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São Gonçalo realiza simpósio sobre Setembro Amarelo

Evento ocorrerá no Auditório da Secretaria Municipal de Saúde, no São Gonçalo Shopping

Setembro Amarelo chegou, e este mês é voltado à prevenção do suicídio. Pensando nisso, a Secretaria Municipal de Saúde, através da Coordenação de Saúde Mental, realizará o Primeiro Simpósio de Violência Autoprovocada – Prevenir e Salvar vidas, no dia 14 de setembro, às 9h, no Auditório da Secretaria Municipal de Saúde, no São Gonçalo Shopping. Voltado aos profissionais da saúde que atuam na área de saúde mental, o objetivo é sensibilizar contra a prática do suicídio, que pode ser evitado em até 90% dos casos.


De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPA) o suicídio é a segunda principal causa de morte entre os jovens com idade entre 15 e 29 anos e 79% dos casos no mundo ocorrem em países de baixa e média renda. Os jovens costumam ser os mais afetados e cerca de 96,8% dos casos estão relacionados a transtornos mentais liderados pela depressão, seguidos do transtorno bipolar e dependência química. Mas, quando há mais de um transtorno associado, o risco de tentar contra a própria vida é maior.


Segundo a Coordenadora do Programa de Saúde Mental, Aparecida Lobosco, a porta de entrada para o tratamento em saúde mental no município são os Centros de Apoio Psicossocial (CAPs). Estes centros trabalham com pessoas vulneráveis e que não têm apoio psicossocial.


- Nossos Caps atuam tanto nos níveis primários como secundários do tratamento da saúde mental. Primário porque são portas abertas e não precisam de regulação, mas também tratam de casos de alta complexidade da saúde mental, como aquelas pessoas que passaram pelo processo de institucionalização e viveram anos em manicômios, sendo as mais vulneráveis - conta Aparecida.

Em 2019, o município realizou mais de 3 mil atendimentos mensais. Através da Coordenação de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, as pessoas são assistidas no Ambulatório de Saúde Mental do Posto de Assistência Médica (PAM) do Coelho, e no Ambulatório Nise da Silveira, no Zé Garoto. Por meio da escuta e do acolhimento multiprofissional, os espaços têm sido uma alternativa de recomeço para pacientes que acham que a vida chegou ao fim.


Assim como o PAM Coelho, o Ambulatório Nise da Silveira é um ambulatório ampliado de saúde mental, que também realiza o acolhimento de pessoas em sofrimento psíquico. O público chega por demanda espontânea ou encaminhado pelas unidades de saúde.


Os locais contam com equipes multiprofissionais compostas por psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais que tratam casos de média complexidade. Onde são levados em conta os fatores psicossociais para garantir a dignidade do paciente.


De acordo com a enfermeira Sanitarista e Responsável Técnica da Assessoria de Violência e Sífilis da Divisão de Vigilância Epidemiológica, Luiza Musela, o preconceito e a falta de informação podem agravar o problema dos pacientes, pois muitos negligenciam os próprios sentimentos.


- O brasileiro não é educado a trabalhar com a prevenção em saúde. Por isso, muitos fazem automedicação ou acham que a depressão, ou outro problema psíquico, é falta de Deus e que não precisa de atendimento profissional. E isso só cria uma bola de neve que pode facilitar ao cometimento do suicídio. Isto porque a pessoa já vem há anos carregando angústias e dores que muitas vezes foram suprimidas - conta Luiza Musela.


Luiza diz ainda que é preciso estar atento também aos fatores de violência, principalmente quando for autoprovocada. “É preciso estar atento se não houve mudança de comportamento da pessoa. A automutilação é muito comum nos adolescentes e nem sempre é para chamar a atenção, muitas vezes é um grito de alerta para que o jovem não cometa o autoextermínio”.


Quando se fala em depressão, os sintomas mais comuns são: tristeza profunda, distúrbio do sono, baixa autoestima, choro frequente. Mas é preciso também estar atento à depressão sorridente, onde a pessoa está aparentemente normal, trabalhando e com a vida social ativa e de repente pode cometer o suicídio.

Por isso é importante o papel familiar na percepção dos hábitos da pessoa. Normalmente o paciente vai deixando pequenos hábitos de lado aos poucos. Quando houver esta percepção é importante chamar a pessoa para uma conversa e indicar um profissional qualificado para avaliar a situação.


- Muitas pessoas chegam aqui muito machucadas, fragmentadas e atravessadas por muitas questões. Com uma estrutura frágil na maioria das vezes. Na terapia e no acolhimento, a gente vai atuar ofertando principalmente uma escuta ampliada, mostrando que existem outras possibilidades. Uma escuta acolhedora e com empatia pode mudar a vida de alguém. Geralmente quem pensa em pôr fim a um sofrimento tende a se isolar, então a oportunidade de ser escutado em si já é uma prevenção - conta Aparecida Lobosco.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu a meta de reduzir em 10% os casos de mortes por suicídio até 2020. Para quem precisar de atendimento psicossocial as unidades do Caps do município estão disponíveis para acolhimento e escuta.


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