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Toni Magal, por Paulinho Freitas

Uma homenagem a todos os habitantes do mundo do samba!


SÃO GONÇALO DE AFETOS

Arte a partir de imagem de acritica.com

Eu estava deitado, descansando após o almoço no sossego do meu sacrossanto lar ao lado de minha “dona” quando uma voz de trovão grita lá no portão: _Paulinho! Ô Paulinhoooooo!!! Num sisconde não parceiro, hoje vim disposto a acertar as conta! Ô Paulinhoooo!!!!!


Minha cadela, a Aurora, é gente (?) um ser muito fino, mas também estava descansando e acordou mal humorada que só, já saiu arranhando o portão e fazendo o maior alvoroço. O cão que mora junto com o vizinho ao lado da minha casa também devia estar tirando uma soneca e foi pro muro reclamar e junto com eles todos os cães da vizinhança começaram a ladrar ao mesmo tempo, e o cara gritando no portão, só faltou dar polícia.


Corri lá pra ver o que aquela pessoa tinha de tão urgente e grave contra mim. Chego ao portão e dou de cara com Toni Magal, compositor da antiga que ainda hoje traja blazer branco, cabelo black power, brinco e sapatos bicolores tipo “cavalo de aço.” E ele estava exatamente assim, minha cabeça imediatamente voltou há quase cinquenta anos atrás e vi este querido compositor de todas as escolas e blocos dos bairros Paraíso, Gradim, Madama, Morro do Feijão, Porto Velho, Mutuá e por aí a fora.


Meu Deus! As lágrimas vieram-me aos olhos, que emoção!


Abri o portão para que ele entrasse, mas infelizmente o homem estava uma fera comigo e vociferava em todas as direções:


- Meu cumpadi, ti vi criança pô! Todo mundo tá sabendo que você vai lançar um livro aí falando de tudo o que acontece nas eliminatória de samba, tu sabe que eu sou o maior ganhador de samba que já teve nesse São Gonçalo, De Miriambi até Barreto, eu mandava no Poço do Anil, tu sabe disso! Agora, tu faz um livro e nem faz lembrança do nome de minha pessoa! Quero sabê que pobrema é esse! Quem é que tava naquela final com Fernando Cacique?


Respondi: Você irmão.


- Quem contô pra Zé Levino que era Aniversário de Iraci?


Respondi: Você irmão.


- Então cumpadi, eu sô parceiro nessa parada aê! Cumé qui fica?


Gente! Eu dou graças a Deus por esses acontecimentos em minha vida. Como alguém consegue reclamar da vida com esses amigos que me visitam quase sempre pessoalmente ou em memória? Eu sou abençoado e feliz.


Depois de ouvir todas as suas queixas e reclamações pedi perdão pela minha falta de consideração e prometi:


- Meu amigo, hoje te prometo, vamos começar a escrever o livro número 2. Agora, você vai ter que me ajudar nas lembranças e vai ser o fio condutor destas histórias. É a única forma que eu tenho de poder corrigir esse grave pecado para contigo.


Ele ajeitou o paletó e ficou meio sem jeito, acho que até lisonjeado, mas não perdeu a pose:


- Veja bem, tô morando com uma criatura lá em Araçatiba, região de Maricá, ela é professora de dança e agora tá aposentada, só dança pra mim que sou o ídolo dela, a morena me ama. Vou conversá com ela e se ela achar que tá legal, tá legal, a gente escreve. A gente vai lê esse aí. Se tiver legal... E


Ele não me deixou lhe dar um abraço para que no caso se eu estiver contaminado não mandar o coronavírus para sua amada, mas tocou punho com punho num cumprimento black das antigas. O perfume do cara tomou a rua como as flores daqueles jasmins plantados nas praças. Ô tarde legal!


Esse COISAS DO TIGRE promete! Não deixe de ler!!!!!!!!

Paulinho Freitas é cantor, compositor, sambista e escritor.





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