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Torino: A matemática do samba e da vida em verso e prosa, por Oswaldo Mendes


Torino/Foto: Arquivo pessoal

“Tenho um projeto no Instituto de Educação Clélia Nanci chamado " Samba também se aprende na escola" onde, mediante um enredo escolhido, os alunos de várias turmas compõem o samba sob a minha orientação e no final do ano se faz a disputa do melhor samba aos moldes de uma escola de samba mesmo, com bateria ao vivo. Vou te mandar o vídeo de 2019. O enredo que eu escolhi "Sou do povo da Floresta, Guarani ou de Angola. Eu sou Índio eu sou Quilombola", cita o Professor, poeta, cidadão, autodidata na música e intérprete.


Link original do vídeo no Facebook: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=738197846685851&id=100014869270873&sfnsn=wiwspwawes&extid=ElBXfOTRMRRbIaKz&d=w&vh=i


Augusto Cezar Barros da Rocha ( Torino ), nasceu na Ilha da Conceição, em Niterói, mas a partir dos 6 anos de idade viveu em São Gonçalo. Foi nessa idade que ele compôs a sua primeira música (estilo Wanderley Cardoso e Jerry Adriane). Estudou no Instituto de Educação Clélia Nanci e criava músicas pra zoar os colegas quando saia vitorioso nas partidas de futebol na quadra da mesma.


Na adolescência saia pra Niterói com um grupo de amigos e animava o carnaval cantando no gogó na praça São João atraindo bastante foliões. Mais tarde começou a frequentar, no Barreto, o bloco “TUDO SABE E NADA DIZ” e viu chegar na vizinhança a UNIDOS DA VIRADOURO. A identificação foi imediata e Torino passou a frequentar e a desfilar em ala na Vermelha e Branca do Barreto.


Nesse tempo ele fazia e defendia o samba nas quadras das escolas de sambas e demais agremiações carnavalescas sozinho, até chegar na Viradouro para o Carnaval de 1986. Neste ano que a escola de samba passou a desfilar no 4º grupo do RJ.


Nesse tempo, em 1980, foi convidado a participar da ala dos compositores dos PACÍFICOS DO MUTUÁ e depois de quatro vice-campeonatos onde sagrou-se campeão de samba no único ano em que a agremiação gonçalense gravou no LP das escolas de samba de Niterói. Na época fez muito sucesso: "O mar azul se abria, para o veleiro qual a flor..."

No ano seguinte no carnaval de 1985 tornou-se bicampeão nos Pacíficos com o enredo que homenageava a cor Azul da então escola gonçalense. Ainda foi campeão de samba da Unidos do Colubandê e Bota-Força todas de São Gonçalo em 1986.


É chamado pelo compositor Carlos André para a disputa de samba naquele ano. Era um desfile especial pois seria o primeiro ano da VIRADOURO nas avenidas do Rio de Janeiro. Torino se apresentou agora como compositor no dia 28 de outubro de 1985 e no dia 26 de novembro de 1985 (29 dias de Viradouro) era aclamado campeão de samba para o enredo "Novos ventos Novos Tempos. A história de uma Integração". Se tratava de uma homenagem a UFF pelo seu Jubileu de prata. Daí o refrão: " É de prata o Jubileu / Amor sou Eu / A Universidade Federal/ VIRADOURO Niterói/ Sou Carnaval".


Quem gravou foi Léo da Vila que, devido aos seus compromissos artísticos, não tinha uma presença constante na quadra, mas no dia do desfile de carnaval, já estava pronto na avenida para começar o desfile. ITO MACHADO, então presidente da VIRADOURO e benemérito na história dos carnavais niteroienses, chega ao nosso grupo, que estava afinando os instrumentos para a voz do então intérprete, e determina ao cavaquinhista e manda essa: Atenção é pra tocar no tom do Torino: Ele é que é o puxador da escola. Tomamos um susto, abracei Léo da Vila e falei: Estamos juntos meu irmão! E brilhamos na avenida. A partir daí fui o intérprete oficial nos carnavais de 1987, 1989 e 1990 já com o saudoso Monassa à frente da escola”, expõe Torino,


Esse desfile nos levou ao grupo especial. A partir daí levado pelos compromissos acadêmicos e profissionais na profissão de professor e na época estava cursando a faculdade. Foi se dedicando a outros compromissos e passou a torcer pela Viradouro, de longe. Da escola tem só boas recordações e o orgulho de dizer: “fui eu que levei para a Viradouro”.


Há muitos outros personagens que enchem de glórias que estão na agremiação: Jorge Baiano, Gilberto Gomes e Olga Borges. A história da Viradouro se confunde com o samba, com Niterói, com o pão de cada dia de muitas famílias, com solidariedade, amor, respeito e verdadeira amizade.


Cita também que teve o orgulho de ser o cantor do grupo Elos da Liberdade: “Gilberto Gomes trabalhava comigo como professor no município de SG e eu o levei para o Elos da Liberdade e depois para o Viradouro (em 1987). Em 1989 levei Jorge Baiano para Viradouro. Foi o meu parceiro de samba enredo e chegamos à final do concurso.” Saudoso Gilberto Gomes.


Lembra ainda que seu pai, Hermes Alves da Rocha, gostava de fazer músicas engraçadas e sua mãe, Augusta Barros da Rocha, gostava de cantar Dolores Duran, Dalva de Oliveira, Ângela Maria. Foi o único dos 5 irmãos que herdou esse lado musical dos pais, o primeiro da família a entrar de corpo e alma no mundo do samba. Relata ainda que faz letra e melodia de um samba sem nunca ter estudado nenhum instrumento musical. “A música nasceu em meu interior. É Deus!”


Atualmente compõe músicas com Jorge Baiano e Mocotó, participa de diversos grupos da GRES. Viradouro e foca suas energias para projetos comunitários e sociais.


Um ser completo. Um cidadão maravilhoso que está na história do carnaval e do GRES. Viradouro. Viva Torino!

Oswaldo Mendes é engenheiro.




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