Buscar

Um ano do Centro LGBTI: a diversidade como política pública

Apenas neste ano, a unidade acompanhou cinco casos de lgbtifobia



O respeito à diversidade como política pública. É assim há um ano, desde que junto aos movimentos sociais a Secretaria de Desenvolvimento Social abriu o primeiro Centro de Referência e Cidadania LGBTI em São Gonçalo. Celebrando os mais de 600 atendimentos, não só em casos de lgbtifobia, mas no auxílio à mudança do nome social, geração de emprego e renda e implementação de grupo terapêutico, o Centro reuniu no auditório da Faculdade de Formação de Professores (UERJ-FFP), na noite de ontem (4), muitos dos que fazem parte de sua história. 


Quero iniciar agradecendo aos movimentos sociais. Eu aprendi tanto com todos em um ano. Vivi quase a minha vida toda ´dentro do armário`, e poder hoje como resposta à sociedade colocar não só a minha profissão mas o meu corpo e a minha orientação à serviço da população LGBTI é uma realização. Estamos construindo uma linda história, com uma gestão parceira e que caminha junto da gente. O centro é um direito, e é por direitos que nós vamos continuar lutando e existindo - Júnior Braga, psicólogo e coordenador do espaço. 

No atendimento especializado no Mutondo, a população LGBTI tem acesso a alteração do nome social, junto ao Comitê de subregistro; assessoria jurídica nos casos de violação de direitos e acompanhamento psicológico.



Apenas neste ano, a unidade acompanhou cinco casos de lgbtifobia. Nestes casos o técnico recebe a vítima e familiares, realizando o atendimento inicial, acompanhamento na delegacia para efetuar o registro de ocorrência (caso a vítima ainda não tenha feito) e depois a pessoa é inserida nos serviços ofertados pelo Centro, inclusive no grupo terapêutico para o apoio psicológico em parceria com o Gsex.


- Estamos buscando a cidadania e seus direitos. Nenhum direito foi dado de mão beijada, sabemos que são feitos de muita luta, esforço e vidas sacrificadas. Nenhuma política será implementada se não for provocada. Queremos uma são Gonçalo que contemple a diversidade e ficamos muito felizes em ver que o Centro LGBTI não foi só uma promessa, ele se tornou verdade e tem cumprido seu papel. O que desejamos é nenhum direito a menos pra nós - disse o presidente da Associação gonçalense LGBTI+. 



Em janeiro, o Centro realizou um passo histórico na assistência a Logan Bernardo Melo Moura, de 20 anos, o primeiro homem transsexual a alterar o nome social na certidão de nascimento, através do Centro de Cidadania. A trans ativista e membro da Associação gonçalense LGBTI+, Angélika Rawaxi também teve a sua documentação validada através do centro. Ela relembra que na primeira reunião realizada junto aos movimentos sociais para a implementação do Centro LGBTI, saiu de lá com muitas dúvidas, e hoje , ver a política pública tomando forma dá esperança de continuar lutando. 


- Há um ano fomos convidados para uma reunião. Todos saímos com muitas vírgulas na cabeça, achando que era mais uma promessa política. Mas, não foi. Eu só tenho a agradecer a toda assistência que tive no centro, e se hoje tenho a minha identidade com o nome que eu escolhi, eu agradeço a vocês do Centro por isso - ressaltou. 


Em fevereiro deste ano a equipe técnica do Centro deu início ao planejamento do marco regulatório, que através de projeto de lei irá institucionalizar o equipamento como política pública. O documento já está pronto e será encaminhado para a Câmara de Vereadores para apreciação e votação.


- Eu estou muito feliz e emocionada por esse um ano de trabalho árduo. Agradeço a equipe do Centro, ao empenho, dedicação e boa vontade de cada profissional. Todos os segmentos da sociedade devem ser acolhidos e respeitados. Estamos de braços abertos e de coração aberto para receber a todos. Ter hoje um projeto de lei em andamento é extremamente importante, pois pessoas saem, mas as políticas públicas continuam. Que as pessoas possam ver o Centro como uma grande casa. Continuaremos na luta pelo respeito à dignidade de cada um - afirmou a secretária de Desenvolvimento Social, Marta Maria Figueiredo. 



MV1.2.jpg
MALUGA_2.jpg

© 2020 POR APOLOGIA BRASIL

  • w-facebook
  • Instagram
  • White Twitter Icon