Honório Peçanha

São Gonçalo e seus ícones literários

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Honório Peçanha

Escultor e professor

Professor da Escola de Belas Artes.


Por Erick Brnardes

Honório Peçanha e seu Monumento de Plácido de Castro, realizado para o estado do Acre em 1963. Fonte: Acervo digital do Centro de Documentação Histórica e Informação (CDIH), da Universidade Federal do Acre. Arte: Jornal Daki

Honório Peçanha nasceu em Cantagalo (1907), no estado do Rio de Janeiro, frequentou as festas e reuniões em salões gonçalenses e faleceu em Niterói (1992). Revelou-se escultor e professor de notável senso crítico e sensibilidade plástica incomum na produção de suas obras. Sabe-se que Honório Peçanha iniciou sua formação no âmbito das esculturas no Instituto João Alfredo, no Rio de Janeiro, entre 1921 e 1924. Tornou-se aluno de Eduardo Augusto de Barros e Modestino Kanto, com quem deu prosseguimento aos estudos no Liceu de Artes e Ofícios. Trabalhou como professor efetivo de escultura na mesma instituição, alguns anos após de se formar. Já por volta de 1927, mostrou-se frequentador assíduo das aulas ministradas por Correia Lima. Tão logo adquiriu maior desenvoltura na profissão de artista (em 1928), entrou para a Escola Nacional de Belas Artes (1928), um pouco antes de viajar para a capital francesa, onde fechou com chave de ouro seus estudos formais na Académie de La Grande Chaumière.


Consideravam-no um escultor preocupado com as artes das cidades de São Gonçalo e Niterói, por se tratar de municípios não tão visados como o centro do Rio de janeiro. Sua obra influenciou artistas fluminenses de diversas localidades. Os bustos de sua autoria estão espalhados pelas cidades, embora nem sempre os gonçalenses e niteroienses tenham essa informação, a de que a arte de Peçanha se encontra pertinho dos seus habitantes. Exemplo disso é estátua de Ari Parreiras, aquele mesmo que nos legou nome de rua importante em SG. A imagem está localizada em frente do Cinema Icaraí e foi confeccionada com técnica apurada e muito bom gosto. Outras obras de sua autoria podem ser admiradas na Galeria de Fluminenses Ilustres, no saguão da Assembleia Legislativa, pois lá se encontram em exposição definitiva.


Segundo informações da Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras, “em seu ateliê na Rua Senador Dantas, no Rio, ele (Honório)” recebia as pessoas “com uma simplicidade rara para quem, como ele, teve obras espalhadas por todo o Brasil, do Acre ao Rio Grande do Sul, e no exterior”. O artista nutria predileções pelas esculturas aquele quê de posicionamento social, mesclado ao estilo figurativista e neoclássico — e isso constituía uma estética à parte, no quesito escultura. Ademais, a obra “Os Retirantes”, recebeu o prêmio de visita à Europa, oferecido pelo governo brasileiro, em 1935, no Salão Nacional de Belas Artes, e foi justamente essa premiação que o levou à França no intuito de suplementar os seus estudos. Conforme a redação do jornal A Tribuna na época:


Normalmente Honório Peçanha trabalha sob encomenda, por isso ainda não pôde fazer uma exposição individual, embora muitas de suas peças possam ser encontradas no Salão Nacional de Belas Artes, no Museu da Cidade e no Museu Nacional. Nunca participou das Bienais, pois nesse tipo de mostra predomina a chamada arte avançada que envolve a técnica, o que vai de encontro à sua concepção artística, pois, como ele mesmo diz: 'No meu tempo de escola, esculpir era realmente esculpir e não juntar pedaços de ferro e outros materiais para compor a obra'. Ele trabalha tanto em bronze como em pedra ou gesso e atualmente está fazendo um estudo da figura do operário que tem nas mãos uma bola de ferro com uma algema. Recentemente fez uma coleção para a Ouro Preto Collection, composta de 10 medalhas, cada uma delas com um Bandeirante e no reverso uma alegoria relacionada com a vida e os feitos da figura retratada. (SCHLEDER, 1971)


Outro dado importante, dentre muitos trabalhos dignos de notoriedade, deve-se a um dos mais apreciados legados de Honório Peçanha, e desde então tem sido a escultura de bronze em homenagem à nossa saudosa Chiquinha Gonzaga. Considerada a segunda obra de um busto de mulher e instalada no Rio de Janeiro, mais precisamente no Passeio Público, ela foi fundada em 17 de outubro de 1942, dia do natalício da Chiquinha, sete anos após sua morte. De acordo com a plataforma de pesquisa “As histórias dos monumentos do Rio”, considera-se essa obra do busto de Chiquinha Gonzaga, de Honório Peçanha, um dos mais belos retratos em bronze da cidade”. Na imagem, “Chiquinha está elegante e delicada”. Nessa época “A Sociedade Cultural da Memória de Chiquinha Gonzaga e o Centro Carioca realizaram essa homenagem com toda a pompa que cabia a Chiquinha, com discurso e festejos”.


Por onde andarão as obras de Honório Peçanha oferecidas a São Gonçalo? Nunca reparou nos bustos do centro da cidade ou no bairro Zé Garoto e adjacências? Pois é, também tive lá minhas dúvidas sobre os nossos monumentos. Não me contive e enviei um “zap” ao professor Rui Aniceto, que logo retornou: “Sim, querido Erick, as esculturas de Estephânia de Carvalho, Luiz Palmier, Waldemar Zarro, dentre outros, de fato foram construídas por Honório Peçanha, por intermédio do nosso Geraldo Lemos, autor do hino municipal. Pergunte ao historiador Jorge Nunes, ele poderá lhe confirmar”. Bem, decerto liguei para o simpático Nunes que corroborou a explicação. Exato, todas aquelas peças de arte em pleno espaço público gonçalense saíram das mãos do nosso escultor Honório Peçanha. Vá lá conferir, mas só quando terminar a quarentena, hein! Fiquemos por aqui, então.















Fotos 1 e 2: Busto de Chiquinha Gonzaga (1942), Passeio Público do RJ. Enciclopédia Itaú Cultural.

Foto 3: Honório Peçanha e seu Monumento de Plácido de Castro, realizado  para o estado do Acre em 1963. Fonte: Acervo digital do Centro de Documentação Histórica e Informação (CDIH), da Universidade Federal do Acre.

Fotos 4, 5 e 6: Busto do Pastor Waldemar Zarro. (Rua Coronel Moreira César, Centro, SG). Erick Bernardes.

Fotos 7 e 8: Estátua de corpo inteiro do Joaquim Lavoura (Praça Estephânia de Carvalho, Zé Garoto. Erick Bernardes.

Fotos 9 e 10: Busto do Dr. Luiz Palmier, ao lado da praça, em frente ao Pronto Socorro, bairro Zé Garoto. Erick Bernardes.

Fotos 11, 12, 13 e 14: busto da Professora Estephânia de Carvalho e placas informativas na base do monumento. A estátua encontra-se na Praça com seu nome, no bairro Zé Garoto. Erick Bernardes.


REFERÊNCIAS:


HONÓRIO Peçanha. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2020. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa10667/honorio-pecanha>. Acesso em: 07 de Mai. 2020.


SCHLEDER, Ivani Meira. A visão de um escultor. A Tribuna, Niterói, 1 out. 1971.


http://ashistoriasdosmonumentosdorio.blogspot.com/2010/ Acesso em: 07 de Mai. 2020.

Erick Bernardes é escritor e professor mestre em Estudos Literários.




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